Posts com Tag ‘Guerra Civil Africana’

Rebelle / War Witch (2012 – CAN)

As guerras civis africanas narradas pelas lembranças de uma jovem que à época vivia seus doze anos enfrentando o terror da violência, vivendo e o amor e a gravidez. Kim Nguyen realiza um filme brutal, nervoso, vivo, sem ir além do excesso de sofrimento mergulhado na pobreza de pequenos vilarejos perdidos no meio da selva africana. A lei do mais forte exposta no cinema, com todos os cacoetes do gênero e uma garota convincente (Rachel Mwanza).

Un Homme que Crie (2010 – Chade/FRA/BEL)

A guerra civil prestes a eclodir no Chade, com os passar dos dias a situação nas ruas aproxima-se do caótico. Os rebeldes atacam, o exército precisa de voluntários para combater. A vida de Adam é a piscina, o ex-campeão de natação ganha a vida trabalhando com seu filho numa piscina de um hotel de luxo. A crise no país força o hotel a demitir, Adam vai para a portaria enquanto seu filho assume a piscina. A situação o corrói, Mahamat Saleh Haroun filma delicadamente todo esse processo que leva um homem sereno a uma escolha intempestiva, egoísta. Há os que morrem pelos filhos, por trás dessa situação política que se repete pelos países africanos, o cineasta conta uma história de arrependimento, de culpa, com sua sensibilidade lenta e a ausência de arroubos de emoção. Ainda assim, o filme guarda dois ou três momentos, como na cena em que a namorada grávida ouve o cassete com o recado do namorado que está lutando. Título mais correta seria “que grita calado”, só que esse grito ecoa dentro de si, devastador.

White Material (2009 – FRA/CAM)

A história se repete em qualquer país da África Negra, rebeldes tomando o poder, a grande maioria dos brancos aristocratas sugaram a população e sofrem comas perseguições dos revoltosos, um banho de sangue sem precedentes. Claire Denis não pontua sua história, porém conta uma pequena história que resume todos os países (até hoje em suas intermináveis guerras civis). Os brancos donos ou administradores de uma fazenda de café esforçam-se para seguir no plantio, colheita e demais processos agrícolas, a cidade virou um campo de batalha e no meio dessa guerra pelas esquinas (onde o professor de natação do seu filho pode ser o guerrilheiro que irá te apontar uma metralhadora na cabeça) há os que fogem por socorro e os que teimam por acreditar que são tão filhos daquela terra quanto os rebeldes.

Denis traz o campo de batalha para dentro do seu estomago, enquanto os grupos de negros disputam o poder, uma mulher (Isabelle Huppert sempre magistral) com bravura pensa no seu pequeno dia-a-dia, enquanto isso vivemos a tensão, a loucura de cada segundo num local onde você é o alvo o dia todo e conta os segundos até que seja o próximo a ser atingido. Claire Denis oferece um filme não só poderoso em seus temas, como na fineza com que filma toda essa alucinante vida, toda essa ensandecida situação. White Material é assombroso, de deixar você de pernas bambas pelas possibilidades da raça humana em desfazer, em desmerecer, em agir com tamanha irracionalidade.