Posts com Tag ‘Greg Kinnear’

As Good As it Gets (1997 – EUA) 

Tem um quê de comédia romântica que define o gênero em sua década. A cada nova revisão, nova paixão, pela forma, como o diretor James L. Brooks, conduz a transformação de um personagem tão solitário, egocêntrico e ranzinza, incapaz de ser gentil ou fazer um elogio, num homem apaixonado, claro que a sua maneira. Esse é Melvin (Jack Nicholson), o escritor de sucesso, e uma personalidade das mais problemáticas. Cheio de manias, como travar e destravar cinco vezes a porta, ou almoçar, todo dia, na mesma cadeira, do mesmo restaurante, e ser atendido pela mesma garçonete, Carol (Helen Hunt). Exemplos de alguns excentricidades, de alguém, com conforto financeiro, e a arrogância como arma de defesa, contra o convício social. Quando alguma situação foge de sua rotina, impera nele o descontrole, como a de um garoto mimado.

O contraponto a todo o alívio cômico do personagem central é mesmo a garçonete. Explosiva, carente que alguém que lhe dê alguma atenção es especial, e repleta de problemas pessoais. Desse caos que, naturalmente, ela é capaz de descongelar o coração espinhoso do escritor rabugento, até por ter a coragem de falar não e impor limites às extravagâncias sociais del. É Helen Hunt quem dá as deixas para Jack Nicholson ser engraçado, cativante, irritante ou, até mesmo doce. E também que permite a Greg Kinnear (o vizinho gay) a surgir como essa revelação inesquecível. O público ri do rude, mas é cativado pelas possibilidades de transformações, pela quebra de limites pessoais, e pelo esforço de transgredir essas barreiras psicológicas, em prol de uma mudança, que possa resultar no dar e receber amor. Sensível e divertido, é James L. Brooks na dose certa.

aenfermeirabettyBetty Nurse (2000 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Mistura de comédia, drama, thriller e conto de fadas. Achou pouco? Roteiro original ou completa miscelânea? Betty Sizemore (Renée Zellweger) é uma garçonete, de uma pequena cidade no Kansas. Leva sua vidinha pacata, cheia de sonhos, principalmente em se relacionar com a novela Uma Razão para Amar. Casada com o canalha Del Sizemore (Aaron Eckhart), vendedor de carros usados metido com tráfico de drogas.

Numa cena grotesca e violenta, enquanto Betty assiste novela no quarto, bandidos surram Del na procura de um valioso carregamento de drogas. Ao final, Del acaba assassinado, e Betty assistindo a tudo. Ela entra em choque, e passa a acreditar que é ex-noiva do Dr. David Ravell (Greg Kinnear), que é o ator da novela da qual Betty assiste. Ela incorpora a personagem de uma enfermeira, e vai a LA, na busca de reatar com seu grande amor. Os bandidos (Morgan Freeman e Chris Rock) seguem seu rastro à procura das drogas.

Não bastava essa história macarrônica, com pitadas açucaradas, como num conto de fadas, Betty acaba conhecendo o Dr. Ravell, e tendo um romance com ele. No rastro, ainda temos a crise existencial de um dos bandidos, Charles (Freeman), entre sua aposentadoria e uma paixão platônica por Betty.  O diretor Neil LaBute ainda conseguiu criar uns personagens ridículos como o xerife e o jornalista (patético). Haja paciência!

mensagemparavoceYou’ve Got Mail (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Como umas coisas tão grudentas, como comédias românticas desse tipo, podem te emocionar tanto? Fazer com que você torça para os que os personagens fiquem juntos, e toda a baboseira sentimental que o mais rasteiro gênero do cinema produz. Adaptação da peça teatral de Miklos Laszlo, dirigida por Nora Ephron, que novamente comanda os atores queridinhos da América: Meg Ryan e Tom Hanks. Se o filme estiver passando na tv, invariavelmente, e de forma inexplicável, vou estar assistindo até o final.

Dos primórdios dos relacionamentos via internet (dos chats de bate-papo) a uma guerra comercial entre uma singela livraria de bairro, contra uma poderosa Bookstore. O roteiro une, virtualmente, dois corações solitários, desanimados em seus relacionamentos, porém em lados opostos na vida “real”, praticamente se odeiam. Com deliciosos passeios pela Nova York, dos nova-yorquinos, Joe Fox (Tom Hanks) descobre que sua “paixão-virtual” é sua inimiga profissional (Meg Ryan), e inicia um matuto jogo de conquista. Ryan no auge de sua meiguice, e o filme criando situações capazes de provar aos dois o blasé e cliché “feitos um para o outro”. Seja a trilha sonora, os encontros em supermercados, praças, na feira, a química do casal e o humor doce são o charme para que esse filme se torne o mais horrendo, e delicioso, guilty pleasure desse cinéfilo. Tenho certeza que “Você também vai amar Nova York no Outono”.