Posts com Tag ‘James Spader’

vingadores2aeradeultronAvengers: Age of Ultron (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Passada a novidade do encontro dos heróis da Marvel, num mesmo filme, e das sequencias dos filmes individuais, chega a hora do novo encontro dos Vingadores, e surge uma pergunta: Até quando os filmes permanecerão tão iguais? Porque, se teremos uns três filmes por ano, dessa turma, há que se apresentar algo além, ou o público-pipoca se contenta com o humor característico e as expressões de efeito dos heróis diante dos vilões?

Criou-se um ciclo vicioso. O humor de Tony Stark (Robert Downey Jr) precisa estar presente nos demais heróis. O timing humorístico já não é o mesmo porque a fonte seca. Por isso, exceto as brincadeiras com o martelo do Thor (Chris Hemsworth), o rsto não funciona, mas passa batido dentro da farofada que Joss Whedon segue comandando.

O tema inteligência artificial parece a bola da vez em Hollywood. Primeiro foi o esquecível Chappie que retoma a ideia, e agora os Vingadores sofrem também com este advento (em breve teremos o novo Exterminador do Futuro). Ultron (James Spader) e Visão (Paul Bettany) são inserções interessantes ao mundo Marvel, porém ficam de escanteio, em detrimento as farpas trocadas entre Homem de Ferro e Cap. America (Chris Hemsworth), o romance complicado entre Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlet Johansson), ou a tentativa de dar protagonismo ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). A franquia parece mais preocupada em dar suporte aos próximos filmes, do que se estabelecer como um filme interessante. Prefere ser pura farofa.

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lincolnLincoln (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O problema do filme é Steven Spielberg. Há Spielberg demais no filme, e isso inflama tanto o roteiro, a trilha sonora, a distancia narrativa entre dois nucleos (Casa Branca pacata, Congresso inflamado), que essa busca pelo filme “sério” cria um frankenstein da história americana.

Primeiramente, o filme é sobre a 13ª Emenda, não sobre Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis). Ele é o protagonista por colocar seu prestigio, e força política, na aprovação dessa emenda, que resultava na abolição dos escravos (na verdade ia além disso). O intuito era colocar fim na Guerra Civil que assolava o país. Não há participação dos negros nesse processo (da forma como está no filme). Há um congressista (Tommy Lee Jones) que insiste nessa emenda há décadas, e Spielberg consegue estragar tudo quando entra na casa dele. Fora isso, todo o poder do governo em negociar com congressistas para obter sua aprovação.

É um filme sobre os mecanismos políticos da época, permeado com a figura de Lincoln entre suas relações familiares, e sua pausa para narrar “causos”, a quem quer que fosse. Se a dose dramática está distante do roteiro, Spielberg abusa de John Williams preenchendo qualquer espaço que encontre – chega a causar náuseas. Dessa forma temos um Lincoln apresentando à maneira de Spielberg, um momento crucial da história mundial transformado em filme de tribunal, e dezenas de cenas cansativas e nada inspiradas que alongam, desnecessariamente, toda essa ode aos meandros políticos do século XIX.

Crash (1996 – CAN) 

Estamos falando de sexo e fetiche nessa adaptação do livro homônimo de J. G. Ballard. E, também, estamos em mais um trabalho do diretor David Cronenberg, que sempre se apodera do bizarro e do provocador para atrair o público. O mais fascinante do filme é quase propor um estudo psicológico da sede dos personagens por viverem o prazer do fetiche, de descobrir e extravasar seus limites. Fetiches são fetiches, mas essa sede vai muito além porque eles adicionam o risco, e essa estranha ligação entre acidentes e sexo que excita. A trama tem um casal (Deborah Kara Unger e James Spader) vivendo um casamento aberto, compartilhando na cama as experiências e fantasias realizadas fora do matrimônio. Ele se envolve num acidente de carro fatal e desenvolve uma atração doentia pela recém-viúva (Holly Hunter) que acaba o levando a um grupo de acidentados e deformados que reconstitui acidentes fatais de famosos (como o de James Jean). Carros, sexo e cicatrizes juntos. Há limites para o prazer?

Cronenberg nos faz mergulhar nas perversões entre o excitante e a repulsa, não faltam exemplos como a incrível cena em que todos assistem a um vídeo sobre testes com cinto de segurança, enquanto deliram e acariciam-se uns aos outros a cada batida. A libido ganha um ingrediente adicional que é essa relação com a máquina e com o que ela pode causar (no caso, as cicatrizes). De maneira chocante, crua e inteligente o cineasta apresenta a obsessão doentia como atalho ao clímax sexual.