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(2007) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Julio Bressane seria como o Godard Brasileiro. Seu cinema de culto artístico elevado, de intelectualismo nato, são obras de difícil acesso. Dessa forma construiu sua carreira, e garantiu seu espaço no concorrido mercado internacional dos grandes festivais. Na sua versão da história de Cleópatra, Alessandra Negrini encarna a sensual mulher que encantou os grandes imperadores romanos. Com um sotaque mais que estranho (de quem deseja soar como estrangeira), Negrini exibe uma mulher despudorada, mergulhada em anseios sexuais, e momentos de pura arte.

Sim, estamos diante de uma espécie de arrogância artística, quase um teatro filmado com os enquadramentos de Manoel de Oliveira. A história de Julio César, Marco Antonio e Augusto passa pela alcova de Cleópatra. O Império Romano a mercê da saciedade sexual da musa egípcia e seus amantes. Tudo contado com diálogos chamuscados e um didatismo disfarçado intelectual. Enquanto Miguel Falabella assume Julio César estamos bem, o que vem a seguir são atores tentando imitar o tom do personagem sucessor.

Spartacus (1960 – EUA)

Creio que já seja sabido por todos os ocorridos nos bastidores desse filme, produzido por Kirk Douglas, ele demitiu o diretor no início do projeto e contratou Stanley Kubrick (com quem trabalhara em Glória Feita de Sangue). E, sem dúvida, é um filme em que a mão de Kirk Douglas está mais que presente, Kubrick parece preso ao formato, filma cenas épicas como muitos também fariam, não dá para reconhecer muito do cineasta que faria filmes inesquecíveis no futuro. Resumindo, um filme sob media para o brilho de uma pessoa: Kirk Douglas.

A história é entretenimento puro, misturando cenas de lutas com jogos políticos e um romance açucarado. Spartacus, de escravo a líder de uma revolução que quase derrubou o Império Romano, as cenas de batalha envolvendo uma enormidade de figurantes são algo indescritível. A história de Spartacus é cinematográfica e digna realmente dos tempos do Império Romano, e ainda há essa pequena beleza envolvendo a virilidade de um gladiador, de mãos grandes, tocando suavemente (e às escondidas), as mãos de sua amada, enquanto esta lhe serve um pouco de água. Como se a propaganda política do pão e circo tomasse a tela, voltasse realmente aos tempos do Império Romano.