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Salvai e Protegei

Publicado: maio 29, 2013 em Cinema
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salvaieprotegeiSpasi i Sokhrani (1989 – RUS) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Aleksandr Sokurov utiliza o clássico de Gustave Flaubert como inspiração, sua Madame Bovary tem o ímpeto erótico, porém intimamente ligado a princípios filosóficos. Ela comemora nua com sua criança no colo por ter um amante, aliás fala em francês com seus amantes russos, num tipo de excentricidade que tanto pode ser da personagem, quanto da própria criação de Sokurov.

Se cada um está obstinado na vida há alguma coisa que fugirá completamente de seu livre-arbítrio, o dela é a insaciedade sexual. Naquele que deve ser o filme mais libidinoso de Sokurov, o corpo que desfila nu por quase todo o filme, enquanto pede o ato sexual com uma grande variedade de parceiros, sofre na carne por outras questões que essa saciedade impõe. Em sua interminável duração, Sokurov segue a aproximar seus flames a quadros, jamais vulgariza a exposição dos corpos, mas, sobretudo, cansa com seu vislumbre da heroína sofredora.

Madame Bovary (1991 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O escritor Gustave Flaubert foi perseguido à época do lançamento de seu livro por ser considerado de conteúdo altamente imoral, desde então, várias foram as adaptações ao cinema. Claude Chabrol filmou uma das mais célebres visões da esposa entediada, durante o século XIX, entre infidelidades e luxúrias buscando a felicidade.

Emma Bovary (Isabelle Huppert) vive o dilema constantemente entre o tédio e o desejo, o casamento se torna um fardo, as boas intenções do marido em agradar acabam sempre frustradas. Insatisfeita, volúvel, triste, e com todo o conforto que a nova burguesia pode lhe oferecer, Bovary busca seus prazeres em bailes, em vestidos finos, e nos galanteios dos homens.

Emma acaba sucumbindo aos seus próprios erros na importuna tentativa de se realizar, a filha de camponeses descobre a vida de romantismo e luxúria, o céu e o inferno, a ingenuidade e a altivez levando-a ao funesto. Chabrol mantem indiferença à personagem, filma o essencial, por mais que traga o sufocante, a angústia de alguém liberando seus instintos. Madame Bovary parece deslocar o aborrecimento a tudo, mais cedo ou mais tarde. Seus amantes trazem jovialidade, sua filha é um aposto, mera boneca para apresentar às visitas.