Posts com Tag ‘Jane Birkin’

amoresparisiensesOn Connait la Chanson (1997 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Diálogos interrompidos por momentos musicais (funcionando como uma espécie de liberdade do público em enxergar a consciência, o desejo de seus personagens). A leveza por trás de tudo, Alain Resnais novamente atacando nas pequenas coisas da vida, o cotidiano. O roteiro é do casal Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, eles também estão no elenco, juntamente com os habitués de Resnais. Os trabalhos do casal são sempre marcados por um humor ácido, e também por essa leveza que Resnais parece elevar a graus de flutuação.

Encontros e desencontros amorosos, coincidências que aproximam ou causam confusões. Amores Parisienses trata dos tipos que habitam Paris, a forma como se relacionam entre eles e a cidade. Os novos prédios, a vista da Torre Eiffel, os museus, e as decepções, os amores, e as depressões. Sorrisos, pequenos toques de genialidade, Resnais e sua trupe transformando o abstrato em real, quase tangível. É gracioso, é simpático, sem deixar de ser autêntico. Tirar o maravilhoso da simplicidade, é assim que Resnais segue flertando com todos os tipos de arte, e absorvendo cada uma delas em seu cinema, a música aqui é mais que uma ferramenta, é o puro charme.

36vistasdomontesaintloup36 Vues du Pic Saint-Loup (2009 –  FRA/ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

À beira de uma estrada minúscula, uma mulher (Jane Birkin) estaciona seu carro, capô levantado, completamente perdida. Passa um carro sport, alta velocidade, nem dá bola para a senhora necessitanto de ajuda. O carro volta, desce um sujeito (Sergio Castellito) bem vestido, de óculos escuros. Não abre a boca, dá uma olhada no capô levantado, mexe em alguma coisa e faz o carro pegar. Vai embora, sem se despedir, em silêncio.

Assim começa o último trabalho de Jacques Rivette. Praticamente uma traquinagem do doce cineasta frances, afinal, seu filme pouco se representa com essa abertura. Trata do mundo do circo, essa vida decadente e nômade. Mas também dos traumas humanos, das relações pessoais. Rivette praticamente filma o anti-romance, o italiano forasteiro pouco fala sobre si, porém vai se envolvendo com cada um dos cirsenses, ouve histórias, inspira, enquanto ascende a chama de sua paixão pelo circo, e um brinca com um inesperado flerte.

É reconfortante a maneira como Rivette homenageia os palhaços, brinca com a montagem ao oferecer em pedaços um dos números. É uma doçura angelical, mas, ao mesmo tempo, tem um quê de nonsense, nas relações, nos personagens, nessa coisa abstrata e finita que se configura no determinado tempo de duração desse filme.

Gainsbourg – Vie Heroique (2010 – FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Não poderia ser mais pobre a cinebiografia desse ícone da música popular francesa dos anos sessenta. Polêmico, libertinoso, sensual, a vida do poeta judeu Serge Gainsboourg (Eirc Elmosnino) vem às telas sob a visão do cartunista Joann Sfar. Desse estilo, fábula em quadrinhos, criado por Sfar, o que melhor se salva é a fase criança, a relação com os pais e o amor/ódio pelo piano. Entra em cena um personagem imaginário do garoto, uma criação que mais parece sua consciencia mais perversa. E tal personagem flertará com ele (no filme) pelo resto de sua vida, da ascenção à destruição.

De resto, as grandes canções, as grandes mulheres e os casos amorosos, apenas caem como para-quedas e desaparecem como chuva da vida e do filme. A sensualidade das canções passa quase desapercebida, Juliette Gréco e Brigitte Bardot meras figurantes, só Jane Birkin consegue algum destaque. O que parecia impossível, Joann Sfar conseguiu perfeitamente, tirando os cigarros, a cinebiografia de Gainsbourg vem comportada e apática.