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Terms of Endearment (1983 – EUA)

A salada melodramática promovida por James L. Brooks e protagonizada por Shirley MacLaine e Debra Winger é de enlouquecer qualquer um. Essa relação mãe e filha existe (podem acreditar, eu já vi) , uma coisa que as consome, mas que não as permite se afastar. Invasiva, indiscreta, dependente, praticamente uma falta de respeito.

O roteiro ainda tumultua essa relação desgastante com um bando de personagens como o marido infiel (Jeff Daniels) e o vizinho ex-astronauta e beberrão (Jack Nicholson). Veja, os homens são sempre seres desprezíveis, porém elas altamente dependentes deles. Enfim, toda uma história dramática ao extremo envolta por um carinho açucarado e um conjunto de cenas apelativamente dramáticas.

É fórmula certa para um público médio que está louco para se emocionar, para de alguma modo se encontrar num personagem e notar que a vida infeliz não é exclusividade sua. Tanta ternura junta que não se assuste, o dvd deveria trazer como efeitos colaterais o alto risco de causar náuseas.

As Good As it Gets (1997 – EUA) 

Tem um quê de comédia romântica que define o gênero em sua década. A cada nova revisão, nova paixão, pela forma, como o diretor James L. Brooks, conduz a transformação de um personagem tão solitário, egocêntrico e ranzinza, incapaz de ser gentil ou fazer um elogio, num homem apaixonado, claro que a sua maneira. Esse é Melvin (Jack Nicholson), o escritor de sucesso, e uma personalidade das mais problemáticas. Cheio de manias, como travar e destravar cinco vezes a porta, ou almoçar, todo dia, na mesma cadeira, do mesmo restaurante, e ser atendido pela mesma garçonete, Carol (Helen Hunt). Exemplos de alguns excentricidades, de alguém, com conforto financeiro, e a arrogância como arma de defesa, contra o convício social. Quando alguma situação foge de sua rotina, impera nele o descontrole, como a de um garoto mimado.

O contraponto a todo o alívio cômico do personagem central é mesmo a garçonete. Explosiva, carente que alguém que lhe dê alguma atenção es especial, e repleta de problemas pessoais. Desse caos que, naturalmente, ela é capaz de descongelar o coração espinhoso do escritor rabugento, até por ter a coragem de falar não e impor limites às extravagâncias sociais del. É Helen Hunt quem dá as deixas para Jack Nicholson ser engraçado, cativante, irritante ou, até mesmo doce. E também que permite a Greg Kinnear (o vizinho gay) a surgir como essa revelação inesquecível. O público ri do rude, mas é cativado pelas possibilidades de transformações, pela quebra de limites pessoais, e pelo esforço de transgredir essas barreiras psicológicas, em prol de uma mudança, que possa resultar no dar e receber amor. Sensível e divertido, é James L. Brooks na dose certa.