Posts com Tag ‘Guy Peace’

quandoteconheciEquals (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Romances futuristas são um tema que vem sido explorado em alguns filmes, mas os resultados são bastante questionáveis. A Ilha ou Não Me Deixe Jamais, e até mesmo um dos episódios da série Black Mirror, são alguns desses exemplos recentes, que naufragaram na tentativa de enxergar um futuro em que a humanidade viveria ludibriada por seus líderes, vivendo a vida entre ser um robô e gado. E em todos estes filmes, o amor é colocado como objeto da discórdia, da não-aceitação.

Foi a vez de Drake Doremus se aventurar, após o sucesso indie Like Crazy, que o colocou em destaque. E, tal qual os demais trabalhos do subgênero, seu filme peca pela excessiva preocupação com a frieza mecânica, em explicar apenas os mecanismos da nova sobrevivência social. São todos roteiros diferentes, mas quase filmes irmãos, como se houvesse uma convenção desse subgênero com regras claras e bem estipuladas (tons brancos por todos os lados, diálogos sem emoção, a revolta sentimental). Silas (Nicholas Hoult) e Nia (Kristen Stewart) são o casal às escondidas, que colocam em xeque o establishment para lutar pela sobrevivência de seus sentimentos. Quase sempre são filmes com final amargo, mas mesmo que eles tenham finais felizes, estão sempre presos dentro de uma estrutura que camufla qualquer assinatura autoral, gélidos como seus filmes-irmãos.

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amnesiaMemento (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Essa segunda experiência do diretor Christopher Nolan não poderia causar maior impacto. Com narrativa moderna e edição ágil, o roteiro enche a cabeça do público de alternativas e novas pistas, embaralha as informações com inteligência admirável até desembocar num final enigmático. Um personagem sofrendo com falta de memória recente, porém sedento por vingança, a narrativa contada do fim para o início, criando assim questionamentos sobre as razões dessa sede. Dessa forma, Nolan cria uma das fitas mais eficientes e sufocantes dos últimos anos.

Contar detalhes seria estragar a surpresa, mas o início já é instigante com Leonard (Guy Peace) tirando uma foto, que mostra muito sangue espalhado, e logo depois entendemos que ele havia cometido assassinato. Vale destacar a forma como Leonard mantem-se focado, ainda que com os problemas de memória. Tudo deve ser anotado, fotografado, ou fotos e até tatuado para que não esqueça dos fatos. Enquanto que ao público, descobrir o passado tornasse muito mais interessante do que saber o futuro.

Carrie-Ann Moss derrama charme em cada cena, enquanto Guy Pearce nos prende com seu drama pessoal e suas dificuldades curiosas. Seu personagem é, no mínimo, intrigante. Mas, nem tudo são flores, para variar, o título nacional é um grande erro, já que não se trata de amnésia, nem aqui, e nem na China.