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Bernie

Publicado: julho 18, 2013 em Cinema
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bernieBernie (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Obcecado por filmes falados, discutidos, verborrágicos, Richard Linklater, vira e mexe, está se embrenhando por outros gêneros e tipos de filmes. Sua obra eclética flerta muito com o humor, e novamente trabalhando com Jack Black, ele parte a contar a história de um sinistro sujeito, com um tipo de humor tão delicado que nem pode ser notado.

Bernie é um “cdf” das funerárias. Mostra paixão por todo o processo de um funeral, tratando com carinho sem-igual cada detalhe da cerimônia de adeus. Rapidamente se torna o amor das velhinhas. Linklater e Black são cuidados na construção do personagem, os excessos de Black são mais que contidos, querem conquistar o público com a mesma devoção que a comunidade vibra com o comportamento perfeito de Bernie.

Isso tudo para justificar o que vem a seguir, descobriremos que se trata da história verídica desse sujeito que se envolveu com uma megera rica. Um pulo até o drama de tribunal, aquela figura chata de tão perfeita só vem ao cinema para levantar questionamentos e julgamentos de justiça, Linklater poderia ter ficado num telefilme com essa trama ingênua.

rebobineporfavorBe Kind Rewind (2008 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O novo filme de Michel Gondry não deixa de ser uma divertida, e histérica, homenagem ao cinema. De início alguns diálogos absurdos, arestas para todos os lados, e os sinais de comédia escrachada que perdurarão até o fim (e serão o que há de melhor). Não importam os meios, o relevante é que dois amigos buscam uma solução urgente para o vhs do filme Os Caça-Fantasmas, que, inexplicavelmente (quer dizer, a explicação está no filme, por mais inverossímil posa ser) perdeu seu conteúdo.

Decidem então, eles mesmos gravarem o filme, às pressas, do-jeito-que-sair-saiu, e terminam por transformar uma locadora à beira da falência, num sucesso estrondoso com as tais fitas suecadas (resumindo, versões gravadas de maneira tosca pelos dois amigos). Imaginem Jack Black e Mos Def num momento Ed Wood, regravando Robocop, Conduzindo Miss Daisy, ou A Hora do Rush. Tipo de filme que pouco importam os desdobramentos, queremos mesmo é nos divertir, e o final, parodiando Cinema Paradiso, encerra essa grande comédia de forma bela e emocionante.

escoladerockSchool of Rock (2003 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Descontração, o que mais pode se querer de uma comédia? Qualquer filme que se preze, a fazer o público rir, deveria esbanjá-la. E o que não falta aqui é descontração orquestrado pelo camaleão do cinema americano atualmente, Richard Linklater. A história é bem batida, na verdade é a união de duas ou três velhas histórias, clichês mesmo. Um roqueiro fracassado é demitido da banda, sua vida é a música, e ele planeja montar uma nova banda, só que ninguém está interessado. Ao mesmo tempo, vivendo na pindaíba, precisa descolar uma grana, antes de ser expulso do apartamento que divide com um amigo.

Dewey Finn (Jack Black) finge então ser outra pessoa, e assume como professor substituto numa escola tradicionalíssima, com alunos da mais alta sociedade. Por sorte, Dewey percebe naquelas crianças de dez anos músicos talentosos e decide formar com eles sua nova banda. Ao invés de aulas, ensaios. Ao invés de geografia ou matemática, a história do rock. Durante semanas ensaiam, às escondidas, para que consigam participar de um concorrido concurso de novas bandas de rock.

O clima auto-astral proporcionado por Jack Black e a molecada que o acompanha é o principal ingrediente dessa comédia descompromissada e cativante. A irrealidade da trama é posta de lado, Linklater não nega os clichês. E, por não tentar ludibriar o público, na tentativa de forçar como possível aquilo que não é, o cineasta consegue trabalhar com os clichês a seu favor fazendo deles elementos imprescindíveis no filme, como a configuração da sala de aula com alunos dotados de características específicas e bem pertinentes.

A construção do personagem Dewey é de uma riqueza impressionante, em se tratando de uma comédia desse naipe, passa por leves transformações na história, pequenas coisas que o relacionamento com essas crianças lhe traz. São mudanças palpáveis, possíveis, de egocêntrico e orgulhoso, Dewey passa a integrante de uma equipe, onde usa sua experiência para buscar em cada um o melhor de si. A menina gordinha que se sente envergonhada, o pianista solitário que gostaria de ser “maneiro”, o guitarrista que não consegue extrapolar sua veia musical por ser recriminado pelo pai. Em cada momento desses Dewey doa sua sensibilidade, perdendo aos poucos aquele egocentrismo de sua vida.

Não é de grandes momentos ou risadas incontroláveis, mas com uma trilha sonora recheada de grandes clássicos do rock, músicas da banda com clima gostoso e um Jack Black inspirado em cada segundo, Escola de Rock é diversão garantida do começo ao fim, descontração absoluta.

altafidelidadeHigh Fidelity (2000 – RU/EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Praticamente a bandeira de uma geração. Tamanha representação vem do livro de Nick Hornby, a qual o filme de Stephen Frears foi baseado. A mistura dessa cultura pop com a rotina jovem, onde tudo se resume a músicas, ou cinema e demais referências. E os relacionamentos se criam por base nessas referências, e quem não compactua com essas experiências, quem parece não estar antenado nesse universo, acaba tratado como um extraterrestre cultural. São personagens de fácil identificação com parte do público, um deleite aos consumidores de cultura pop (principalmente britânica).

A trama em si não passa de um triângulo amoroso, que ocasiona numa crise existencial do eterno adolescente Rob Gordon (John Cusack). Ele é dono de uma loja de discos, e mora com sua namorada, a advogada Laura (Iben Hjejle). Os estranhos Barry (Jack Black) e Dick (Todd Louiso) trabalham com Rob na loja, que é especializada em discos antigos e tem um pequeno público cativo. De cara a narrativa começa quando Laura decide terminar tudo com Rob, pois está interessada no antigo vizinho, do andar de cima, Ian (Tim Robbins).

Sempre falando com a câmera de maneira natural, tonando assim o público cúmplice dos seus dramas e esquisitices, um amigo a quem ele pode analisar seus erros, falar de seus desejos e manias. Rob decide nos contar sobre os cinco melhores casos de sua vida, e procurar o motivo por nenhum deles ter dado certo, ao mesmo tempo que tenta reconquistar Laura (uma das grandes sacadas são as listas de top 5 para qualquer coisa, feitas a todos os momentos).

Dessa forma, o filme consegue resumir perfeitamente essa geração, embalando com excelente (e muito presente) trilha sonora esses dramas amorosos em tom bem humorado. Se não escada da fórmula de comédia romântica, o filme cativa por seus personagens vibrantes e charmosos, como o divertidíssimo de Jack Black, e por essa capacidade de tornar o pop quase o combustível de vida dessa geração. Um clássico cult.