Posts com Tag ‘Guillermo Francella’

omisteriodafelicidadeEl Misterio de la Felicidad (2014 – ARG)

O cinema de Daniel Burman se estabeleceu, definitivamente, pela comédia dramática facilmente acessível. Seus filmes são familiares, e temas universais (mesmo que carreguem tanto da cultura argentina, é quase um made-in-exportação da cultura portenha). Quando surgiu, com Abraço Partido, foi altamente celebrado e premiado em Berlim. Mas, com o tempo, seu cinema se tornou preguiçoso, fácil demais. Tão inofensivo que nem é capaz de desagradar totalmente.

Dessa vez, o foco está em dois sócios, ultra-amigos, até que um deles desaparece e traz questionamentos sobre felicidade x conforto financeiro, e sobre liberdade, ou sair da zona de conforto. É bonito notar a dificuldade, e o processo, de percepção das motivações pessoais. Porém, é tudo feito de maneira tão bonitinha, aproximações amorosas e trilhas açucaradas, que comprova que Burman apenas está jogando para sua torcida e deixou seu melhor cinema há uma década.

El Clan (2015 – ARG) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Prova de como uma história impressionante não resulta, facilmente, num grande filme. Baseado em fatos reais, Pablo Trapero resgata o clã dos Puccio. Foi um escândalo nos anos 80, a descoberta que a família era responsável por uma onda de sequestros na Argentina. Capitanedos pelo patriarca, Arquimedes (Guillermo Francella), mantinham o cativeiro na própria casa, em meio aos filhos adolescentes que assistiam tv ou faziam a lição de casa.

Trapero espalha ótima trilha sonora por toda a narrativa, cria uma ironia que esvazia seu próprio filme. É um caso raro de música boa, aproveitada de maneira tão equivocada. A ironia instaurada quase oferece um clima leve, quando há tanto drama carregado pelas diferenças e incômodos familiares, fora o drama dos sequestrados. Olhar o cinema vigoroso de Trapero, em início de carreira, e seus últimos trabalhos, chega a dar tristeza. Aproveita mal a passividade de alguns membros da família, perde a dimensão da importância do filho, Alejandro (Peter Lanzani) no cenário esportivo argentino (era jogador da seleção de rubgy). As cenas são bonitas isoladamente, mas perdem força ou contexto por escolhas tão equivocadas.