Posts com Tag ‘Javier Camara’

trumanTruman (2015 – ESP/ARG)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Eis o grande vencedor da última edição dos prêmios Goya (filme, ator, ator coadjuvante e etc). Trata-se de outro filme bastante masculino do diretor Cesc Gay. O que os Homens Falam era uma comédia de costumes masculinos, bem ruim por sinal. E neste novo trabalho, Gaye repete parte da fórmula, e dois dos atores desse filme anterior (Ricardo Darín Jávier Cámara).

Eles são os dois amigos inseparáveis à procura de uma família adotiva para o cão de Julian (Darín) que está com câncer em estágio avançado. O mote das despedidas e outras crises sentimentais pessoais, ou de pessoas próximas, é bastante óbvio. É um filme carregado de melancolia, de olhares adocicados e trilha sonora tranquila, enquanto assiste a essas despedidas, pequenos acertos de contas, e comportamentos amáveis do galã de teatro que vem o fim próximo. O resultado é outro filme de pobreza cinematográfica, calcado apenas nesse contar uma história para emocionar.

Vivir-es-fácil-con-los-ojos-cerradosVivir Es Facil con los Ojos Cerrados (2013 – ESP) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O triunfo arrebatador no Goya, do filme dirigido por David Trueba, (entre outros prêmios ganhou filme, diretor, roteiro e ator) não deve resultar num grande sucesso fora dos domínios espanhóis. A ternura exagerada na narrativa (baseada em fatos reais) traz ao filme uma perigosa proximidade com a fábula (que, aparentemente, não era a intenção de Trueba), de modo a contradizer com outros temas centrais, como libertação e ditadura militar.

Em 1966 John Lennon vai à Espanha filmar, How I Won the War. Um professor de inglês (Javier Camara), fanático pelos Beatles, parte num road movie, atrás de se encontrar com Lennon. Pelo caminho encontra dois jovens, Belén (Natalia de Molina) de 20 anos, e Juanjo (Fracesc Colomer) de 16 anos. Help e Strawberry Fields Forever são alguns dos instrumentos que o solteirão, tão doce e simpático que só nos livros de literatura, divide com os dois jovens um pouco de sua vivência, enquanto se aproveita da juventude para extrapolar seus sonhos.

É muito bonito no papel, porém Trueba não desenvolve tão bem tantas possibilidades de libertação, de descobertas. Fica tudo amarrado ao paternalismo do doce protagonista, que parece travado entre a efervescência de sua mente e seu comportamento controlado. Singeleza demais e liberdade de menos a seus personagens.

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Una Pistola en Cada Mano (2012 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Como é ser homem, atualmente, e viver na faixa dos 40 anos? Que tipos de aflições e medos, dramas e dúvidas, qual o conforto financeiro e as relações amorosas que vivem? Aquele clima de filme coletivo, estilo Paris, Te Amo, com histórias curtas, um quê de comédia, e um elenco de chamar a atenção.  Se o filme não sofre da uniformidade resultante da mão de vários diretores, o cineasta Cesc Gay pouco de interessante consegue agregar, seja pelas histórias banais e nada inspiradas, seja pela abordagem primária.

oquefalamoshomens2Dos que voltaram a morar com os pais, aos que tentam uma escapadinha fora do casamento, ficamos mais atentos apenas à aparição de Javier Cámara na agridoce história do homem que se divorciou e tenta reatar com sua esposa. E, principalmente, ao encontro de Ricardo Darín e Luis Tosar, o traído que seguiu a esposa à casa do amante e o amigo que confunde o nome das namoradas e do cachorro. As demais são muito apagadas, e pecam por um grau de veracidade sem brilho, como se fossem histórias que sequer merecessem serem contadas. Os 8 homens não representam a gama masculina dessa faixa etária, e nem conseguem trazer vidas pitorescas ao público.

osamantespassageirosLos Amantes Pasajeros (2013 – ESP) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Muita gente torce o nariz, mas eu admiro Pedro Almodóvar e Woody Allen. Eles carregam essa carga de “cineastas-autores”, emplacaram seus filmes nas grandes redes exibidoras de cinema, onde imperam apenas os blockbusters. Respeito pelo status que alcançado. Mas quando chega um novo filme desse “peso-pesado”, e não consegue espaço em nenhum festival importante, vai parar no Festival de Los Angeles? É atestado de que o filme não deu certo. Acompanhar carreiras traz esse sabor de tentar entender, traçar um panorama, novos horizontes. No caso de Pedro Almodóvar, os sinais de desgaste de seu cinema são bem evidentes. Seus últimos filmes patinam entre momentos de brilhantismo, e repetições inferiores ao que ele já fez tão bem. A Pele que Hábito é o melhor caso, revisitando o bizarro e as mutações sexuais, porém o incremento financeiro não faz jus à maturidade, a nova visão sobre o que foi visto antes carrega pragmatismo.

Dessa vez ele resolveu voltar ainda mais longe na carreira, resgatar suas comédias de início de carreira. Elas eram escrachadas, exageradas, atrapalhadas até o limite. Foram o início de sua trajetória, cheias de imperfeições, mas divertidas. Sua nova aventura humorística traz o que Almodovar tinha de típico, sem que nunca consiga chegar a lugar algum. Um bando de gays afetados, o sexo transformado em vulgar, e os dramalhões exagerados, todos os tons passam dos limites que Almodovar já tinha esticado. O resultado final é constrangedor, a reunião de boa parte dos atores que formaram sua filmografia merecia um pouco mais de carinho, a despretensão disfarçada mostra o desgaste que Almodóvar não consegue se livrar. Apelando, e da forma mais triste possível.

falecomelaHable con Ella (2002 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Deixando um pouco de lado as mulheres e mergulhando no universo masculino. O diretor Pedro Almodóvar começa contando a história de Benigno (Javier Cámara), um enfermeiro que trabalha exclusivamente para Alicia (Leonor Watling). A moça está em coma há quatro anos após sofrer um acidente automobilístico. O enfermeiro cuida de sua paciente com dedicação extra, entrega-se em massagens com cremes, conversa com ela, lê muito, facilmente percebe-se que ele é, completamente, apaixonado pela moça. Em flashbacks o filme nos conta que essa paixão é anterior ao acidente, e que ele vive um estranho sentimento de satisfação por ter encontrado uma forma de aproximar-se dela.

O filme passa a contar a história do jornalista Marco (Darío Grandinetti) e da toureira Lydia (Rosario Flores). Ela tornou-se muito famosa por seus feitos nas arenas e acabara de terminar seu relacionamento com outro toureiro quando conheceu Marco, que queria apenas uma entrevistar. O romance é interrompida quando Lydia sofre um acidente na arena e também entra em coma. Lydia é internada no mesmo hospital que Alicia. Marco e Benigno tornam-se amigos. Começa a exploração, de Pedro Almodóvar, dos sentimentos masculinos. Marco é introvertido, não sabe demonstrar sentimentos. Benigno expressa tudo o que sente, dedica-se de corpo e alma, ao seu amor.

Almodóvar continua trabalhando com roteiros amplamente arquitetados, cheios de nuances, encontros de personagens, revelações. As mulheres são as grandes inspirações destes personagens masculinos. O diretor espanhol usa seu talento para inserir elementos que antes não eram encontrados em seu cinema, como o delicioso filme (dentro do filme) mudo, ou a emocionante cena de Caetano Veloso cantando Cucurucucu Paloma (talvez o grande momento).

As cores fortes seguem presentes, mas com menor intensidade. É um Almodóvar delicado, ele resgata a feminilidade entre personagens masculinos. Há encanto da maneira como eles tratam de suas amadas, amorosos ao extremo. há momentos que beiram o brilhantismo, principalmente quando os fatos são clareados, as verdades veem à tona, e descobrimos detalhes transformam príncipes em vilões. As citações ao Brasil não param em Caetano, menciona-se Tom Jobim e há uma música lindamente cantada por Elis Regina logo no início.