Posts com Tag ‘Indie 2010’

White Material (2009 – FRA/CAM)

A história se repete em qualquer país da África Negra, rebeldes tomando o poder, a grande maioria dos brancos aristocratas sugaram a população e sofrem comas perseguições dos revoltosos, um banho de sangue sem precedentes. Claire Denis não pontua sua história, porém conta uma pequena história que resume todos os países (até hoje em suas intermináveis guerras civis). Os brancos donos ou administradores de uma fazenda de café esforçam-se para seguir no plantio, colheita e demais processos agrícolas, a cidade virou um campo de batalha e no meio dessa guerra pelas esquinas (onde o professor de natação do seu filho pode ser o guerrilheiro que irá te apontar uma metralhadora na cabeça) há os que fogem por socorro e os que teimam por acreditar que são tão filhos daquela terra quanto os rebeldes.

Denis traz o campo de batalha para dentro do seu estomago, enquanto os grupos de negros disputam o poder, uma mulher (Isabelle Huppert sempre magistral) com bravura pensa no seu pequeno dia-a-dia, enquanto isso vivemos a tensão, a loucura de cada segundo num local onde você é o alvo o dia todo e conta os segundos até que seja o próximo a ser atingido. Claire Denis oferece um filme não só poderoso em seus temas, como na fineza com que filma toda essa alucinante vida, toda essa ensandecida situação. White Material é assombroso, de deixar você de pernas bambas pelas possibilidades da raça humana em desfazer, em desmerecer, em agir com tamanha irracionalidade.

Hahaha

Publicado: setembro 19, 2010 em Cinema
Tags:, ,

hahahaHahaha (2010 – COR) 

Tudo começa muito descontraído, causal, dois amigos encontram-se ao acaso e passam uma tarde conversando (principalmente lembrando a coincidente visita recente dos dois à Tongyeong. Brindando, sorrindo, o filme é formado de pequenos flashback’s, onde Hong Sang-soo narra duas visões diferentes da mesma história (incomoda a licença poética dos amigos no mesmo lugar, o tempo todo, com as mesmas pessoas e nunca se encontrarem).

Sang-soo busca as fragilidades humanas, e as encontra, são idas e vindas amorosas, paixões retumbantes de uma noite, flertes mal-feitos, situações constrangedoras, e aquele famoso jargão do “depois vamos rir disso”. Com diálogos pouco inspirados (como na vida real), e personagens comuns, quase nos sentimos na mesa partilhando risadas e contando nossas histórias.