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aguerraacabouLa Guerre est Finie (1966 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Na forma mais próxima do que Alain Resnais chegara de um cinema narrativo convencional, aliando-se do que é chamado cinema político. O filme não deixa de ser sobre membros ativistas do partido comunista espanhol, refugiados na França, durante o governo franquista. Mas, no meio das discussões politicas, da militância e dos perigos das entradas clandestinas, passaportes falsos e etc, está um homem (Yves Montand) que, ao mesmo tempo, entrega-se a seus ideais, se apaixona por uma mulher, e viver a indecisão da angustia que as escolhas perfazem.

Não, não espere um drama romântico, tais nuances apenas dão peso a conflitante consciência desse homem de ideias, de uma luta justa e perigosa. Charme que cega, sua Espanha ainda clama pelo tipo de militância a qual ele deu sua vida? As perguntas se tornam cada vez mais conflitantes, a clandestinidade como força de afastar-se da realidade. Qual guerra acabou? A guerra contra a ditadura, ou a sua própria guerra particular? Contra quem realmente luta Diego Mora?

Nära Livet (1958 – SUE)

Ingmar Bergman também era o cineasta da alma feminina, aquele capaz de produzir ensaios sobre as aflições e a feminilidade, o homem que captava nuances e as tranformava em poderosas representações de sensações, pouco, ou nunca, reproduzidas. Um filme sobre três mulheres grávidas dividindo um quarto de hospital, por uma noite, e o mundo de dúvidas, angústias, as incertezas, as idas e vindas de amores.

O cineasta sueco resume em três personagens, a grande maioria das possibilidades, sensações e tormentos das que carregam outra vida em seus corpos, e no quanto essa é uma experiência transcendental. Num mergulho tenso por condição física e psicológica dessas mulheres, Bergman vai desde a alegria intensa à decepção, num piscar de olhos. E os faz com a tensão de um dia de hospital pode causar. A dor que pode estar no psicológico, a maneira de se relacionar com sua própria gravidez, a intimidade que surge de outras grávidas.

O filme é sobre essa coisa inexplicável chamada maternidade, seja ela indesejável, com complicações ou interrompida espontaneamente. Ninguém passa ileso a uma experiencia dessas, casamentos desmoronam, relacionamentos se refazem ou desfazem, a mulher dialogando com seu próprio corpo e estado de espírito enquanto carrega em seu ventre o milagre da vida. Bergman deixa de lado os bebês para manter seu foco na mulher, na grávida, e nesse mundo de novas possibilidades que está nascendo.