Posts com Tag ‘Idris Elba’

A Grande Jogada

Publicado: fevereiro 21, 2018 em Cinema
Tags:, , ,

Molly’s Game (2017 – EUA) 

Narração em off acelerada, marcada no ritmo da trilha e das imagens. Um turbilhão de informações que o público tenta captar entre nomes, números, conexões da personagem e memórias da personagem. Isso, sem falar, nos embates de diálogos acelerados, bem no estilo de A Rede Social. É a estreia na direção de Aaron Sorkin, o roteirista de filmes como o citado de Fincher, ou o de Steve Jobs (do Danny Boyle). A eficiência de seus roteiros está agora explicita em sua direção. Seu estilo é informativo, altamente explicativo, e capaz de dar um perfil completo de personagens e fatos. Se isso é bom cinema, podemos discutir?

Jessica Chastain surge glamourosa na pele de uma mulher que movimentava milhões de dólares em jogos ilegais de poker com celebridades e figurões. Tenta se defender nos tribunais, enquanto enfrenta as sombras de um pai exigente e complicado (Kevin Costner). O filme é curioso e envolvente como narrativa, maçante com esse turbilhão de informações e desgastante com tamanha agilidade e eficiência. Era de se esperar de Aaron Sorkin.

beastsofnonationBeasts of no Nation (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Primeiro longa-metragem com produção da Netflix aterrissou como uma bomba no mundo cinematográfico. Escalado para seleção principal do Festival de Veneza, barrado de vários cinemas nos EUA pelas grandes redes (por discordarem do lançamento simultâneo on demand). Dirigido por Cary Fukunaga – que ficou mais famoso pela série True Detective, vem tentar expor a questão das guerras civis africanas. Funciona melhor no macro do que no micro. Quando são as cenas de luta, metralhadoras empunhadas por crianças (o que Cidade de Deus fez primeiro), inocentes fuzilados, e rebeldes energizados pelo consumo de cocaína e as palavras de um líder de regimento (Idris Elba), o filme parece tecnicamente impecável. Muita câmera na mão por entre trincheiras ou tiroteios em meio a civis, invasões de casas, bárbarie. Há vilões de todos os lados, militares, governo, rebeldes, expulsando a população de seus vilarejos, causando inferno na vida dos locais.

Já quando o filme se estabelece no micro, cai pelos clichês dos filmes dessa temática. Trilha intensificando o drama, e pelos olhos de um garoto Fukunaga tenta desvendar a perda da inocência por entre injustiças e brutalidades. A trama segue a história do garoto (Abraham Attah), cuja família é separada durante a guerra civil, alguns são executados, e ele termina sozinho, abrigando por um regimento militar de rebeldes. O filme é puritano em alguns dos pontos mais bárbaros, principalmente nos estupros coletivos que tanto são noticiados diariamente), prefere as cenas de ação que tem menor rejeição do público. Nessa irregularidade, Fukunaga equilibra sua história de terror, um tipo de horror que nem ganha tanto destaque quanto ganharia, e que talvez não tenha atenção massiva das grandes potências por falta de interesses econômicos na região.

vingadores2aeradeultronAvengers: Age of Ultron (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Passada a novidade do encontro dos heróis da Marvel, num mesmo filme, e das sequencias dos filmes individuais, chega a hora do novo encontro dos Vingadores, e surge uma pergunta: Até quando os filmes permanecerão tão iguais? Porque, se teremos uns três filmes por ano, dessa turma, há que se apresentar algo além, ou o público-pipoca se contenta com o humor característico e as expressões de efeito dos heróis diante dos vilões?

Criou-se um ciclo vicioso. O humor de Tony Stark (Robert Downey Jr) precisa estar presente nos demais heróis. O timing humorístico já não é o mesmo porque a fonte seca. Por isso, exceto as brincadeiras com o martelo do Thor (Chris Hemsworth), o rsto não funciona, mas passa batido dentro da farofada que Joss Whedon segue comandando.

O tema inteligência artificial parece a bola da vez em Hollywood. Primeiro foi o esquecível Chappie que retoma a ideia, e agora os Vingadores sofrem também com este advento (em breve teremos o novo Exterminador do Futuro). Ultron (James Spader) e Visão (Paul Bettany) são inserções interessantes ao mundo Marvel, porém ficam de escanteio, em detrimento as farpas trocadas entre Homem de Ferro e Cap. America (Chris Hemsworth), o romance complicado entre Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlet Johansson), ou a tentativa de dar protagonismo ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). A franquia parece mais preocupada em dar suporte aos próximos filmes, do que se estabelecer como um filme interessante. Prefere ser pura farofa.

Mandela

Publicado: fevereiro 11, 2014 em Cinema
Tags:, ,

Mandela movieMandela: Long Walk to Freedom (2013 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Talvez seja uma das poucas unanimidades entre as figuras mais importantes da história, o rosto simpático do velhinho Nelson Mandela está no imaginário de todos nós.  Como cinema, a adaptação de sua autobiografia, dirigida por Justin Chadwick nada tem de relevante. Seu tom de telefilme, seu ritmo narrativo básico, e os clichês dramáticos de sempre, foram as ferramentas utilizadas para narrar sua vida. Da infância até a chegada a presidência da África do Sul, com grande foco em sua vida universitária, o estudante de direito que participa ativamente dos protestos contra o apartheid.

Descobrir, ou relembrar, sua trajetória, é um pouco fascinante sim, por mais que o filme consiga desmerecer bastante por sua pobreza cinematográfica. Idris Elba é o encarregado de reviver Mandela, transmite a vitalidade da juventude e a sapiência da velhice. Tornando ainda mais evidente como Chadwick não é um grande contador de histórias, como um Clint Eastwood.

circulodefogoPacific Rim (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Guillermo Del Toro foi beber na fonte da séries de tv japonesas que fizeram sucesso nos anos 80, como Ultraman e Ultraseven, heróis-robôs lutando contra monstrengos, sempre salvando a humanidade. E como nessas séries, há uma divisão clara, de um lado as sequencia de ação, as lutas entre os robôs-gigantes (os Jaegers, pilotados por humanos) contra monstros que deixam o Godzilla pequeninho (Kaijus).

E essa divisão é descomunal, as lutas pelo Pacífico ou nas cidades litorâneas daquele oceano chegam a um grau de perfeição e realismo que a pergunta deixa de ser “como podem melhorar?” para “aonde vamos agora?”. O realismo é indescritível, realmente parecem ter sido filmadas, e não computadorizadas. Mas, o filme não são apenas os robôs, há um roteiro que explica a presença dos monstrengos e toda a movimentação político-militar para que o planeta se proteja.

E, toda e qualquer cena em que haja um ser humano envolvido, são marcadas por diálogos óbvios, que insistem em explicar o que está claro, é a utilização desenfreada dos clichês, como se só eles não bastassem para a compreensão do filme. Conflitos esdrúxulos, superações pessoais e a trilha sonora a favor de momentos ainda mais melosos e eloquentes. Eis o momento no cinema em que as máquinas superaram, e em muito, as pessoas.