Posts com Tag ‘Giovanna Mezzogiorno’

palermoshootingPalermo Shooting (2008 – ALE) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Muito curioso que no mesmo dia faleceram, dois monstros sagrados do cinema mundial, Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. Algo dessa coincidência sensibilizou Wim Wenders, trazendo-lhe a ideia de unir Blow-up e O Sétimo Selo num mesmo filme. Para isso, o cineasta alemão vai até a Itália, cria uma estrutura gráfica futurista e high-tech, contraste do fotógrafo nas belas edificações de Palermo.

O bem-sucedido fotógrafo de estrelas (como Milla Jovovich) entra num jogo com a morte, enquanto o público entra num espécie de filme de autoajuda permeado por essa riqueza técnico-visual, mas tão pobre de autoafirmação, de um drama consistente, que rapidamente se vê enjaulado pelo cinza que pouco evoca de lúcido e próspero. Wenders tenta homenagear, mas fica tão abobado pela tecnologia que se torna quase um arquiteto narrando uma história qualquer.

vencerVincere (2009 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Todo o tempo Marco Bellocchio almeja o grandioso, reflexo da personalidade do próprio personagem (coadjuvante no filme, principal na trama e na história). Estamos viajando na história da Itália, a cerca do caso secreto do filho renegado por Benito Mussolini. Enquanto deixava de ser um fervoroso socialista para assumir sua liderança política, que o levaria a ser o novo Duce, Mussolini (Filippo Timi) viveu um intenso romance com Ida Falser (Giovanna Mezzogiorno). O casal concebeu um filho, e ela entregou completamente sua vida (inclusive financeiramente para financiar seus ideais) nas mãos do amado.

O tempo passa, a primeira guerra chega, e quando Mussolini retorna do front está casado. A partir daquela inesperada noticia, Ida inicia uma luta pelo reconhecimento de seu status (e principalmente de seu filho). Uma batalha ingrata, a força política do Duce abafa a voz solitária dessa mulher. Chega-se ao ponto de trancafiá-la num hospício para calar aquela voz perturbadora de uma mulher de fibra. Uma história tenebrosa da covardia de um líder e seus subterfúgios para proteger sua imagem. Tudo filmado de maneira quase fúnebre, ambientes frios, escuros, gélidos, o desespero marcado pelo olhar de Giovanna Mezzogiorno. Trata-se de um drama clássico, exaltado pelo som que soa grandioso ao fundo, como se estivéssemos num discurso Fascista inflamado, ou num daqueles cinejornais.