Posts com Tag ‘Hilary Swank’

dividadehonraThe Homesman (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Novamente presente em Cannes, as lembranças da estreia na direção de Tommy Lee Jones são animadoras, novamente com um faroeste. Mas, se seu filme anterior era duro, seco e próspero, neste novo trabalho prevalece o tradicionalismo (com pitadsa leves de humor carrancudo), além de um espaço para o próprio ator-diretor brilhar.

Três mulheres “enlouqueceram” num pequeno vilarejo em Nebraska, algo em torno de 1850. Alguém precisa cruzar o deserto para levá-las para tratamento. A única que encara a missão é uma solteirona durona (Hilary Swank), que recruta um “vagabundo” (Tommy Lee Jones) para ajudá-la. Por mais que haja outros nomes de destaque, o filme não consegue desenvolver outros personagens que não a dupla central. Focado principalmente nas discussões entre dois turrões, enquanto a fotografia de Rodrigo Pietro tenta dar dimensões da aridez do local. O road movie é demais focado nessa relação “conturbada”, Lee Jones presta a retomada da narrativa tracional de faroestes, com doses de dramas e justiças, bem longe da sensibilidade inesperada que Três Enterros apresentara.

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Menina de Ouro

Publicado: fevereiro 14, 2005 em Cinema
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meninadeouroMillion Dollar Baby (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Comentar sobre Menina de Ouro é de um perigo traiçoeiro. Qualquer informação pode dar pistas que estragarão o impacto das cenas, a surpresa é essencial. O filme boxeia com o público o tempo todo. Em seu início, aplica alguns jabs e outros golpes duros, depois lentamente insiste em socos na altura do fígado tentando minar a resistência, até partir, nos momentos finais, na busca do definitivo nocaute. É uma metáfora clichê, afinal a trama se cerca do mundo do boxe, mas Clint Eastwood não deixa de transformar a narrativa num grande ringue.

A nova fase na carreira do cineasta vem marcada por personagens humanos, cercados por dores incuráveis e feridas não-cicatrizáveis. A morte, ou o medo dela, são temas constantes. No filme, o treinador de boxe (Frankie Dunn – o próprio Clint) insiste que o primordial é proteger-se, mas fala isso de maneira genérica, não se refere exclusivamente aos ringues. Ele pede a seus pupilos que se protejam como quem diz: “sejam espertos, estejam sempre de olhos abertos”.

Dunn vive amargurado, há muito não se relaciona com a filha, carrega a culpa nas visitas diárias à Igreja. Questionar dogmas e crenças traz alívio momentâneo, apenas momentâneo. Scrap (Morgan Freeman) é o fio narrativo da história, o boxeador aposentado que auxilia Dunn na academia é mais que um colega. Por conhecê-lo tão bem é o único que consegue manter diálogos de cunho pessoal, que sabe falar as coisas na hora certa.

Maggie (Hilary Swank) trabalha como garçonete, pretende ajudar a família no interior, mas passa fome. Dona de uma boa pegada de esquerda e de uma garra muito maior que o seu franzino físico, ela sonha com sucesso no boxe, seu objetivo é ser treinada por Dunn e a teimosia é sua arma para convencê-lo.

Mais do que um filme sobre boxe, Menina de Ouro constitui uma competente trama sobre a amizade sob qualquer condição. Até que grau a afetividade e a cumplicidade podem ser atingidas num relacionamento. Clint está novamente adaptando um livro (neste caso foi em um dos contos de Rope Burns: Stories from the Cornier de F. X. Toole), mas nota-se algo de autoral em cada movimento, em cada ponto do drama denso, duro até o extremo.

A fotografia acinzentada, a trilha sonora (composto pelo diretor) que acentua os momentos mais dolorosos, as atuações impecáveis, realmente impecáveis. Menina de Ouro é de tirar a respiração. Clint sabe disso, e para criar ênfase, coloca uma câmera lenta aqui, tira uma lágrima ali, até exagera um pouquinho em alguns momento – como no desnecessário e ridículo personagem Danger. Mas, nada que diminua o poder de sua obra, tanto pelo prisma dramático, quanto a crítica à sociedade americana. O filme é de uma nota só, segue o mesmo ritmo, o mesmo batimento cardíaco e desmonta o público em seu final.

insoniaInsomnia (2002 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Muitas expectativas, razoavelmente frustradas,  após o enorme sucesso do trabalho anterior do diretor Christopher Nolan. O remake desse thriller norueguês não apresenta nada tão “inventivo” (Amnésia tinha um formato diferente, narrado do presente para o passado). O plot mantem toda sua base no dúbio, cria elementos para intensificar essa dualidade, mas mora no lugar comum dos filmes do gênero.

Uma jovem foi assassinada no Alasca. Para resolver o caso, chega o lendário policial de Los Angeles, Will Dormer (Al Pacino), que junto de seu parceiro Hap Eckart (Martin Donovan) enfrentam investigação da corregedoria. Hap está prestes a fazer um acordo, em troca de divulgar informações. Por isso, todos os casos da dupla foram reabertos, e os presos libertados aguardando novo julgamento.

No Alasca, são recepcionados pela detetive Ellie Burr (Hilary Swank), fã inveterada do trabalho de Will. O filme realmente começa quando Hap morre no meio de uma perseguição na neblina, e o suspeito (Robin Williams) passa a chantagear Will (que teria interesse na morte do parceiro). A insônia causada pelas noites do Alasca, o sol não se põe, e a pressão sob seus ombros entre sua carreira e a prisão do criminoso, as acusações de ter assassinato o parceiro, entre o stress e a dualidade que Nolan constrói a atmosfera de seu filme.