Posts com Tag ‘Gus Van Sant’

Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot (2018 – EUA) 

Como é curiosa, e nada retilínea, a carreira de Gus Van Sant. Um cineasta de filmes inspiradores, outros quase experimentais, comedias e melodramas sentimentais. A cinebiografia do cartunista é John Callahan (Joaquin Phoenix) se enquadra nessa leva de seus filmes mais básicos e que inspiram pela história de vida edificante, e não por um tipo de cinema inspirador.

Do alcoolatra que sofre um acidente e fica tetraplégico, até sua redescoberta como viver, incluindo sua “vocação” para sua provocante carreira artística, o que temos é um filme que busca reconstiuir época e recriar a historia, mas sempre amarrado num estilo quadrado, por mais controverso que o personagem possa ser.


Festival: Sundance 2018

Mostra: Premières

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Mala Noche (1986 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Interessante descobrir na estreia de Gus Van Sant elementos que continuam tão presentes na sua filmografia, menos comercial (afinal, ele se divide com filmes extremamente voltados ao público médio num zigue-zague obtuso). Filmado em 16 mm, preto e branco, o filme trata de um jovem gay interessado num latino ilegal, que vive em condições financeiras precárias e não lhe dá muitas chances.

Van Sant brinca com a tensão sexual, seja em letreiros provocativos (touros e chifres) ou metáforas entre os diálogos (como na cena do macarrão). São personagens que exploram suas armas (dinheiro, desejo, até pátria mãe), no meio de uma narrativa jovial como aqueles filmes das repúblicas universitárias americanas. Mas, é muito mais profundo que isso. Há em tantos planos o dedo de um Van Sant tremulante, capaz de trazer tanta naturalidade aos personagens em situações corriqueiras. Cortes bruscos, o posicionamento de câmeras, não é bem um trabalho experimental, mas sim um jovem cineasta experimentando.

padilhaerobocop• O remake de Robocop dirigido pelo diretor brasileiro José Padilha, de Tropa de Elite, vem causando frisson na crítica internacional [Hollywood Reporter] [Variety], ou pelo menos em parte dela [The Guardian]

• Philip Seymour Hoffman para recordar, um pequeno clipe resumindo sua carreira [Vimeo]

• Primeia parte da lista dos 100 Melhores Filmes Franceses da revista mais cool da França [LesInRocks]

• Festival de Berlim começou com bons elogios ao novo filme de Wes Anderson, no link um teaser para quem gosta dos filmes dele [Youtube]

• Novo filme de Gus Van Sant, Sea of Trees, terá Matthe McConaughey como protagonista [The Guardian]

• Mais salas de cinema de rua em São Paulo? Será? A Prefeitura diz que investirá [Uol Cinema]

psicosePsycho (1998 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Adaptar um clássico de Alfred Hitchcock, onde estava Gus Van Sant com a cabeça para realizar esse remake? O filme apanha(ou) da crítica adoidado, mas seu problema está longe de sua execução em si. O grande erro/equívoco/incomodo é que Psicose (e outros filmes dessa estirpe) nunca deveria ser refilmados, simplesmente não, e pronto. Não há razão, não há o que atualizar, o filme é um clássico, atemporal, e pronto. Por melhor que fosse, qualquer remake simplesmente não tem razão de existir.

Porque, afinal, Gus Van Sant, repete a história direitinho, coloca seus enquadramentos aqui e ali, os personagens – agora à cores, e, dessa forma, a cena do grito mais famoso do cinema perde um pouco de impacto – um pouco caricatos, mas nada que pudesse incomodar. É um remake correto, parece feito por encomenda.

O clima de suspense está lá, mas nada comparado ao original, afinal, quem não o viu ainda? Julianne Moore, Vince Vaugh, Anne Heche, e outras estrelas, estão ali, para abrilhantar um projeto que nasceu furado, por mais que não seja nada desagradável de assistir.

terraprometidaPromised Land (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Gus Van Sant é um cineasta de lógica quase indecifrável, sua carreira vive no vai-e-vem de projetos de apelo comercial, com outros extremamente delicados e únicos, remake de clássico de Hitchcock, outros vagarosos e incríveis, até melodramas por excelência. Um dos principais interesses comuns é o indivíduo, das mais diferentes personalidades, Van Sant sempre tenta buscar algo mais de seus personagens.

O conteúdo político não poderia ser mais atual, porém a lembrança de ein Brockovich será imediata no público. A exploração de gás natural em regiões rurais nos EUA, familias vendendo a concessão em troca de um dinheiro fácil que pode aliviar, em muito, suas vidas. Matt Damon e Frances McDormand são os responsáveis pelos contratos, por garantir o menor valor por cada acre.

Se o diretor quer esfregar no rosto de todos os passos pouco éticos desses grandes conglomerados, não seria necessário, aparentemente todo mundo já entendeu a exploração e a quantidades de crimes ambientais que estão ocorrendo. Van Sant quer estudar a ética do perspicaz vendedor, testar os limites morais, as mudanças de comportamento. Resolve todas as questões de forma branda, morna, tal qual a vida limitada dos moradores dos rincões americanos.

tothewonder• Abrindo com a interessante discussão sobre o cinema de Terrence Malick, em sua nova fase. De A Árvore da Vida e Amor Pleno (To The Wonder), que dialogam muito no estilo, mas diferem tanto na preferência do espectador. “Seu novo filme é outra obra-prima ou uma parodia de sua terrível tendência?”  [ThePlaylist]

• Noticia fresquinha é que Wagner Moura, nem lançou seu primeiro filme em Hollywood e já está acertando um segundo. Dizem que ele vai trabalhar com Stephen Daldry [AdoroCinema]

• Enquanto isso, Gus Van Sant roda cena teste com Alex Pettyfer para Cinquenta Tons de Cinza. Será ele a assumir a direção da adaptação do livro mais comentado do ano? [AdoroCinema]

homemdeferro2_2• Ontem estreiou Homem de Ferro 3 abrindo a temporada de Blockbusters de 2013. Marvel e cinema são uma parceria de sucesso. Bilheteria concorrida, basta ter filme de super-heróis da Marvel. Aproveitando o momento, bem legal esse especial Marvel 15 Anos – Super-heróis dos quadrinhos no cinema. [AdoroCinema]

• Esse link sobre a Paleta de Cores dos Filmes também é bem interessante, filmes de Scorsese, Hitchcock, Kubrick, Paul Thomas Anderson, Irmão Coen e Tarantino estão lá. [lol, hehehe]

Restless (2011 – EUA)

Em Casa Vazia um sujeito invadia residencias quando os moradores não estavam, numa dessas visitas uma mulher se apaixona por ele. Ela passa a invadir com ele as casas. Inquietos começa com um jovem riscando no chão o contorno do seu corpo (como nos filmes policiais marcando onde estava o corpo da vítima), mais adiante na história o jovem está marcando o contorno do corpo dele e da namorada, e eles estão ali, caídos pelo chão (foto), de mãos dadas. Amor é isso, permitir que pequenos prazeres que eram só seus, possam ser divididos a dois, deixar outra pessoa inserir-se no que lhe é importante na vida.

Gus van Sant traz uma história de amor, novamente ele está trabalhando com a juventude, mas aqui, ao invés de tentar compreendê-la o cineasta está apenas pegando emprestado a idade dos personagens, utilizando-os como meio e não como tema. Ele (Henry Hopper), bem “ele é diferente”, traz à tona o que lhe assombra, por exemplo é penetra de funerais. Já ela (Mia Wasikowska) é daquelas que desperta o amor à primeira vista, a vivacidade, o entusiasmo em falar de Darwin e dos pássaros, a luva vermelha, o sorriso permanente, difícil é não se apaixonar por ela.

Só que ela vive as últimas semanas de um cancer terminal, são dois jovens encarando a explosão de uma bomba atômica no estomago e com prazo de validade a expirar. Pois, Van Sant explora toda a delicadeza do amor, aproveitando as pequenas coisas capazes de marcar as lembranças desses pequenos momentos. Um beijo na chuva, uma metáfora entre eles e um pássaro que canta só pela manha, a maneira carinhosa como eles se chamam. Enfim, essa coisa de saber viver o amor e brincar ao mesmo tempo, sem se preocupar com o julgamento de quem está em volta.

Em alguns momentos esbarra no sentimental, na mão mais clássica que também conhecemos na carreira de Van Sant, mas em sua grande maioria trata-se de um filme adorável, de silencios românticos e melancolicos. Annabel e Enoch, um filme de profunda tristeza, ainda assim recheado desse sabor de vivacidade, e aquele final lindo (que eu implorava para ser exatamente como foi).