Posts com Tag ‘Giovanni Gallo’

californiaCalifórnia (2015) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O segundo longa-metragem de Marina Person, novamente, ressalta a exposição de sua própria biografia. Após o documentário Person, sobre o falecido pai cineasta, Marina agora resgata suas memórias adolescentes resgatando a adolescência feminina nos anos 80. Seu filme é todo certinho, pontua a situação política à época, se preocupa em cenários que dialogam com a década, toca em temas tabu com simpatia sem ferir ninguém.

Estela (Clara Gallo) é a alter-ego da cineasta, e pela vida escolar-familiar-sexual-cultural da garota que se estabelece a identificação com estes anos 80. Altamente conectada com o tio (Caio Blat) que mora na Califórnia e vive o drama da AIDS, a adolescente vive do sonho de uma viagem libertadora por solos americanos, enquanto vive de cartas e fitas que o tio se corresponde com o melhor do rock da época (Cure, REM, e muito David Bowie).

Marina dialoga sua feminilidade como se falasse com uma sobrinha, ou filha adolescente, e aproveitasse assim para ilustrar aquelas conversas espinhudas que, invariavelmente, acontecem, até que com algum tom apimentado. Os romances e os consolos, a proximidade com álcool e drogas, a dificuldade de relacionamento com os pais. Enquanto a diretora dá cabo de tudo isso, transforma suas lembranças numa versão extendida, e simpática, de Malhação, embalada por trilha sonora que nos empolga facilmente.

de-menorDe Menor (2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Bem interessante a estreia na direção de Caru Alves de Souza. A jovem diretora se divide entre o pedagógico e o minimalismo, aproveitando-se do poético para preencher o tempo necessário para o fita se tornar um longa. Até porque, de trama há pouco ali. A questão carcerária dos menores no Brasil, trazendo para o público algo além da marginização. A partir do momento em que passamos a sofrer os dramas da jovem advogada (Rita Batata), Caru coloca a questão do ponto de vista das famílias dos menores infratores.

Trata-se de um ponto de vista interessante, sem pudores, sem paternalismo, o filme trata seus dramas de forma límpida, por mais que deixe sabiamente nebulosas as relações (com pitadas afetuosas dúbias que apenas embaralham, antes das verdades). Enquanto planos fechados, nos pés ou nas mãos, trazem certo ar de desilusão, ou servem para esconder algumas atuações pouco inspiradas, o estilo da diretora, e sua forma de abordagem, tornam De Menor um promissor início de carreira.