Posts com Tag ‘Hermila Guedes’

eraumavezeuveronicaEra uma Vez Eu, Verônica (2012)

Verônica come, chora, transa, trabalha, bebe com as amigas, fala com seu gravador. Médica recém-formada, busca tratamento à sua própria alma. Não brilha, não vive a felicidade, não ama. Marcelo Gomes não consegue ir além de um O Céu de Suely 2, sem inspiração. O que havia de vibrante naquele filme, aqui soa como melancolia explícita. O vazio da alma representa o, praticamente, vazio do filme, como o apartamento que sofre com vazamento e não há quem conserte. Abre e fecha com uma sequencia de orgia na praia, uma espécie de libertação para quem vive tão presa entre a falta de respostas e a ausencia de alegria no viver.

Anúncios

Francisco Brennand (2012)

Partindo dos quarenta anos de diários (narrados por Hermila Guedes, os textos quase tentam transformá-lo num artista plural, chamuscado em exagero) escritos pelo tio-avó Francisco Brennand, a cineasta Mariana Brennand Fortes traz à tona a vida do pintor e artista plástico. Francisco é mais conhecido por seus trabalhos em cerâmica, vivendo numa pequena olaria no interior de Pernambuco.

Se mergulhar na vida e obra do artista, não chega a ser fascinante, sua visão sobre seus trabalhos (pintoras de cunho erótico) e sua disposição para falar sobre métodos e visão de construção artística trazem a simplicidade de um sujeito ativo, vivaz. Por outro lado, falta confronto, aquele quê de questionamento, o material soa por mais chapa-branca, um reverenciar querido.

COTAÇÃO:estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

baixiodasbestasBaixio das Bestas (2007) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

As diversas vertentes do tema sexo, discutindo seus comportamentos na Zona da Mata de Pernambuco (e porque não expandir para as diversas zonas predominantemente rurais brasileiras). O filme de Cláudio Assis exagera na dose de violência e perversão (não que esteja mentindo), mas o desejo de chocar parece o único mecanismo que o cineasta encontrou para prosseguir com seu tema, e se fazer entender.

O mundo transpira sexo, começando pelos filhinhos mimados de fazendeiros que estudam na capital e barbarizam nos finais de semana, com os carros dos pais pela cidadela. Mergulhados em álcool e drogas, atravessando madrugadas em orgias por bordéis. Passando pelo puritanismo hipócrita do velho sustentado pelo trabalho de lavadeira da neta adolescente, e que a noite exibe a menina nua aos caminhoneiros de passagem pela cidade (de tudo que será visto, nada mais indigesto e repugnante do que esse conjunto de cenas).

Um filme irmão de seu antecessor, só que com menor contundência, e algum desperdiço de talentos (Hermila Guedes é o melhor exemplo, por outro lado Caio Blat, Matheus Nachtergaele e Dira Paes estão bem como sempre) aqui e ali debruçados em uma gratuidade nas cenas. Os homens vivem para a cachaça, as mulheres para a submissão, e o destino imperdoável a quase todos eles. Assis não nos oferece reflexão, seu filme é novamente cru e direto, a fotografia oferece sensação de lama, de logo, é nesse antro que vive essa gente, assolada por seus costumes antiquados, desumanos, egocêntricos, sexuais.