Posts com Tag ‘Jacques Tati’

carrousseldaesperancaJour de Fète (1949 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

No primeiro longa-metragem de Jacques Tati, o diretor interpreta um carteiro francês, que ao assistir a um documentário sobre “peripécias inimagináveis” de carteiros americanos, decide colocar em prática os métodos extravagantes de fazer as entregas chegarem mais rápido. Desde este primeiro trabalho, Tati apresenta características básicas de seu cinema de humor, principalmente do clássico personagem Hulot (aqui não batizado assim, mas com todas as semelhanças possíveis). A simplicidade de personagens, o humor físico, o cotidiano visitado por essa leveza hipnótica. Em sua bicicleta, o carteiro cruza o pequeno vilarejo, entre tantas trapalhadas e a garra de quem mira diretamente em seu objetivo.

PlaytimePlaytime (1967 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por trás da comédia simples e meio desajeitada de Jacques Tati há um olhar astuto e crítico sobre a urbanização, sobre futuro das cidades. Além da observação das transformações causadas pelo turismo, a adaptação da população local, o quanto a cidade deixa de ser de seus cidadãos para servir apenas como vendável aos de passagem. Meu Tio (segundo capítulo das aventuras do atrapalhado Sr. Hulot) já apresentava muito disso. O humor segue físico, o personagem desajeitado ao extremo, e a Paris cinza das edificações se mistura com um ar estranho de tão inovador.

Nesse terceiro capítulo o Sr. Hulot se encontra com um grupo de turistas americanos, acaba se encontrando com a mesma excursão em 6 lugares diferentes, e sempre causando confusões enquanto Tati provoca o consumismo, a nova ordem dos espaços e a movimentação humana em sociedade. Restaurante, aeroporto, uma feira de nova tecnologias. Pelo humor (falsamente) ingênuo de Hulot (interpretado pelo próprio Tati), surgem as incongruências, as dificuldades, as limitações e os absurdos que a nova ordem mundial parece instaurar. Playtime repete a narrativa de Meu Tio, as gags cômicas, porém se apresenta como um passo além, mais refinado e menos óbvios. Suas metáforas são chiques, a burguesia é alvo de seus longos planos que trazem a sensação de maior improviso e liberdade artística no set. Hulot não se adapta a esse mundo globalizado, veloz, cruel, vive ainda com seu charuto e sobretudo, num ritmo pausado, de quem observa tantas mudanças e não consegue entrar no vagão, quando este passa pela estação.