Posts com Tag ‘Isabelle Adjani’

Possession (1981 – POL) 

Perturbadora alegoria de terror psicológico criada por Andrzej Zulawski a cerca da traumatizadora separação de um casal: Isabelle Adjani e Sam Neill. Infidelidade, violência, loucura, depressão, alguns dos elementos que o diretor polonês impõe a seu filme, em cenas que preferem o perturbador ao explicadinho. Há uma linha de história a se seguir, o marido traído, o amante mais velho e o filho pequeno do casal como arma de negociação. Porém, o filme está longe de buscar uma linha de história para contar, ao contrário, ele cria cenas e mais cenas que exploram a loucura dos comportamentos, que levam o público a se sentir à flor da pele com tantas alegorias tensas e enlouquecedoras.

Possessão é um petardo psicológico de personagens levados aos extremos, que ainda encontra em elementos sobrenaturais a completa personificação de metáforas enlouquecedoras. O horror familiar, a sensação do se sentir sufocado, e a fuga sexual como um refúgio transformador. Lembre-se de O Iluminado, mas também de alguns filmes de Polanski como Repulsa ao Sexo, e adicione estudos psicodramáticos e anda assim não será capaz de resumir a histérica alucinação que as imagens do filme de Zulawski evocam.


Festival: Cannes

Mostra: Competição principal

Prêmio: Melhor Atriz

nosferatuNosferatu: Phatom der Nacht (1979 – ALE) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Ainda em cartaz nos cinemas de SP, a ótima versão de Werner Herzog para o clássico do expressionismo alemão (de F. W. Murnau). O cineasta dá menor foco ao clima de terror, bricando mais com a mistura de sonho e realidade, não é por acaso que o filme começa com Lucy (Isabelle Adjani) sendo assistida pelo marido (Bruno Ganz) após um pesadelo. Na primeira parte da trama, as semelhanças são maiores ao Nosferatu de Murnau, a ida do corretor de imóveis ao castelo na Transilvânia, casa do Conde Drácula (Klaus Kinski). A maquiagem, as unhas, o aspecto do conde é realmente assustador. O jantar, com o enquadramento angular, no alto pé direito da sala de jantar, chega ao claustrofóbico.

Na segunda parte, quando Drácula sai do castelo, e traz com ele a praga e a invasão de ratos, Herzog coloca mais de seu cinema em cena. Essa relação do ser humano com a natureza, sem perder o toque assustador e o amor da jovem pura como salvação contra o mal maior. Herzog dosa, com propriedade, todos estes elementos, avançado na tragédia irrefutável da cidade.

camilleclaudelCamille Claudel (1988 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um talento autodestrutível, uma obsessão compulsiva, e uma mania maníaca de acreditar que é boicotada por seu ex-amante. Esses comportamentos marcaram o fim da vida de Camille Claudel. A excepcional escultora passou seus últimos trinta anos num manicômio, trancafiada e distante da família, suplicando por atenção e afeto. Qual motivo levou essa mulher brilhante a um final tão triste? O amor.

O famoso diretor de fotografia Bruno Nuytten estreava na direção, sua escolha foi a de adaptar o livro de Reine-Marie Paris que segue a linha de raciocínio, defendida por alguns, que Camille Claudel seria mais talentosa e teria sido usada por seu amante Auguste Rodin (Gérard Depardieu). Para interpretar a escultora, Nuytten escolheu sua esposa à época, Isabelle Adjani, e abusou de seus conhecimentos para esbanjar na fotografia, recriando a França do século XIX, e intensificando o clima claustrofóbico da última fase da história.

A narração segue a ordem cronológica dos fatos, desde quando Camille conhece, e passa a trabalhar como aprendiz de Rodin. O escultor, já famoso, costumava relacionar-se com suas aprendizes. E com Camille não foi diferente. O caso de amor é tratado por Nuytten de forma burocrática e tradicional, desperdiçando-se assim a oportunidade de exaltar a arte. Pouco se explora das obras desses dois monstros da escultura ou de seus métodos e inspirações.

Pois bem, Camille não consegue permanecer como a amante, cobra de Rodin exclusividade e desfaz-se o relacionamento. Começa seu calvário, incapaz de domar seu próprio gênio. A cada dia afasta-se mais do convívio social, tranca-se em casa com suas esculturas, e passa a acusar Rodin de boicote, de podar seu sucesso. Nesse ponto entra em cena a capacidade de Adjani atuar, a angústia, a loucura, o auto-aprisionamento, tudo está prescrito no olhar da atriz. Adjani se coloca como um vulcão em erupção em cada cena, Camille quebra esculturas, atira pedras na casa de Rodin, exprime seu isolamento em cada detalhe melancólico de seu rosto, como nas esculturas de Camille que pouco faltavam para ganhar vida própria.

Subway

Publicado: outubro 29, 2002 em Cinema
Tags:, ,

subwaySubway (1985 – FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Luc Besson narra o romance de Fred (Christopher Lambert) e Hélèna (Isabelle Adjani), do submundo do metrô parisiense, numa espécie de sub-sociedade repleta de marginais, traficantes e golpistas. Ele, um especialista em arrombar cofres. O assaltante penetra numa festa, em uma mansão, e consegue a façanha de fugir com alguns documentos, levar a Mercedes do proprietário da mansão, e ainda se apaixonar pela esposa do assaltado (Hélèna). Durante a perseguição Fred refugia-se no metrô, entre as galerias encontra os tipos mais estranhos como o assaltante patinador, o florista traficante, músicos do submundo e outros com suas esquisitices.

Fred arma um plano para atrair Hélèna às galerias do metrô, prometendo devolver-lhe os documentos roubados em troca de dinheiro. Hélèna, que não anda satisfeita com seu casamento,  passa a perseguir Fred pelas galerias e conhecer essa realidade oculta. Entre capangas e policiais, o casal passa a viver uma espécie de atração irresistível. Talvez seja o filme mais cult de Luc Besson, que usa muitas inovações visuais, como os cortes de cabelo de Isabelle Adjani e Christopher Lambert, oferecendo uma estética diferente e peculiar. Mas o filme é confuso, sem vibração, um pouco burocrático. Por mais que Adjani e Lambert estejam muito bem, a excentricidade de Fred aflora em seu olhar, em seu cabelo, em tudo, ainda assim o desenvolvimento dos personagens é pouco profundo.