Posts com Tag ‘Jane Fonda’

Nossas Noites

Publicado: novembro 25, 2017 em Cinema
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Our Souls at Night (2017 – EUA) 

Trata-se de outra produção original da Netflix, que tem Jane Fonda e Robert Redford como protagonistas. Não precisa dizer mais nada, o filme dirigido por Ritesh Batra já tem mídia o bastante garantida. Não é atora que a Netflix adicionou em seu catálogo um dos filmes que a dupla trabalha junta: Descalços no Parque. Poucos filmes oferecem visão carinhosa do romance na terceira idade e esse cumpre seu papel de provar que não há idade para se apaixonar. É bonita a forma como o casal busca diminuir a solidão na proposta dela de passarem noites juntas, inclusive dormir na mesma cama, sem que haja obrigatoriedade de sexo.

E assim, pouco a pouco, vão entrando na vida um do outro, sempre com Batra buscando construir um conjunto de cenas doces (preparar o jantar, caminhar no centro no domingo de braços dados, brincar com o neto), que pesem mais pela maturidade do que a explosão amorosa. O combate á solidão tem seus efeitos, dos comentários da vizinhança ao resgate de problemas passado que o tempo parecia ter enterrado no fundo da memória. As noites deles os deixam mais humanos, por mais que isso tenha seus prós e contras, e o julgamento de tudo e todos.

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youthYouth (2015 – ITA/FRA/SUI/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os últimos filmes de Paolo Sorrentino tem clara predileção pela terceira idade. O escritor de A Grande Beleza (que lhe rendeu o Oscar de Filme Estrangeiro), o roqueiro de Aqui é o Meu Lugar, até mesmo o político de Il Divo, estão todos passando pela crise da velhice. A diferença crucial entre estes filmes é a abordagem do cineasta italiano, que a cada vez flerta com o abstrato, o subjetivo. Isso, sem falar em quão pedantes eles se tornam.

Um hotel luxuoso abriga uma série de celebridades, em férias, que tentam se afastar dos holofotes da mídia. Atores e cineastas, músicos, jogadores de futebol, até a Miss Universo se hospeda ali. Os personagens que serão desenvolvidos orbitam a vida do regente Fred Ballinger (Michael Caine). Entre diálogos repletos de “experiências de vida” e imagens superlativas que provocam o contraste entre velhice e juventude, Sorrentino tenta estabelecer a melancolia da idade avançada, enquanto os jovens sofrem por outros tipos de mazelas e arrogâncias.

São tantas imagens plasticamente bonitas, tantas alucinações metafóricas, aliadas os discursos sobre passado ou bom-senso, é tanto que Sorrentino busca poetizar seus fotogramas, que a arrogância de discurso de seu cinema vai chegando a proporções em que ignorá-lo seja o melhor caminho. Parte do público poderá encontrar identificação, mas de modo geral Sorrentino coloca seus filmes num pedestal inalcançável como se assisti-los fosse uma experiência transcendental de clareza da vida.

The China Syndrome (1979 –EUA) 

Era para ser uma simples reportagem sobre o funcionamento da primeira usina nuclear dos EUA. Nas mãos do diretor James Bridges nasce um importante estudo da liberdade de imprensa e das questões políticas que aproximam interesses do governo, da grande imprensa. E também, a questão de saúde pública e as proteções governamentais que vão de encontro ao interesse comum. Nesse jogo complexo, de vida em jogo, é travada a luta, nos bastidores, pela exibição de uma gravação comprometedora.

Kimberly Wells (Jane Fonda) apresenta notícias fúteis num telejornal, coisas como o aniversário de um tigre no zoológico. Sua emissora pretende fazer um especial sobre o funcionamento das usinas nucleares, nos EUA há uma em funcionamento e outra em processo de conclusão. Kimberly parte com o câmera Richard Adams (Michael Douglas) – ativista contra usinas nucleares, para a gravação da reportagem, até que um acidente na usina cria alvoroço na sala de controle. Richard percebe a preocupação do pessoal, tentando resolver o problema, e grava às escondidas toda a movimentação agitada na sala. Um furo nas mãos, mas a direção da emissora prefere entender melhor o que realmente aconteceu. antes de comprar briga com a usina. De outro lado, o supervisor da usina Jack Godell (Jack Lemmon) descobre a falta de interesse por segurança da alta cúpula, quando comparado aos milhões de dólares que estão perdendo com a usina fechada. São os interesses econômicos colocados acima de tudo.

Essa pequena pérola esquecida sumiu da mídia atualmente, mas causou frisson devido a um grave acidente nuclear, nos EUA, doze dias após sua estréia nos cinemas. Em resumo, é um suspense muito bem arranjado, com um Michael Douglas jovem e ativista cabeludo, e Jack Lemmon em outro momento de puro talento. Quando a cena não vai muito bem, basta apontar a camera em sua direção, que o clima de suspense está garantido.

amantesefinancasRollover (1981 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

 Drama político sobre as artimanhas, e o jogo sujo, das instituições bancárias, em movimentações milionárias. Lee Winters (Jane Fonda) é uma ex-atriz, recentemente viúva, assumindo o posto do falecido marido, numa empresa petroquímica endividada. O banqueiro Hub (Kris Kristofferson) foi contratado, por um grande banco americano, como última esperança diante da falência. Um dos principais clientes deste banco é a empresa petroquímica de Lee, o que acaba aproximando os dois. A trama melhor se apresentando quando aparecem os indícios que o marido de Lee foi assassinado, e não um simples assalto como se acreditava.

A aproximação entre Lee e Hub se torna uma grande ajuda ao audacioso plano dela em recuperar a petroquímica, além de um relacionamento às escondidas. Um quebra-cabeças que pode explicar a morte a investidores árabes ligados ao banco. Alan J. Pakula mantém bem o ritmo de thriller, escapando do melodrama romântico. O foco principal fica na conspiração, e os detalhes econômicos. A cena final é muito inteligente e nos faz pensar sobre toda a situação e a forma de capitalismo que o mundo está inserido.

 

cacadahumanaThe Chase (1966 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É um filme sobre descontrole, sobre justiça com as próprias mãos. E também sobre cidades pequenas e as relações entre magnatas e governo, rabo preso, corrupção (não necessariamente financeira). Bubber Reeves (Robert Redford) fugiu da cadeia, com outro presidiário. Na fuga, seu companheiro acaba matando um homem. Bubber passa a ser perseguido, não só  pela fuga, como pelo assassinato. Seu destino de fuga é sua cidade natal, em busca da guarida de sua esposa (Jane Fonda), e seus amigos. As noticias correm rápido, e após uma noite de muita bebedeira a população decide ir à caça de Bubber. Querem justiça, a todo custo, passando por cima de qualquer coisa, inclusive da lei.

A esposa tem um caso com Jake Rogers (James Fox), antigo amigo de infância de Bobby, e filho do magnata da cidade Val Rogers (E. G. Marshall), que parecer ter responsabilidade na prisão de Bubber. O Xerife Calder (Marlon Brando) vive uma fase de baixa credibilidade, a população questiona seu comportamento muito próximo ao do magnata. Caçada Humana foi grande sucesso na época, um grito de libertação destemperado. O roteiro me parece tão irregular, a direção de Arthur Penn de altos e baixos. Robert Redford é um fugitivo que mal aparece, Marlon Brando faz muita careta, e exagera na cara de mal. Jane Fonda e James Fox são mal utilizados, e ainda há uma mulher libertina (Janice Rule) sem nenhum propósito na história. Cenas como a da festa na casa dos Stewart e principalmente a final são horríveis. Quem está bem no filme é Angie Dickinson como a esposa do xerife, Robert Duvall também convence no papel do homem fraco e impotente.