Posts com Tag ‘Irène Jacob’

aduplavidadeveroniqueveroniqueLa Double Vie de Véronique (1991 – FRA/POL/NOR) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Não consigo vê-lo como uma obra-prima, e sim um filme-preparação para a Trilogia das Cores. Krzystof Kieslowski testava muito do que seria visto logo a seguir, imagens refletidas em objetos, a música clássica, o tipo de drama, o tom de forma geral. Nessa intrigante história de duas mulheres (Irère Jacob), nascida ao mesmo tempo (em Paris e em Varsóvia), parecidíssimas fisicamente, e com uma espécie de ligação cósmica.

As duas se entregam ao amor, vivem ao redor da música, mas fazem escolhas diferentes que nos remetem ao “e se escolhêssemos esse outro caminho”. Amor, morte, desejo, tão diferentes, ainda assim podem se posicionar tão próximos, numa linha limítrofe quebrável facilmente. O especial é como Kieslowski narra a história do duplo, essa carga de dramático e artístico, essa ligação que sai da coincidência, quando a forma é mais importante do que o resultado final.

afraternidadeevermelhaTrois Couleurs: Rouge (1994 – FRA/POL/SUI) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O projeto da trilogia surgiu em virtude do bicentenário da Revolução Francesa. A ideia simples, três filmes representando as tr6es cores da bandeira francesa, e o que representam cada uma daquelas cores (liberdade, igualdade e fraternidade). Foram filmados simultaneamente, e lançados em sequencia, nos 3 Grandes Festivais. A trilogia é encerrada com muita sutileza, naquele que muitos consideram o melhor de todos (eu prefiro A Liberdade é Azul)

O vermelho está espalhado por todos os lugares, não há aonde não encontrá-lo. A trama carrega muito do acaso, mas, além disso, de como as pessoas interferem na vida das outras, até mesmo involuntariamente. Conhecer uma pessoa, ou se relacionar mais profundamente com outra, abre um oceano de possibilidades, de mudanças na vida. Como se os destinos fosse sendo traçados a cada escolha.

Uma modelo (Irène Jacob) atropela uma cadela na rua. Sem saber o que fazer descobre, na coleira, o endereço do dono. Lá conhece um ex-juiz (Jean-Louis Trintignant) que vive espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. Aquela situação repugnante, de um homem ultrajante, que perdeu a vontade de viver, ao invés de causar repulsa, estranhamente transforma-se em amizade.

A relação que se estabelece muda profundamente a vida de ambos. O ex-juiz guarda algo de misterioso, e os encontros, pouco a pouco, transformam o comportamento deles, a influência é fatal. No final um encaixe com os dois filmes anteriores, faz da seqüência final um brilhante desfecho para a trilogia, e principalmente uma bela homenagem aos ideais da Revolução Francesa.