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The Ballad of Buster Scruggs (2018 – EUA) 

Se engana quem julga que se trata de uma obra menor dos Irmãos Coen, só por serem seis histórias pequenas, que juntam formam um longa-metragem, e que mesmo com unidade, tenham suas particularidades que não  as tornam diretamente conectadas. A produção super bem cuidada, e o retorno dos cineastas ao Velho Oeste, demonstra que eles ainda tem muitas histórias para contar por aquelas bandas.

Entre o humor negro, o melodrama e outros estilos e subgêneros, há em todos os capítulos, dessa antologia, o tema da morte em comum. Seja no ladrão de banco condenado à forca, no minerados à procura de ouro, os burgueses em buscar de explorar novas terras, ou o Buster Scruggs do título, com seu gatilho  tão rápido, a morte está sempre rondando todos os personagens. Pode-se identificar mais com uma do que com outra das histórias, mas é o sabor narrativo do cineastas que torna esse lançamento da Netflix bem melhor do que ser apenas mais uma das estreias de uma sexta-feira qualquer do poderoso serviço de streamings. São os Coen revisitando essa região e demonstrando sua capacidade de modernizar a visão do Velho Oeste, por mais que tenha um gostinho de requentado.


Festival: Veneza 2018

Mostra: Competição Principal

Prêmios: Melhor Roteiro

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Barton Fink (1991 – EUA)

E os Irmãos Coen também resolveram dar seus pitacos no tema dos roteiristas com bloqueio criativo, só que bem à moda deles. Início de carreira e os maneirismos visuais já estavam presentes, e são extremamente marcantes, assim como o tom amargo, personagens marginais e estilosos, ou extremamente sarcásticos. Mas o destaque mesmo fica por conta da câmera, seu uso, os planos abrindo dando a dimensão de profundidade e simultaneamente de desespero do personagem que não consegue se encontrar. O autor de relativo sucesso no teatro (John Turturro), acaba parando em Hollywood, contratado por um estúdio, logo ele tão autoral, quase surta, tenta manter-se alheio à industria e ainda assim sente-se incapaz de tocar o projeto.

Ele acaba amigo de um vendedor de seguros (John Goodman), e seu mundo é aquele, as paredes com papel de parede verde musgo que teimam em descolar, o calor, a incapacidade, o estranho envolvimento com a secretária/amante do escritor que ele idolatra. Os Coen guardam um final surrealista, são os delírios, todos aqueles elementos praticamente fantasmagóricos culminam num desfecho exorbitante onde os meios se tornam muito mais interessantes que o fim.

True Grit (2010 – EUA)
 
Comparada a toda obra dos irmãos Coen, esta refilmagem do western homônimo que consagrou com Oscar a carreira de John Wayne, é um filme bem convencional, de narrativa direta e personagens típicos (e sem o humor perspicaz dos Coen). O xerife bêbado e caolho (Jeff Bridges, caricato e marcante, boa atuação) deve ser o único personagem capaz de integrar os filmes anteriores da dupla.  Mas a história tem início no excesso de esperteza e maturidade da jovem (Hailee Steinfeld) ao contratar o xerife a caçar o bandido (Josh Brolin) que assassinou seu pai, a menina destemida dá um jeito de participar da caçada que ainda terá a companhia de um Texas Ranger (Matt Damon). O dedo preciso dos Coen está por toda a parte, desde o cuidado com o ambiente e com a atmosfera até a fotografia barrenta e empoeirada, eles praticamente se colocam como personagem fundamental do filme, mas pecam de forma cruel com a trilha sonora que consegue estragar todas as cenas cruciais. Barry Pepper novamente surge de forma rápida e estupenda, um ator que merece mais destaque na carreira.