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Rodin

Publicado: setembro 25, 2017 em Cinema
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Rodin (2017 – FRA) 

Ainda querendo entender porque o filme tem sido tão criticado, desde sua exibicação na competição em Cannes. Talvez eu tenha uma relação com Rodin diferenciada, por ter lido sua biografia (Eu Vim Nu) quando ainda era adolescente, mas não consigo mesmo encontrar tantos problemas assim no filme de Jacques Doillon.

É uma cinebiografia dentro do ateliê, são poucas as vezes em que a câmera sai desse ambiente, sua vida transpassa por entre suas obras. Por meio de elipses, o filme conta as obsessões do artista, seus amores e extravagâncias sexuais, o estilo obsessivo de seu trabalho, as decepções do reconhecimento. Doillon é cuidadoso em tentar clocar Rodin na tela, e não endeusar ou poetizar demais suas esculturas.

É fato que o ritmo acadêmico, e que os enquadramentos distanciados, pouco oferecem de inovador, ainda mais quando pensamos que é o retrato de alguém que tanto inovou em sua arte. A interpretação de Vincent Lindon e a fotografia cuidadosa, com pouquíssima luz, não atenderem as expectativas dos que esperavam um retrato mais visceral e profundo do artista.

theyear1The Year One / L’an 01 (1973 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Após os movimentos estudantis de 1968, as manifestações e tudo mais, algumas pessoas pregavam que o mundo devia recomeçar, sair do zero. As pessoas deveriam quebrar com o sistema, poder viver com maior liberdade, trabalhando quando quisessem, sem a necessidade capitalista de possuir bens materiais. Seria o ano 1, o recomeço.

Os diretores Alain Resnais, Jacques Doillon e Jean Rouch embarcaram nesse projeto, não muito conhecido atualmente, simulando o que seria o mundo com essa nova concepção. Na França uma vida quase anárquica invadindo as ruas, esse movimento se espalhando por outros cantos do mundo. Uma sátira interessante, um mundo muito mais livre, provavelmente impossível de ser vivido, mas cinematográfica uma deliciosa viagem. Como se a vida hippie de comunidade tomasse as grandes metrópoles. Seja no sexo, nas relações pessoais, e principalmente nas relações profissionais.