Posts com Tag ‘Giuseppe Tornatore’

Ano chegando ao fim, hora de eleger os preferidos. A primeira lista é composta com filmes (vistos em 2013) que não estreiaram no circuito nacional, e nem estão programados (segundo o FilmeB). Só valem filmes produzidos entre 2011-2013.

Felizmente, o circuito brasileiro anda cada vez melhor, a oferta de bons filmes melhorando com novas distribuidoras. Mas, ainda assim, esses filmes fizeram falta nos nossos cinemas em 2013. Documentários surpreendentes, diretores bem conhecidos em filmes pequenos, e até outros com grandes astros que acabaram preteridos pelas distribuidoras.

top 10 2013 off Circuito

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amelhorofertaLa Migliore Offerta (2013 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Volta de Giuseppe Tornatore ao suspense (dramático), e que, surpreendentemente, passou meio despercebido desde seu lançamento. Por mais que tenha potencial comercial por seus elementos básicos e o apelo de atores conhecidos. O roteiro conduz Geoffrey Rush há mais um papel de um homem fino e coloquial, desta vez um antiquário. Um roteiro que brinca com a curiosidade e a adoração às formas femininas, o leiloeiro não pode ver a jovem que o contrata para cuidar da herança dos pais, a curiosidade que o consome, cega.

Usando os argumentos básicos do genero, Tornatore atrai a curiosidade pela própria necessidade instintiva de Virgili, que se confessa com um amigo (Jim Sturgess) expondo as fragilidades de um homem, até então impenetrável.  Mistério, romance, arte, milionários excêntricos, um bar com uma anã enigmática, Tornatore cria pequenos elementos que tiram o foco, liberando sentimentos aprisionados e apontando fraquezas camufladas.

A Lenda do Pianista do Mar

Publicado: outubro 19, 2010 em Uncategorized
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La Leggenda del Pianista Sull’Oceano / The Legend of 1900 (1998 – ITA)

Um fracassado músico é o pivô narrativo da história de um bebê órfão deixado num enorme transatlântico, adotado por um tripulante e batizado pelo nome do ano em que nasceu, Novecento cresce um garoto arteiro e encantado pelo mar, pelos sons do oceano, trancafiado numa máquina sob alto-mar completamente distante das cidades, da vida urbana. Giuseppe Tornatore parte do monólogo teatral escrito por Alessandro Baricco, almeja um filme lírico, carregado de uma poesia capaz de desprender as pessoas da vida rotineira das cidades, o protagonista não tem coragem de pisar em terra firme, de enfrentar algo diferente de seu habitat que lhe traz segurança, os anos passam, ele descobre o piano, a música, ganha fama e Tornatore narra tudo de forma clássica, unificando a trilha de Ennio Morricone e o ritmo do jazz com toda a estrutura clássica e formal. Cruzam-se décadas, contam-se causos e mais causos que buscam o lírico, do amor até o encantamento pelo mar, repetições de temas que atolam o filme longo e de um tom melodramático acentuado.
 

umasimplesformalidadeUna Pura Formalità (1994 – FRA/ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O filme começa com a câmera na posição dos olhos do personagem. Numa noite, no meio da floresta, o cano de um revólver aproxima-se cada vez mais das lentes. Ouve-se um disparo, e a imagem nos faz sentir correr em disparada por entre a mata, a respiração cada vez mais ofegante, a visão começa a ficar distorcida, e o desespero controlar a pessoa, até que o corpo cai. Começa assim mais um filme do diretor italiano Giuseppe Tornatore.

Onoff (Gérard Depardieu), famoso escritor de romances é encontrado, em meio a uma chuva torrencial, numa estrada pouco movimentada. Sem portar documentos, acaba levado à delegacia para averiguações rotineiras. Na região um crime hediondo ocorrera. A situação insinua o escritor como principal suspeito. O comissário, mesmo sendo grande fã de suas obras, não irá poupar artimanhas para conseguir respostas e porque não uma confissão, fazendo o escritor repensar seu passado.

Levado à delegacia, o local é um buraco, as goteiras brotam do teto, a infra-estrutura é zero, Onoff está descontente com a situação, se altera e chega às vias de fato com alguns policiais. Chega o comissário (Roman Polanski) e os dois começam uma conversa “informal” que se torna um interrogatório tenso e cheio de suspeitas. O roteiro cria um mar de pistas falsas para despistar os adivinhadores de plantão, esse cômodo artifício pode enganar parte do público, mas não demonstra nenhum brilhantismo. E, obviamente, veio uma grande reviravolta no final. O interrogatório protagonizado por Gérard Depardieu e Roman Polanski deveria ser o grande trunfo, mas de tão arrastado e mecânico, ofusca o possível brilho do filme. Os flashblacks são confusos, vem à tona como lapsos de memória do escritor, um quebra-cabeça em frangalhos. Tornatore peca nitidamente na direção dos atores e na condução de alguns diálogos.