Posts com Tag ‘Guy Pearce’

resultadosResults (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Depois sólida carreira pelo cinema indie americano, Andrew Bujalski em seu primeiro filme com atores renomados. E é pelo excesso de criatividade que seu filme se dissolve. Os cacoetes clichês dos filmes de Sundance aportam aqui, dessa vez, com personagens loser por excelência, tratados de maneira fofa. Mas, o problema maior é roteiro bagunçado que nem consegue brincar com as filosofias de vida pregadas pelo instrutor Trevor (Guy Pearce), e muito menos soa interessante no triângulo amoroso que se desenha. Discussões blasè que tentam mirar no romântico (Cobie Smulders bem histérica) e resoluções sexuais apresentadas de forma tão atrasadas complementam essa miscelânea mal capitaneada por Bujalski.

 

 

theroverThe Rover (2014 – AUS) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O novo ícone do cinema australiano, o cineasta David Michôd, adora essa desconstrução da unidade, a manutenção da paz social. Seu filme anterior era sobre uma família fragmentada, de marginais. O novo vai ainda mais longe, cria uma Austrália que sofreu um colapso (econômico? Natural?), e 10 anos depois as pessoas sobrevivem como animais, com armas nas mãos e dólares americanos como moeda de troca.

Nesse mundo apocalíptico de sobrevivência três homens roubam um carro de Eric (Guy Pearce), que simplesmente parte atrás deles, pelas estradas australianas. Michôd apresenta personagens em decomposição, seja pelo calor, ou pela nova ordem social. No caminho encontra Rey (Robert Pattison), irmão de um dos que roubaram o carro.

Nitidamente há naquele carro algo de valor a Eric, Michôd não está muito preocupado com muitas histórias e detalhes, seu filme é um road movie de perseguição e de personagens suados e maltrapilhos, que apenas sobrevivem, sabe-se lá como e até quando. Michôd tenta se impor pelo estilo, pela câmera que filma a estrada ou o suor que escorre e se mistura a sangue, enquanto os disparos massacram. Michôd ainda tem um longo caminho a percorrer, sob seus filmes pesa uma urgência que o todo ainda não foi capaz de traduzir, ainda assim impressiona sua capacidade de movimentar a indústria australiana de cinema.

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Iron Man 3 (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O fascinio, que virou febre, permanecerá intacto. Já se espera a próxima aventura com a presença de Tony Stark (Robert Downey Jr). Enquanto houver explosões e esse ego inflado e divertido, o público estará presente. Mais neurótico do que nunca, Stark recomeça com um flashback, mas antes ele se mostra realizado com seu relacionamento com Potts (Gwyneth Paltrow), e ainda mais obcecado por suas armarduras e tecnologias. Mas, acima de tudo um neurótico.

A presença de Shane Black (roteirista de filmes de ação como Máquina Mortífera), como diretor e roteirista, trouxe vilões bem mais interessantes (Ben Kingsley e Guy Pearce), e o terrorismo como mote central. Mas veio também uma versão MacGyver do Stark. As pretensões do personagem são trocadas pelas pretensões do próprio filme, tudo está cada vez mais faraônico, e quando procura algo mais “palpável” o transforma nesse clipe atualizado do velho seriado dos anos 80.

homemdeferro3_2É a sequência da farofa de Os Vingadores, aliás o filme não se cansa de citá-lo (até cansa), com os ingredientes básicos para manter a franquia viva, em alta, causando furor com as filas nas salas de cinema. Por mais que abuse de soluções fáceis, os minutos finais são ainda mais contundentes nisso, o fascínio causado por Tony Stark camufla os problemas.

Lawless (2012 – EUA)

A adaptação do livro The Wettest County in the World (de Matt Bondurant), dirigida por John Hillcoat vem cheia de violência e sangue escorrendo. Pode parecer antagônico, mas peca no classicismo narrativo dos filmes da época de Al Capone e a Lei Seca. A violência crua, ao invés de romântica de alguns filmes do gênero, é pouco para dissociá-lo de mais uma história de gangsteres, policiais corruptos e disputas de poder. Além da presença de mulheres passivas e algum herói em atos heroicos inesperados.

Hillcoat não consegue ir além da máxima de mocinhos e vilões, por mais que todos sigam e vivam sob suas próprias leis. Emprega ritmo arrastado, o filme se arrasta na disputa entre o corrupto (Guy Pearce) e os irmãos durões (Tom Hardy, Shia LaBeouf e Jason Clarke), enquanto a elogiada fotografia parece limpinha demais, e as relações amorosas-pessoais variam entre o passivo e o bobinho.

E quando chegam os momentos mais eloquentes, as grandes disputas entre mocinhos (vilões) e vilões, sobra exagero e ressurreição. No começo a história se apresenta como baseada em fatos reais, o que não precisava era parecerem tão super-heróis assim.

Prometheus (2012 – EUA)  

Depois de mais de 30 anos e uma saga de 4 filmes, Ridley Scott (que dirigiu apenas o primeiro) volta aos extra-terrestres cheios de gosmas e loucos para aniquilar com os humanos. Dessa vez ele traz um prelúdio, fatos que vieram antes do famoso Alien. O filme começa uma espécie de “teoria” de que os extra-terrestres criaram os humanos e tornaram o planeta Terra habitável. Uma expedição embarca na nave Prometheus em busca de respostas.

Estamos diante dos questionamentos filosóficos sobre a origem da vida (o filme também toca muito no tema sexo e maternidade), se bem que a balela “intelectual” fica guardada aos que desejem realmente mergulhar nas teorias. Scott está mesmo interessado em abrir mil portas que o filme não as feche, e assim, obter espaço para novas continuações. O clima de suspense que foi o diferencial de Alien volta a funcionar muito bem aqui, por mais que se possa ter milhões de perguntas a respeito (como, por exemplo, porque com tanto lugar naquele planeta para se conhecer eles foram parar exatamente naquela “caverna”?).

De fato, a primeira metade é bastante interessante, as pequenas descobertas, o medo pelo desconhecido, a curiosidade, Ridley Scott deixa o público no ponto certo, sedento por saber o que é aquele líquido preto ou quando apareceram os primeiros seres vivos naquele lugar? Logo a seguir tem início a fase de filme de ação, e nesse ponto, por mais que as cenas de apuro técnico sejam impecáveis, voltamos a cair na vala comum dos filmes de salvação do mundo. Personagens mal-desenvolvidos (o capitalismo de alguns deles é algo, no mínimo, desnecessário), uma nova heroína (Noomi Rapace) de lingerie, e cenas de uma maratona física que atletas de decathlon não sobreviveriam (se bem que a cena da cirurgia é sensacional).

Quando o filme mergulha no desconhecido, na mística, sempre que há conteúdo, o caldo da sopa fica bem mais apetitoso.  Quando ele está apenas reciclando ideias velhas (suas ou de outros filmes, de 2001 a Independence Day), não passa de entretenimento puro e simples como qualquer outro filme menos grandioso. Michael Fassbender, o ator do momento, já que ele está em todas, interpreta um não-humano, na fase final do filme ele guarda uma interpretação inusitada, se antes ele já abusava com uma interpretação-homenagem a Peter O`Toole (citações de Lawrence das Arábias), dali em diante temos um a prova de um ator que pode trabalhar com “poucos recursos”.

Seeking Justice (2011 – EUA)

Chamar de caça-níquel não é correto. Afinal, é possível identificar algumas razões que ligaram alguns nomes ao projeto. A estonteante January Jones, por exemplo, que trilhar carreira no cinema, e um filme de ação, com astros, é caminho mais que conhecido por loiras de Hollywood. Guy Pearce (que está muito bem) é aquele ator que teve suas chances, tem talento e não estourou, por isso, seguir para o lado dos vilões é boa oportunidade. Já Nicolas Cage, bom, esse ninguém explica, ou o cara gosta de estar em qualquer set, ou é alucinado por dinheiro e topa tudo, ou então, brinca de uni-duni-tê para escolher roteiros. Seu critério é a falta de critério.

Sob a direção de Roger Donaldson, esse thriller (que tem ritmo narrativo, temos que concordar) sai à caça de todos os clichês do gênero, aqueles bem fuleiros. A impressão é de que Donaldson acreditava ser capaz de juntar uma enormidade de coisas ruins e realizar algo bom. Não foi capaz. Excesso de foco em pequenos objetos que depois serão imprescindíveis, surpresinhas de personagens, e aquelas cenas de ação inverossímeis que ninguém mais consegue levar a sério. O pretexto até que não parecia tão ridículo, dura é sua execução, um grupo de justiceiros que faz o servicinho sujo quando você quer vingança, e depois você fica devendo uma a eles. “Coelho faminto salta”, e você quer sair correndo antes de esse filme-bomba exploda.

lacidadeproibidaLA Confidential (1997 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Encantador esse filme policial, à moda antiga, dirigido por Curtis Hanson. Seu resgate ao cinema noir, com roteiro brilhante (baseando em romance de James Ellroy) e elenco competente são a fórmula infalível para a trama ambientada na década de cinqüenta nos EUA. Com direito a corrupção da polícia, prostituição de luxo, contrabando de drogas e disputas de gângsteres.

Bud White (Russel Crowe) é o policial durão e truculento que coloca medo em todo mundo. O jovem, e ambicioso, Ed Exley (Guy Pearce) faz o estilo inteligente e que segue as leis à risca, mesmo que seja necessário dedurar  companheiros que não seguem as leis. Há ainda o policial popstar, Jack Vincennes (Kevin Spacey), que adora as manchetes de jornal e o jornalista Sid Hudgens (Danny DeVito) que vende a alma por um furo. Na noite de Natal, os policiais fazem uma festinha na delegacia, e após beber um pouco, decidem tirar satisfações com alguns presos suspeitos de terem agredido companheiros da corporação.

O resultado da bebedeira é um massacre aos presos, que acaba sendo flagrado pela imprensa. A noticia cai como uma bomba, a reviravolta no departamento é inevitável. Um dos bodes expiatórios é o parceiro de White, que dias depois morre numa chacina. Toda a força policia volta-se para o caso, que será liderado por Exley e White, e juntos ajudam a ruir um castelo de cartas de esquemas descobertos, policias corruptos desmascarados, forte esquema de prostituição (destaque para prostituta interpretada por Kim Bassinger, que se veste como Veronika Lake) e assassinatos para queima de testemunhas. Hanson é sagaz, e o roteiro também, em construir os protagonistas e coloca-los sob pressão, em obrigá-los a ir além de sua “ética” pelos fins necessários. Enquanto isso o filme hipnotiza com charme e elegância, seja pela direção de arte precisa, seja pelo clima esfumaçante entre tantas intrigas e reviravoltas, na cidade onde o glamour esconde as verdades podres.