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360 (2011 – ING/AUT/FRA/BRA)

O pecado é a obviedade, e ela está tão concentrada no roteiro de Peter Morgan (inspirado livremente numa peça teatral de Arthur Schnitzler) que realmente parece um filme de Morgan, com uns toquezinhos modernos do Fernando Meirelles e sua trupe. Enquanto o roteirista se mostra obcecado pela ideia de que “quando encontrar uma bifurcação, escolha um dos lados do caminho”, e contecta pessoas do mundo todo, sempre com o sexo como mote. Meirelles brinca de split-screen, de espertos movimentos de câmera, e cortes dinâmicos nos diálogos.

A fluidez de Meirelles até consegue tornar o tom palatável, já a história envolvendo prostituta eslovaca, traições, estuprador sofrendo tentação e uma série de outros percalços não vai além de uma eterna redundância que precisa ser justificada com diálogos e cenas que expliquem o que já está tão óbvio.

No fundo, nos tornarmos testemunhas de histórias que pouco nos interessam, clichês da vida moderna conectados para mostrar que estamos tão ligadas que o destino de um, depende do outro. É uma premissa frágil se não temos atração por aqueles personagens e seus dramas de cores tão pastéis. Vidas sem brilho, filme sem emoção, por mais que haja certo clímax na relação tensa criada no aeroporto (envolvendo Maria Flor e Ben Foster). Mas é pouco, e no final, ainda teremos mais doses desse mantro moral sobre tomar um caminho (e mudar o destino dos demais).

Hors La Loi (2010 – FRA)

Rachid Bouchareb traz uma versão gangster dos tempos de luta pela libertação da Argélia, dessa vez a linha narrativa é conduzida pela história de três irmãos que são levados de seu país natal para a França e seguem caminhos distintos. Um vai lutar pelo exercito frances na Indochina, outro militante convicto da FLN torna-se figura importante nos conflitos em terreno frances, e o terceiro envolve-se no mundo dos cabarets e lutas de boxe em Pigalle. Das favelas francesas onde vivem os africanos imigrantes dos países de colonização francesa, aos becos onde confrontos entre “gangues” opostas e a própria polícia digladia-se dentro de um ar estritamente suntuoso (o filme de Bouchareb é grandioso, faz referência a uma elegância da época dentro de um clima tão violentamente disputado), o filme transcorre por essa veia política de acontecimentos fundamentais para a independência argelina. As cenas de tiroteio ou no ringue de boxe são extremamente bem filmadas, elegantes e de alto impacto, a carga política e os ideais nacionalistas estão escondidos por entre cenas clássicas e formais (principalmente na primeira metade), talvez seja o primeiro filme desse tema onde o charme seja tão importante quanto a discussão política.