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O Ídolo

Publicado: outubro 26, 2016 em Cinema, Mostra SP
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oidoloYa Tayr el Trayer (The Idol, 2016 – PAL/RU/HOL) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Hany Abu-Assad já ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro (Paradise Now), e mais recentemente foi premiado na Un Certain Regard com o romance entre fronteiras palestinas (Omar). Dessa vez ataca num tema, e filme, de apelo bem popular: Arab Idol. É baseado na história verídica de um participante do reality show musical, mostrando desde a infância de Mohammed Assaf (Tawfeek Barhom) a sua vida de cantor de casamentos. Vivendo nos territórios dominados da Faixa de Gaza, o filme resgata o sonho infantil de criar uma banda, a relação com a irmã com problemas nos ruins, e todo o esforço para conseguir realizar o sonho de participar do Arab Idol.

Menos interessado no clima dramático do reality show em si, e mais focado nos elementos de melodrama que a história de Assaf oferece, Abu-Assad opta por se dividir entre o apelo popular e ficar em cima do muro. Pouco se aproveita do humor genuíno que o personagem poderia oferecer, ou até da veia romântica possível. Usa de tudo, mas parece especialmente interessado em apresentar formas de transpor as barreiras que separam os territórios, (como no caso do seu outro filme Omar) dessa vez num quê de aventura e superação.

OmarOmar (2013 – PAL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É outra história de jovens palestinos se envolvendo com grupos rebeldes contra Israel. Porém, Hany Abu-Assad traz esse tem dos conflitos, da luta armada, para dentro do lar dos palestinos. Invade as casas, lida com as amizades desde crianças, e principalmente com o amor que aflora da juventude.

Os três amigos são Tarek (Iyad Hoorani), Omar (Adam Bakri) e Amjad (Samer Bisharat), Omar precisa pular um imenso muro para evitar os controles de fronteira e poder se reunir com eles, além de flertar com a irmã de Tarek, Nadia (Leem Lubany).

Enquanto Abu-Assad trata do encantador romance (a cena na ponta dos pés é linda), a vida política dos jovens segue em paralelo. Omar não parece ser um nacionalista fervoroso, parece entrar no movimento para estar próximo de Nadia. A história se complica com tantas atenuantes, o romance vira um drama doloroso, Abu-Assad dosa o peso das responsabilidades, o caráter de cada personagem, e a presença militar transformando presos em informantes. Omar é um personagem cheio camadas, complexo, dono de um forte apelo moral, e um amor desproporcional à vida de guerrilha, de uma bondade que o mundo contemporâneo não quer acreditar.

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• Entrevista com o cineasta palestino Hany Abu-Assad, que já foi indicado ao Oscar com Paradise Now, e novamente está entre na disputa para filme estrangeiro com Omar [Slant Magazine]

• Livro, Gabinete de curiosidades, sobre o universo de Guillermo Del Toro [El País]

paradisenowParadise Now (2005 – PAL/HOL/ALE/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O que se passa na cabeça de um homem-bomba? Qual a chave para se entender o fanatismo religioso, capaz de levar alguém a explodir seu próprio corpo, num atentando a um restaurante, ou outro local qualquer? Se alguém esperava por essas respostas, por explicações, não irá encontrá-las. Muito longe de ser definitivo, e didático, o filme é sobre a fictícia vida de Said (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman), ou mais precisamente, sobre as últimas horas da dupla, antes de realizarem o grande feito. Os mistérios que cercam essas mentes (lavagem cerebral?) são incompreensíveis dentro das crenças mais “ocidentais”.

Khaled e Said trabalham numa precária oficina mecânica, até que são informados que foram escolhidos para executar um atentado. Não há hesitação. Esperavam há tempos por esse chamado. Acompanhamos a última noite dos dois, e os preparativos na manha do dia seguinte, em atividades como gravar um discurso empunhando uma metralhador,a e a colocação das bombas pelo corpo.

O filme ainda tenta discutir que há outros meios para se lutar pela liberdade, que mortes apenas trarão outras mortes e etc. Esse discurso é inserido por Suha (Lubna Azabal), uma garota apaixonada por Said que morou na França muitos anos. É a forma como o diretor Hany Abu-Assad insere sua mensagem como quem quer dizer: vocês ficam ai lutando, e só os que saem dessa panela de pressão percebem que lutam errado pela causa certa. O caminho certo talvez ninguém saiba, mas os créditos finais, em silêncio, fazem o público sair quieto e pensativo. O final causa impacto.