Posts com Tag ‘Indie Lisboa 2018’

Drvo: A Árvore / The Tree (2018 – POR) 

De uma fotografia de árvore que marca o encontro de dois rios, em Saravejo, o estreante diretor português, André Gil Mata, teve a inspiração para seu filme. A visão de um estrangeiro de um país e sua herança de guerras. Uma cidade dilacerada, um país em ruínas. Filmando bem ao estilo de Bela Tarr, o lusitano tece sua poesia em forma de imagens poderosas. Um velho, um menino, um rio, seis galões vazios e a cidade escura, ao esmo, retalhos da sobrevivência numa alusão aos resquícios da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Bósnia.

Não devemos ter mais que uma dúzia de longos planos, a arte do slow movie como forma de imersão pelo caótico do ambiente. Gil Mata filma o menor dos movimentos, a penumbra por meio de sequencias hipnotizantes de um tipo de cinema raro e difícil, mas de um virtuosismo ímpar.


Festival: Berlim 2018

Mostra: Panorama

Bostofrio, où Le Ciel Rejoint la Terre (2018 – POR) 

O diretor Paulo Carneiro em busca de sua avô, e assim enteder mais de suas origens, ideia semelhante ao também interessante Djon África. Mas, as semelhanças para aqui, enquanto um mergulha na África, este aqui busca pistas por entre ansiãos de uma pequena vila portuguesa. Mais do que sua busca, o que Carneiro consegue é um retrato desse português campestre que forma parte importante da população e vive escondido entre os vilarejos, num mundo próprio, que parece caminhar distante da modernidade das metrópoles. O caminho de Carneiro segue, ao público fica mais forte as lembranças do povo genuíno, simples, que guarda em seu modo autêntico o charme que marca a própria Nação.