Posts com Tag ‘James Stewart’

The Greatest Show on Earth (1952 – EUA)

Não espere nada além da falácia de Cecil B. DeMille em dar grandiosidade (ao show que à época era majestoso) a todo esse universo circense retratado de forma coadjuvante. Sim, estamos dentro do picadeiro, ou melhor, na longa temporada por tantas cidades, no processo de monta e desmonta, viagem, animais, e o risco de cortes de orçamento caso não haja lucro. Tudo purpurina, DeMille quer mesmo brincar com o triangulo amoroso entre workaholic chefão da companhia (Charlton Heston) e dois trapezistas, o Grande Sebastian (Cornel Wilde) e a bela em ascensão (Betty Hutton). Entre cenas no trapézio de tirar o folego e a lenga-lenga amorosa enquadrada perfeitamente no mundinho cor-de-rosa do cinema de Hollywood dos anos 50, temos um personagem misterioso, rico em nuances, certo palhaço que nunca tira maquiagem (James Stewart), e nele enxergamos um mundo diferente, onde as relações humanas são observadas como cruéis enquanto devolvem singeleza, onde é possível enxergar onde os problemas vão parar, mesmo que não se envolva a eles, e onde a pureza do amor pode significar atitudes questionáveis. O circo, o triangulo amoroso, são o mundo de DeMille, já o discreto palhaço é o verdadeiro filme.

James Stewart - vertigoVertigo (1958 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Alfred Hitchcock é o mestre do suspense, mas, como que numa dessas coincidências do cinema, em sua grande obra-prima, as cores do romance deixam o clima de suspense tão saboroso, a ponto de permitir a proximidade do cineasta com a perfeição. Baseado no livro “D’Entre les Morts”, dos autores Pierre Boileau e Thomas Narcejac, Alfred Hithcock divide seu filme entre o famigerado (e mais que eficiente) suspense psicológico, e um amor obcecado. A dor da perda controla Scottie Ferguson (James Stewart), chega ao ponto de pedir a uma estranha que se vista com as mesmas roupas de sua amada.

Mas, antes disso, há a cena de perseguição no telhado, a descoberta da acrofobia (medo de altura), a morte trafica e a aposentadoria de Scottie da polícia. Um antigo amigo de Scottie está preocupado com aparentes tendências suicidas de sua esposa (Kim Novak), há algum tempo ela tem apresentado comportamento estranho, por isso, o amigo, solicita a Scottie que siga seus passos. A música, as pequenas pistas espalhadas, as coincidências, dizer que Hithcock é mestre na arte de amarrar roteiro e público é um pleonasmo. A trama passa do ritmo pacato da observação para uma aproximação perigosa entre observador e observado. Até chegar a novo estágio, onde se afunila em momentos de tensão máxima, o genial efeito Vertigo (criado durante as filmagens, trazendo a perfeita sensação do medo de altura). Mas, calma, ainda faltam 30 minutos.

Chega a fase em que James Stewart invoca um personagem atormentado, não só pelo medo de altura, principalmente pela perda de seu amor. O quê paranormal, a obsessão salta aos olhos brilhantes de Stewart. Não falta clímax, não falta romance, e, principalmente, não faltam surpresas e revelações. Um dos mais imperdíveis clássicos do cinema.

ohomemquesabiademaisThe Man Who Knew Too Much (1956 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um casal feliz com uma vida econômica estável, um filho inteligente e educado, a esposa que abdicou de sua carreira pela família, a figura do machista que prefere ser bronco a sofisticado e possui sempre a última palavra em casa; resumindo: a família irritantemente perfeita do american way of life. Alfred Hitchcock realizando remake de um próprio filme seu.

O cineasta encarrega-se de espalhar pequenos assombros de mistério, enquanto confecciona essa categorização. O ar apreensivo somente climatiza a atmosfera sem causar arroubos de espanto. Refilmar seu próprio filme, não parece um desafio tão tentandor, que não economicamente, parece até pior do que forçar continuação, imaginem só se essa moda tivesse pego.

O roteiro leva essa família a uma viagem de férias em Marrocos. O médico (James Stewart) patriarca é abordado por um sujeito esfaqueado, que lhe sussurra um segredo de Estado, pouco antes de morrer. Do encontro casual, o médico passa a ser perseguido e chantageado, o filho seqüestrado, tudo para que não revele o tal segredo.

Eis a construção de mais um herói incólume. A capacidade de concluir, do personagem de James Stewart, chega a ser aborrecedora. Por outro lado, traços de humor minimizam essa estereotipação do herói comum. Hitchcock utiliza a favor do roteiro a capacidade de Doris Day soltar a voz, a música Que Sera Sera torna-se chave na trama, numa cena inábil e tola que ganha contornos heróicos.

Se todo o roteiro é alicerçado em inverossímeis acontecimentos que nem parecem fazer parte de um filme do mestre do suspense, Hitchcock concentra toda sua maestria no clímax perfeito. O majestoso Royal Albert Hall é o palco da seqüência sufocante, a câmera aponta para o assassino, corta para Doris Day aflita, vai para o primeiro-ministro, abre o plano e exibe a orquestra se apresentando ativamente, depois centraliza num dos instrumentos que será crucial. E esse vai e vem, armado na mesa de edição, é contínuo, fora de padrão. As tomadas estão embaralhadas, e essa combinação de cortes, deixa qualquer um atônito, na espera de seu desfecho. Por ser a cena principal do filme, mas não a finalização, o remate é inesperado e por isso ainda mais sufocante. Às vezes poucos momentos valem um filme, este é mais um desses casos.