Posts com Tag ‘Jacques Rivette’

abelaintriganteLa Belle Noiseuse (1991 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Sempre ouvi que era o grande filme de Jacques Rivette, em que uma mulher, escultural, ficava quatro horas nua em cena. E que o filme era só isso, e que era maravilhoso. Sim, o filme tem quatro horas de duração, e em pelo menos metade dele Emmanuelle Béart, em pelo, dá o ar da graça, como modelo para um pintor (Michel Piccoli). Ele tenta resgatar sua obra-prima, e finalmente entregar ao mundo sua Bela Intrigante.

São horas de trabalho, a jovem exposta em posições impostas, por vezes de maneira até violenta, pelo pintor que tenta encontrar inspiração para retratar a majestade daquele corpo. Mas, o filme de Rivette não é exatamente sobre essa relação pintor x modelo, nem mesmo sobre a arte de pintar, o processo. Seu filme é sobre montagem, ou, mais precisamente sobre a arte do “corte”. Filmes que fogem ao padrão do lugar-comum, normalmente vão ao encontro de uma precisão na arte da edição. Planos longos, curtos, eles dão o verdadeiro tom do filme, e Rivette parece aqui reverenciar essa característica tão técnica, e tão artística.

O corte é mais que preciso, ele é um personagem, a relação do pintor com sua esposa, ou da modelo com seu namorado, assim como os demais coadjuvantes, que circundam a história, enquanto os dois passam horas e horas trancados no ateliê, simplesmente pintando. Rivette encontra essa maneira de homenagear o trabalho artesão de um pintor, o processo como um todo, sem transformar aquela mulher deslumbrante num tronco, ou num abajur. E tudo isso se dá pelo corte, o tempo apurado de cada cena, longo e desgastantes, porém necessários.

36vistasdomontesaintloup36 Vues du Pic Saint-Loup (2009 –  FRA/ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

À beira de uma estrada minúscula, uma mulher (Jane Birkin) estaciona seu carro, capô levantado, completamente perdida. Passa um carro sport, alta velocidade, nem dá bola para a senhora necessitanto de ajuda. O carro volta, desce um sujeito (Sergio Castellito) bem vestido, de óculos escuros. Não abre a boca, dá uma olhada no capô levantado, mexe em alguma coisa e faz o carro pegar. Vai embora, sem se despedir, em silêncio.

Assim começa o último trabalho de Jacques Rivette. Praticamente uma traquinagem do doce cineasta frances, afinal, seu filme pouco se representa com essa abertura. Trata do mundo do circo, essa vida decadente e nômade. Mas também dos traumas humanos, das relações pessoais. Rivette praticamente filma o anti-romance, o italiano forasteiro pouco fala sobre si, porém vai se envolvendo com cada um dos cirsenses, ouve histórias, inspira, enquanto ascende a chama de sua paixão pelo circo, e um brinca com um inesperado flerte.

É reconfortante a maneira como Rivette homenageia os palhaços, brinca com a montagem ao oferecer em pedaços um dos números. É uma doçura angelical, mas, ao mesmo tempo, tem um quê de nonsense, nas relações, nos personagens, nessa coisa abstrata e finita que se configura no determinado tempo de duração desse filme.

O Truque do Pastor

Publicado: julho 22, 2013 em Cinema
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otruqeudopastorLe Coup du Berger (1956 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Mais interessante que o produto final são as características de um trabalho pré-Nouvelle Vague. Época de Jacques Rivette e alguns de seus companheiros de Cahiers du Cinéma se aventurarem por detrás das câmeras, primeiramente em curta-metragens. Rivette brinca com as táticas de uma mulher infiel que ganha um presente do amante e tenta “justificá-lo” ao marido, como num jogo de xadrez. A leveza, a inocência, o puro da Nouvelle Vague que vinha surgindo de uma inspiração por ideias conjuntas, uma visão de cinema além de um produto.

Um Passeio por Paris

Publicado: julho 8, 2013 em Cinema
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umpasseioporparisLe Pont du Nord (1981 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Pouco importa porque vagueiam essa duas mulheres por Paris, acredito que nem Jacques Rivette estava realmente interessado nelas. O filme é sobre Paris, e Rivette a filma por diversos angulos, entre monumentos, pontes e locais abandonados. Não é exatamente glamour, é uma cidade cinza, triste, ainda assim bela. É um mistério esse resultado plástico que a cidade ganha enquanto essas mulheres se envolvem com homens estranhos, todos, claramente, envolvidos com crimes e falcatruas.

Mas a cidade está lá, não pede e não cobra nada de ninguém. E Rivette continua filmando suas ruas, a moita onde uma das mulheres faz suas necessidades. As edificações se confundem com vegetações, ou a areia de algumas praças, a cidade não escolhe, apenas testemunha. E quando Rivette quer dar alguma relevância ao roteiro, algo meio nonsense, e meio fantástico, que essa presença da cidade (que já tinha virado tabuleiro de um jogo de criança) fica camuflada, e o filme fica quase desinteressante.

Trailers são uma arte à parte, afinal, qual o melhor trailer de todos os tempos? Esse link incrível traz alguns dos mais interessantes trailers da história do cinema [Wired]

• Julho vem com tudo, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), mostra dos filmes de Howard Hawks [CCSP]

• Tem também o Festival de Cinema Latino-Americano [Festlatinosp]

• E Jacques Rivette no CCBB de SP e RJ, Julho virou paraíso cinéfilo. [Cinefrance]

• Eles vão ter que entrar em forma para o próximo Star Wars, olha a situação de Carrie Fisher e Mark Hamill [The Sun]

• Bem triste dar de cara com o balanço do semestre e enxergar as 10 maiores bilheterias do ano, no Brasil [AdoroCinema]

• E a Academia convidou mais de 200 pessoas para serem novos membros, e assim poderem, inclusive, votar no Oscar. José Padilha e Eduardo Coutinho foram os brasileiros convidados. Deem uma olhada na lista [Oscar.org]

Jacques Rivette – Le Veiller (1988 – FRA)

Há documentários em que não há muito a se falar, voce deve simplesmente assistir, tirar suas próprias conclusões e permitir que o filme está ali para que voce agregue mais, vá mais fundo sobre o tema. Este trabalho de Claire Denis (faz parte da série Cinéma, de notre temps) é uma constatação de sua admiração por Jacques Rivette, mas acima de tudo é um mergulho na obra do cineasta por sua própria visão. Dividido entre dia/noite, aos que se interessam pela Nouvelle Vague, pelos tempos áureos da Cahiers du Cinéma, e principalmente pelo cinema de Rivette, o documentário apresenta-se como um deleite de curiosidades. Rivette narra pequenos detalhes da “turma dos quatro”, de sua chegada a Paris, de seu processo de criação. Discute a forma de seu cinema, seus gostos e o paralelo com sua vida pessoal. A camera adentra a intimidade, e revela além de seus filmes.