Posts com Tag ‘Jake Gylenahaal’

Okja (2017 – COR/EUA) 

O cinema de Bong Joon-Ho se mistura entre muito humor, doses de critica social, proximidade com a fantasia e uma narrativa que adora o frenético. A arte de contar histórias é um dos pontos fortes do cineasta coreano, ainda que seus filmes guardem a mania de tornar personagens infantiloides ao extremo. Dentro dessas características, seu novo filme, que já chega com toda a polêmica entre Cannes x Netflix, é um exemplar perfeito de sua filmografia.

Inicialmente Okja flerta com o lúdico, os super-porco como xodó de uma garotinha, até que os vilões da indústria de alimentos querem tirar o porco da garota, sempre visando lucros. Sim, a maneira como Bong trata sua critica social (justa) é didática, explicita, e ate ingênua. Acertar o tom do filme seria o crucial, e Bong não o faz. Okja é  histérico e caricato, e guarda esse prazer pelo caótico, entre tanto ativismo e proteção animal, capitalismo sustentável, e a fofura do amor de uma criança que pode mover montanhas. Bem mais interessante como proposta, do que o resultado caricato que o filme entrega.

Love & Other Drugs (2010 – EUA)
 
Poderia soltar o verbo só por conta da personagem de Anne Hathaway, porque esse é um personagem interessante, rico em nuances, as vezes carregado em clichê, sempre presente com um sorriso encantador e a energia cativante da atriz para nos aproximar daquela jovem enfrentando suas limitações diárias devido a toda carga dramática proporcionada pela doença (assunto tratado de maneira honesta). Mas é um filme de Edward Zwick, e mais cedo ou mais tarde a coisa vai sair dos trilhos, é inevitável, e realmente sai.

Se bem que essa comédia romântica, por mais que prefira o humor boboca (e nisso um personagem conquistador e bobalhão como de Jack Gyllenhaal cai perfeitamente) tem seus predicados ao tratar da indústria farmacêutica, do universo dos propagandistas e do grande boom com o lançamento do Viagra. No mais é aquela coisa, um romance que nasce, uma separação, um amor avassalador e uma cena de declaração de amor… definitivamente, a segunda parte é de um excesso de clichês que naufraga com qualquer coisa que o filme tenha construído, ainda assim sobra Hathaway brilhando sob um Gyllenhaal apático, principalmente na cena chave.