Posts com Tag ‘Jake Gyllenhaal’

 

Wildlife (2018 – EUA) 

Registrar a denconstrução de um matrimônio através dos olhos do filho adolescente não é um formato novo no cinema. Adaptando o livro de Ricard Ford, o ator Paul Dano estreia na direção marcando cacoetes de uma cinema autoral, que tenta ser intimista, mas padece de um ritmo narrativo que possa tornar essa história no mínimo interessante.

A trama se passa nos anos 60, um pai orgulhoso que não encontra um trabalho fixo, a mãe destrambelhada quando o marido se afasta um pouco de casa. Acompanhamod tudo através do garoto tão bondoso, de longe o mais maduro da casa. Nem chegamos a compreender exatamente o garoto, o foco fica todo sob a fragilidade da mãe (Carey Mulligan). É muito pouco repetir-se em cenas de constrangimento do garoto e sua necessidade de assumir um papel em casa, que não deveria ser seu. Em meio disso tudo, algumas cenas das paisagens selvagens de Montana e o clima de bucólico, de um mundo a ser descoberto. O mesmo de sempre, sem algo novo, não parece o material e ritmo certo para um estreante.


Festival: Sundance 2018

Mostra: U.S. Dramatic Competition

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Nocturnal Animals (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Elogiado e premiado na última edição do Festival de Veneza, o estilista de moda, Tom Ford, volta aos cinemas para seu segundo longa-metragem. De cara uma provocação ao mundo onde construiu sua carreira, num primeiro momento, mas que pode ser interpretada de maneira bem mais ampla. Mulheres obesas, dançando nuas, com alegria que modelos magérrimas fariam, expondo seus corpos sem pudores, numa galeria de arte burguesa.

Esse é o mundo profissional de Susan (Amy Adams), tão gélido e elegante quanto os planos que Ford usa e abusa (lindos, porém desnecessárias, frios quando queria ser tão quentes). Com esses planos frios que o cineasta tenta criar o universo sentimental de Susan, a decepção tanto amorosa, quanto profissional, e a estranha sensação de proximidade com o ex-marido (Jake Gyllenhaal) que acaba de lhe enviar seu recém-acabado primeiro romance.

A narrativa se divide, o passado e o presente de Susan se misturam à narrativa da história que o livro trata (uma família brutalmente agredida e violentada numa estrada vazia). O roteiro busca paralelos, de todo modo quer provocar sua protagonista, levar sua autoestima ainda mais ao chão, enquanto isso encena cenas de tensão e violência. Flerta com os últimos filmes de Denis Villeneuve, e cria um desengonçado arquétipo de um filme que tenta ser ácido e definitivo. O todo é de um caos didático que mesmo abusando dos planos fechados e melancólicos de Amy Adams, Tom Ford passa longe de se colocar na posição do cineasta que ele acredita ter se tornado.

everesteEverest (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É sabido que o monte Everest, mesmo sendo o mais alto do mundo, não é dos mais difíceis de se chegar ao cume. Também não é só chegar lá e caminhar um pouco. Gelo, altitude, mau tempo, testar os limites do corpo, o filme prova que se enveredar é coisa de maluco. Na década de 90, um desenfreado tráfego de turistas descobriram o Everest, até a tragédia de 1996. Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme tenta reconstituir os fatos, envolto em sua pose de Blockbuster.

Dos belíssimos planos gerais dos picos cobertos de neve, a momentos de grande tensão por desfiladeiros, a narrativa é bastante eficiente na parte do entretenimento. Ao levantar questionamentos sobre imprensa, turismo desenfreado, irresponsabilidade humana, já acaba diluído pela didática. Porém, o subjetivo da relação Expectativa x resultado é algo inexplicável, e mesmo com o melodrama emotivo do final, a sensação que fica é que Evereste entrega o que promete, sem proteger os atores principais em papéis de mocinhos de salvação convicta. Dá ao público a dimensão do frio insuportável, do corpo levado ao limite, e do gostinho da adrenalina de enfrentar uma aventura desse porte.

Nocaute

Publicado: setembro 10, 2015 em Cinema
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nocauteSouthpaw (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A volta do boxe ao mundo do cinema. A estrutura é basicamente a mesma dos filmes do gênero, chegada ao ápice (título mundial), a queda catastrófica (financeira) e de confiança, e o retorno rumo à redenção. Guarda algumas diferenças ao mais celebrado do gênero, Rocky tem o charme desajeitado, a ingenuidade de um coração maior que a força de seu punch. O filme de Antoine Fuqua é uma modernização, do hip hop à ingenuidade agressiva, perde o humor e mergulha em cargas dramásticas mais profundas.

Tecnicamente, além de uma câmera que parece tomar murros dos boxeadores, a não utilização de contra-plongée no ringue, o resto é bastante semelhante. A aposta é toda em Jake Gyllenhaal e o peso da tragédia que arrebata sua vida. A perda da esposa (Rachel McAdams), o afastamento da filha, e o quase mendigar para o novo treinador (Forest Whitaker). É pouco, porque falta o charme, o romantismo da época áurea do boxe, e sobra a rigidez de um filme executuado para todos os públicos, violento e comportado.

oabutreNightcrawler (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Freelancers alucionados por imagens chocantes, que possam ser vendidas aos noticiários de tv, e assim levantar uma boa grana. Grata surpresa a estreia na direção do roteirista Dan Gilroy, a óbvia critica ao show de horror que se tornou o sensacionalismo do jornalismo televisivo, ávidos por casos policiais, traz a tona os limites da ética, do bom senso, e da privacidade. Mas o filme não é só isso.

A noite, escura, profunda, fosca, explorada estilosamente pela fotografia de Robert Elswit, se torna o palco para a alucinante vida de Louis Bloom (Jake Gyllenhaal). Um sujeito exemplar na arte de não ter excrúpulos. Filho prodígio da internet, sem estudos, foi na rede que ele aprendeu técnicas de negócios, discursos empreendedores e os demais traquejos assustadores com que conduz suas relações em sociedade. Um Gyllenhaal alucinante, de olhares obcecados e uma sede de abutre sob a carniça da noticia entre tiroteiros, acidentes de carro e assaltos com vítimas.

Se o filme é manipulador, talvez picareta, consegue imprimir tensão em sequencias de suspense e perseguição, com timing e dramaticidades equivalentes à persona do freelancer sedento por ocupar seu espaço. Novamente a mídia transformando, catapultando comportamentos caóticos, esquizofrênicos, repugnantes. Gilroy provoca a grande mídia com as discussões éticas nas salas de edição, com Rene Russo desesperada por novos “furos”, é verdade que Gilroy não consegue absorver todos os personagens, não permite o outro lado, seu filme só dá lugar aos abutres, aos rastejantes nortunos (do título original), ainda assim funciona hermeticamente no mundo de exageros repugnantes que constrói.

ohomemduplicadoEnemy (2013 – CAN) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O romance de José Saramago, sobre a questão da identidade no mundo contemporâneo, nas mãos do diretor canadense Denis Villeneuve se tornou um suspense, com toques sombrios e sobrenturais (tentando imitar David Lynch). Preste atenção em todos os detalhes, procure os mínimos detalhes até entender o quebra-cabeças que explica a relação e idêntica semelhança entre Adam e Anthony, interpretados por Jake Gyllenhaal.

Clones? Sósias? Irmãos? Como podem ser tão idênticos? O filme limita-se a estabelecer um clima de suspense para levantar tais suspeitas, até descambar para essa necessidade de criar a tensão. As mulheres em cena são meras coadjuvantes, tanto a mãe (Isabella Rosselini), quanto as esposas/namoradas (Mélanie Laurent e Sarah Gordon) funcionam como meros trampolins para as conexões da história que tentam embaralhar, antes de explicar.

O tema da identidade inexiste no roteiro, restando essa alternativa, bem mais comercial, de criar mistério sem discutir nada. Bem mais fácil buscar cenas de algum teor lacrimoso e qualquer possitibiidade de dualidade na interpretação.

osuspeitosPrisioners (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Denis Villeneuve tem uma carreira extensa como diretor, mas seu nome se destacou mesmo com Politécnica (sobre um atirador numa escola canadense, antes de Columbine). Seu filme seguinte (Incêndios) ganhou adeptos do público que se envolve com a “história” e raiva nos que se incomodam com as coincidências do destino. O sucesso foi o bastante para que ele conseguisse angariar um elenco de peso (Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Viola Davis, Melissa Leo, Paul Dano e Terrence Howard).

Trata-se de mais uma história sobre “quem é o bandido?”. Alguns suspeitos, pais desesperados pelo desaparecimento das filhas, e um policia apanhando para conseguir desvendar o mistério. Porém, diferente de outros filmes do gênero que se destacaram, Villeneuve apenas conta uma história, do seu jeito pop com quê de autor (que de autor, passa longe). São planos banais, atuações e diálogos também básicos, e a manipulação de fatos e personagens ao bel-prazer do roteiro. Espanta que tantas pessoas ainda se surpreendam com tais artifícios.