Posts com Tag ‘Hong Sang-soo’

yourselfandyoursDangsinjasingwa dangsinui geot / Yourself and Yours (2016 – COR) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O novo filme de Hong Sang-soo, presente na última edição do Festival de San Sebastián e escolhido melhor direção na mostra principal) traz uma das obsessões do cineasta para tema central da trama. Seus personagens continuam se encontrando em restaurantes e bebendo Soju enquanto falam da vida e vivem encontros e desencontros amorosos. Só que, dessa vez, o álcool também é um problema particular, a ponto de um casal de namorados discutir, impor limites a quantidade que ela poderia consumir, e até colocar fim ao relacionamento pelos excessos.

Sang-soo começa a brincadeira quando não sabemos bem se a personagem central tem uma irmã gêmea, sofre de amnésia alcoólica, ou simplesmente é dissimulada. E o filme brinca com essa possibilidades enquanto a moça encontra diferentes homens no bar, afirma não conhece-los, causa paixões e irritações. É um argumento meio ingênuo, mas não deixa de manter o ritmo prazeroso dos diálogos de seus filmes e desenvolver situações cômica, românticas ou dramáticas. Enquanto isso, o ex-namorado vive o sofrimento da perda, até o reencontro e acerto de contas, numa da cenas finais mais simples e bonitas do cinema de Sang-soo.

certoagoraerradoantesJigeumeun matgo geuttaeneun teullida / Right Now, Wrong Then (2015 – COR) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A proposta de cinema de Hong Sang-soo permanece inerte, e essa a magia que o mantém em destaque nos festivais de cinema e com sua pequena legião de fãs. Seu cardápio é de uma pizza coreana, meia Woody Allen e meia Eric Rohmer. Os filmes, praticamente os mesmos, quem não é grande fã mal consegue diferenciá-los pela memória, se não recorrer a imagens e sinopses. Este novo trabalho foi o grande vencedor do prestigiado Festival de Locarno, e mantém a escrita do naturalismo, do personagem central diretor de cinema, das bebedeiras com Soju e os romances meio atabalhoados.

Se já comprou a proposta de Sang-soo, pode se lambuzar com as duas versões da mesma história, a brincadeira de qual das duas estava Certa/Errada antes ou agora. O cineasta (Jung Jae-young) chega a cidade para uma apresentação de um filme seu, conhece uma jovem pintora (Kim Min-hee) num templo e passam o dia conversando. Não espere diálogos ultra-elaborados ou ricos como em Antes do Pôr-do-Sol, o roteiro está calcado na simplicidade da fragilidade emocional da garota, do desejo sexual do homem, e da passagem de tempo nada calculada entre eles. Lá pela metade, quando o relacionamento e o dia tem seu desfecho, a trama volta ao ponto de partida. As cenas se repetem, com pequenas variações, é a doce brincadeira de apontar como pequenos detalhes podem ser determinantes, e aquele relaciomanento segue outro rumo e desemboca num novo desfecho. A segunda versão da trama parece mais interessante, até pela riqueza de informações que contextualizam melhor os personagens. Certo ou errado, Sang-soo segue brincando com suas obsessões e vendendo propostas novas, que não são tão novidade assim.

montanhadaliberdadeJayuui Eondeok / Hill of Freedom (2015 – COR) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Todos que conhecem o cinema de Hong Sang-soo sabem que ele brinca com pequenas variações do mesmo todo. Resta ao público, identificar-se com essa brincadeirinha, ou receber com distanciamento por não comprar a ideia. Histórias de amor, pequenos jogos de encontros e desencontros, sempre envoltos com muitos cafés, restaurantes e bebedeiras. Algumas intrigas de amor, um quê de Eric Rohmer ou Ozu, e uma proximidade cada vez maior com Woody Allen.

As atuações continuam pecando pela artificialidade, os diálogos que não soam tão naturais. Ainda assim, é compreensível quem goste, e quem desgoste de seus trabalhos. Dessa vez um japonês vai a Seul atrás de sua amada, e passa dias esperando que ela retorne a casa dela. Enquanto espera, faz amizade com outros hospedes do hotel, e flerta com a dona de um pequeno café. São pequenas confusões humanas, tratadas de maneira dócil, e muitas vezes além do infantil.

avisitantefrancesaIn Another Country (2012 – COR) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Hong Sang-soo continua brincando de fazer o mesmo filme, e seu público fiel de adorar a eterna repetição. Dessa vez, o cineasta traz Isabelle Huppert, coloca um grupo de personagens numa pequena cidade praiana e brinca de trocar a maneira com que eles se encontram e se relacionam. São três histórias, muito parecidas, e tão diferentes. É um exercício interessante, uma brincadeira quase de teatro amador que tem atores e personagens definidos, mas ainda não encontrou a forma de contar sua história.

Chega um ponto que a aparição de cada ator já entrega os comportamentos, o que vem adiante, basta esperar como recomeça cada história para ter as respostas prematuras. A proposta de Sang-soo está nos diálogos, na maneira como se relacionam. Pois é exatamente nesse ponto onde o diretor mais parece tolo, com falas infantis ele acredita estar retratando a realidade, eu que não desejo conhecer esse tipo de pessoas que Sang-soo tenta resumir a humanidade.

Oki’s Movie

Publicado: outubro 20, 2011 em Uncategorized
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Oki-eui Younghwa / Oki’s Movie (2010 – COR)

Num dado momento o cineasta (um dos protagonistas do triangulo amoroso do filme) diz que gostaria que seus filmes fossem tão complexos quanto as pessoas. Assim solto pode parecer arrogante, mas dentro do contexto da filmografia de Hong Sangsoo enxergamos que ele apenas pega emprestado a fala de seu personagem para se expressar, afinal seus filmes são simples e almejam complexidade, sempre variações do mesmo tema. Numa outra cena o professor da faculdade (outro cateto desse triangulo) responde perguntas sobre a vida e o amor, novamente Sangsoo querendo dividir suas experiências, sua visão de mundo.

O filme se divide em quatro capítulos, basicamente capta três visões dessa história de amor entre uma garota, um homem mais novo e outro mais velho. Sangsoo é quase um Eric Rohmer sem sensualidade, nem romantismo, seus personagens estão sempre alcoolizados numa mesa de restaurante cheia de garrafas vazias de saque, diálogos tão céticos e naturalistas que beiram a artificialismo. E nesse vai-e-vem de ficção e inserções de Sangsoo, o capítulo final sob os olhos didáticos da garota, demonstram com simplicidade as comparações e as escolhas de um coração dividido.

 

Mulher na Praia

Publicado: setembro 9, 2011 em Uncategorized
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Haebyonui Yoin / Woman on the Beach (2006 – COR)

O celebrado cineasta Hong Sang-soo não faz minha cabeça, mesmo reconhecendo os fortes traços autorais que seu cinema evidencia. Comparado com Eric Rohmer, há realmente muito do cineasta francês, os filmes de Sang-soo são variações de um mesmo tema e estética. Há sempre um diretor de cinema, amigos conversando enquanto tomam saquê, uma cidade praiana ou na montanha onde se desenrola a trama e muita conversa (sempre focando nessas relações pessoais, em pequenos dramas amorosos, e claro, nos encontros/desencontros). Porém, esse naturalismo e a utilização eficiente da imagem (aproveitando-se perfeitamente do cenário, do clima bucólico praiano, de pequenos coadjuvantes que aparecem em cena), perdem-se em diálogos rohmerianos para adolescentes. Beijos assustados, conversinhas de lado, os personagens de trinta anos agem como se tivessem 12 anos numa colônia de férias, em pequenos romances e/ou triângulos amorosos, longe dos pais. No anseio de Sang-soo quer soar simples, pecada nessa simplicidade tornando protagonistas e coadjuvantes em bobocas, não basta ser simples para ser sublime e ainda corre-se o risco do ridículo (o que no caso desse filme, chega-se a esse resultado em algumas vezes como na mentira sobre que lado da praia os “pombinhos” estão, muito adolescente).

Hahaha

Publicado: setembro 19, 2010 em Cinema
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hahahaHahaha (2010 – COR) 

Tudo começa muito descontraído, causal, dois amigos encontram-se ao acaso e passam uma tarde conversando (principalmente lembrando a coincidente visita recente dos dois à Tongyeong. Brindando, sorrindo, o filme é formado de pequenos flashback’s, onde Hong Sang-soo narra duas visões diferentes da mesma história (incomoda a licença poética dos amigos no mesmo lugar, o tempo todo, com as mesmas pessoas e nunca se encontrarem).

Sang-soo busca as fragilidades humanas, e as encontra, são idas e vindas amorosas, paixões retumbantes de uma noite, flertes mal-feitos, situações constrangedoras, e aquele famoso jargão do “depois vamos rir disso”. Com diálogos pouco inspirados (como na vida real), e personagens comuns, quase nos sentimos na mesa partilhando risadas e contando nossas histórias.