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As Good As it Gets (1997 – EUA) 

Tem um quê de comédia romântica que define o gênero em sua década. A cada nova revisão, nova paixão, pela forma, como o diretor James L. Brooks, conduz a transformação de um personagem tão solitário, egocêntrico e ranzinza, incapaz de ser gentil ou fazer um elogio, num homem apaixonado, claro que a sua maneira. Esse é Melvin (Jack Nicholson), o escritor de sucesso, e uma personalidade das mais problemáticas. Cheio de manias, como travar e destravar cinco vezes a porta, ou almoçar, todo dia, na mesma cadeira, do mesmo restaurante, e ser atendido pela mesma garçonete, Carol (Helen Hunt). Exemplos de alguns excentricidades, de alguém, com conforto financeiro, e a arrogância como arma de defesa, contra o convício social. Quando alguma situação foge de sua rotina, impera nele o descontrole, como a de um garoto mimado.

O contraponto a todo o alívio cômico do personagem central é mesmo a garçonete. Explosiva, carente que alguém que lhe dê alguma atenção es especial, e repleta de problemas pessoais. Desse caos que, naturalmente, ela é capaz de descongelar o coração espinhoso do escritor rabugento, até por ter a coragem de falar não e impor limites às extravagâncias sociais del. É Helen Hunt quem dá as deixas para Jack Nicholson ser engraçado, cativante, irritante ou, até mesmo doce. E também que permite a Greg Kinnear (o vizinho gay) a surgir como essa revelação inesquecível. O público ri do rude, mas é cativado pelas possibilidades de transformações, pela quebra de limites pessoais, e pelo esforço de transgredir essas barreiras psicológicas, em prol de uma mudança, que possa resultar no dar e receber amor. Sensível e divertido, é James L. Brooks na dose certa.

feiticodotempoGroundhog Day (1993 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine se, todas as manhas, ao acordar, voltássemos ao dia anterior. E tudo ocorresse sempre da mesma maneira, a música do rádio, a temperatura, as pessoas andando na rua exatamente no mesmo horário, os mesmos gestos. Como se você fosse o centro das atenções e o nunca capaz de alterar destinos e comportamentos, tirar do padrão. Não se trata de uma ficção cientifica, e sim uma comédia provocando o protagonista mal humorado, uma espécie de castigo no lugar que ele mais odeia.

O repórter de meteorologia Phil Connors (Bill Murray) todos os anos é escalado para cobrir o Festival da Marmota, que ocorre numa pequena cidade, no início do inverno, e tem muito a haver com o clima e com a continuação do inverno. Phil odeia o lugar. A festa, as pessoas, a marmota, e tudo o que se possa imaginar, e como todos os anos, lá está ele novamente, com uma equipe enxuta: o câmera (Chris Elliott) e a nova produtora Rita (Andie MacDowell). Logo após o fim dos trabalhos, uma nevasca os impede de partir da cidade. Começa o martírio de Phil, como por encanto, ao acordar no outro dia a música no rádio é a mesma de ontem. O homem da escada puxa o mesmo papo, a senhora no café pergunta as mesmas coisas, e Phil percebe que o festival est começando novamente. O dia de ontem havia voltado.

No meio desse dia após dia, de repetição, Phil se apaixona por Rita, que não tolera sua arrogância e egocentrismo. Comédia romântica onde o diretor Harold Ramis permite a Bill Murray brilhar. Seu sorriso sarcástico, o olhar espantado, o romântico agridoce escondido por tamanha petulância. O tempo tornou o filme despretensioso em clássico dos anos noventa.