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Manglerhorn (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A carreira do cineasta David Gordon Green começou muito bem, até se tornar essa fotografia esquizofrênica, quando se olha para o todo. Seus primeiros filmes realizados como de um discípulo de Terrence Malick, marcaram uma coesa visão sobre o americano médio sulista (seus dois mais celebrados filmes são George Washington e Contracorrente), cinema indie americano que escapava da cartilha Sundance (exceção apenas em Prova de Amor). Depois de fincar seu nome num caminho solidificado, partiu para as comédias no estilo Judd Apatow, como Segurando as Pontas.

Sua filmografia virou de ponta cabeça, e, por algum motivo, após algumas dessas comédias tolas, Gordon Green decidiu retomar de onde havia parado. Vieram Prince Avalanche e Joe (o mais próximo de chupinhar Malick que o diretor chegou), e a clara demonstração que quanto mais tenta, mais se afasta no caminho que trilhava no início da carreira.

Seu novo filme foi escrito para Al Pacino, após um encontro casual entre os dois, onde Gordon Green questinou se o ator não aceitaria trabalhar com ele. Al Pacino é outro que envelheceu e continua tentando, não tem medo de arriscar, topa papéis pequenos que possam trazer sua carreira a uma redenção (não que fosse necessário para o todo, mas ao presente sim). E juntos contam a história desse homem amargurado, que escreve cartas (que não chegam a ela) ao amor da juventude, enquanto vive em pé de guerra com o filho, e tenta demonstrar carinho à neta.

A obviedade do roteiro, aliado ao tom melancólico modorrento, transformam Manglehorn no exemplo perfeito dessa fase de retomada de Gordon Green. Alguem que segue tentando reconstruir o que perdeu, por suas próprias escolhas, e quanto mais tentativas, mais se distância doque seria reconfortante. Gordon Green cada vez mais sombra de um cinesta promissor de outrora.

O cineasta Harmony Korine tem seu prestígio, mas pelo que deu para apurar de ‘Spring Breakers’ (semana do saco cheio?), esse prestígio continua inexplicável. Biquinis, bundas, mulheres nuas, quatro garotas adolescentes (Selena Gomez e Vanessa Hudgens encabeçam o elenco) realizando um assalto só para curtir. Festas, drogas e traficantes (James Franco), a busca da polêmica pelo chocar.

Críticas: The TelegraphThe PlaylistStandard

Termômetro: passar longe

Mas o dia foi mesmo do veterano italiano. Partindo de três casos reais, o diretor italiano Marco Bellocchio apresenta em ‘Bella Addormentata’ o polêmico tema da eutanásia, ainda mais na Itália católica-fervorosa. Da fé e amor, até meandros políticos dos direitos de encerrar a vida de quem “já não vive”. Outro filme entrando para a turma dos favoritos aos prêmios após tamanhos elogios.

Críticas: CineuropaHollywood ReporterEl País

Termômetro: quero ver