Posts com Tag ‘Guillermo Del Toro’

Cronos (1993 – MEX) 

Mesmo em sua estreia em longa-metrangens, bastante irregular de foma geral, Guillermo del Toro já construía muito do que se tornaria um típico filme com sua marca. O fantástico representado por monstros, a preocupação estética e a melancolia que vem representada na figura dramática. Além, de já ter no elenco, aqueles que seriam costumeiros em seu início de filmografia: Federico Luppi e Ron Perlman.

Na trama, o dono de uma loja de antiguidades e um estranho objeto que solta garras e busca por sangue. É o mito do vampiro e da vida eterna narrado sem os dentões, estacas e balas de prata. O corpo rejuvenesce, a obsessão por sangue cresce e sempre tem alguém atrás das benesses que o cronos pode oferecer.

The Shape of Water (2017 – EUA) 

O novo conto de fadas de Guillermo del Toro é romântico, da voz aos marginalizados, é bastante ousado sexualmente, algumas horas divertido, em outras canastrão com seus vilões. A atmosfera de O Labirinto do Fauno é transferida para um laboratório militar dos EUA em plena Guerra Fria. Espiões soviéticos infiltrados e um estranho anfíbio capturado das águas do Amazonas são as obsessões militares da base.

Nasce a improvável história de amor entre o monstro e uma faxineira muda, del Toro toma todos os cuidados com o tom romântico: da graça e leveza de Sally Hawkins, quase em hipnose, à trilha sonora aconchegante e a beleza com que a fotografia escura e de tons pesados (muito verde musgo) oferece num contraste entre sentimentos e ambientes.

O romance está lá, assim como todo o vilanismo da cúpula militar (Michael Shannon) em caricatura, violência e cegueira. Personagens periféricos são pouco desenvolvidos para que o romance comova, ainda que sempre envolto nesse universo da beleza impossível e dos marginalizados buscando seu espaço para encontrar sua felicidade.


Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

Prêmio: Leão de Ouro – Melhor Filme

Jim Jarmusch in 1984• Com seu último filme, Only Lovers Left Alive, começando a ser lançado nos cinemas mundiais, vale um resumo da carreira de Jim Jarmusch, em fotos, para quem não se aventurou por seus filmes ainda [The Guardian] e também uma entrevista com o cineasta

• Dia de Estreia nos cinema agora é de quinta-feira! Os apressados podem ver o filme um dia antes, e o mercado acredita que assim terá mais um dia de movimento de fim de semana. Muitos países já adotam a quinta como o dia cadas estreias. Depois do Carnaval já começa a valer [FilmeB]

• Inácio Araujo resumiu o novo Robocop de José Padilha perfeitamente [Inacio Araujo]

• Interstellar, o mais ambicioso dos filmes de Christopher Nolan? Foi o que disse Matthew McConaughey [Uol Cinema]

• Essa semana muito se falou do depoimento emocionante de Amy Adams sobre Philip Seymour Hoffman no Inside The Actors Studio [Indiewire]

• De repente, numa manhã dessa semana, acordei com uma enxurrada de empolgações internacionais pelo trailer de O Guardião das Galáxia. Era para tanto? [Omelete]

• Entrevista com o cineasta palestino Hany Abu-Assad, que já foi indicado ao Oscar com Paradise Now, e novamente está entre na disputa para filme estrangeiro com Omar [Slant Magazine]

• Livro, Gabinete de curiosidades, sobre o universo de Guillermo Del Toro [El País]

circulodefogoPacific Rim (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Guillermo Del Toro foi beber na fonte da séries de tv japonesas que fizeram sucesso nos anos 80, como Ultraman e Ultraseven, heróis-robôs lutando contra monstrengos, sempre salvando a humanidade. E como nessas séries, há uma divisão clara, de um lado as sequencia de ação, as lutas entre os robôs-gigantes (os Jaegers, pilotados por humanos) contra monstros que deixam o Godzilla pequeninho (Kaijus).

E essa divisão é descomunal, as lutas pelo Pacífico ou nas cidades litorâneas daquele oceano chegam a um grau de perfeição e realismo que a pergunta deixa de ser “como podem melhorar?” para “aonde vamos agora?”. O realismo é indescritível, realmente parecem ter sido filmadas, e não computadorizadas. Mas, o filme não são apenas os robôs, há um roteiro que explica a presença dos monstrengos e toda a movimentação político-militar para que o planeta se proteja.

E, toda e qualquer cena em que haja um ser humano envolvido, são marcadas por diálogos óbvios, que insistem em explicar o que está claro, é a utilização desenfreada dos clichês, como se só eles não bastassem para a compreensão do filme. Conflitos esdrúxulos, superações pessoais e a trilha sonora a favor de momentos ainda mais melosos e eloquentes. Eis o momento no cinema em que as máquinas superaram, e em muito, as pessoas.

El Laberinto del Fauno (2006 – MEX/EUA/ESP) 

Não há um único ponto de intersecção entre a fábula e o mundo real, mas uma infinidade deles, imersos naquela fotografia dark, esfumaçada e serena. Confundimos-nos entre os dois mundos, e as metáforas indicam a inexistência de grandes diferenças entre ambos. A fuga da realidade pela fábula, é apenas uma forma de enfeitar o feio, o incômodo. Trata-se de um filme sobre repressão, sobre angústias, sobre sonhos. Trata-se de um filme sobre o medo.

O medo contido na pequena Ofélia (Ivana Baquero), que resiste às mudanças, ao carrasco do novo padrasto (um capitão do exército Franquista). Sua fuga dá-se pelos livros de fábula que tanto gosta de ler, mas principalmente pela aventura que uma fada e um fauno (Doug Jones) estão prestes a lhe oferecer. É revelado a Ofélia, que na verdade ela seria um princesa, e que para retornar ao seu reino teria que cumprir três tarefas, a fim de demonstrar sua integridade. Enquanto isso, a guerra civil espanhola prossegue em pleno ano de 1944, um grupo de revolucionários esconde-se nas proximidades da casa campestre de Vidal (o padrasto), a luta é contínua. Na casa uma espiã os auxilia, Mercedes (Maribel Verdú).

Guillermo Del Toro faz mágica ao mesclar tão bem esses mundos distintos, um servindo de metáfora ao outro, como que explicando sutilmente o que nossos olhos não conseguiam entender claramente (talvez por já estarmos acostumados com as regras de conduta da sociedade). Sem dúvida a magia está na dosagem correta da fantasia (sem tornar-se pueril, com cenas extremamente violentas e sanguinárias, o corte da bochecha é terrível). O mundo de insetos, faunos, fadas e monstros, está tão perto da gente, nossos olhos é que teimam não enxergar.

Por isso tudo, trata-se de um filme sobre o medo. Seja ele das criaturas mais inimagináveis, seja do carrasco impiedoso, seja na luta armada sem estrutura ou conforto. Em todos eles há medo, e também coragem para tentar enfrentar. A primeira metade da história cuida meticulosamente em nos envolver nesse clima tenebroso e mágico, obscuro e intrigante. Na segunda surgem fragilidades, as tais tarefas são demasiadamente simples, (regras infringidas); a figura do padrasto tirano ultrapassa o ponto, na preocupação em fazê-lo odioso temos um personagem-clichê, desumano, egocêntrico, incapaz de qualquer sentimento positivo. Por outro lado, há o desenvolvimento maduro do tema político, um pano de fundo inquieto, Del Toro fez bom uso de tudo que estava ao seu dispor, e criou uma fábula referencial, linda de se olhar, encantadora e ainda assim assustadora.