Posts com Tag ‘Jean Dujardin’

cacadoresdeobrasprimasThe Monuments Men (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quando nos damos conta de mais um filme com George Clooney e sua trupe tem-se a impressão de algo estilo Onze Homens e Um Segredo ou Bastardos Inglórios. Aquela sensação de que os atores estão se divertindo mais ao gravar do que o público em assistir (não que o público não se divirta). Mas não é bem assim nessa nova incursão de Clooney pela direção. Sua motivação aqui são grandes temas, um resgate do cinema dos anos 40, aquele que tem o herói John Wayne e uma trilha sonora animada que beira o patriótico.

Plena Segunda Guera Mundial, os aliados encurralando Hitler, eis que surge uma equipe de oito bravos homens dispostos a dar a vida em prol de resgatar e proteger as obras de arte de Michelangelo, Picasso e etc, que foram roubadas pelos Nazistas. Vamos salvar a arte, e isso é assunto sério, então Clooney não pode ficar com piadinhas. O pouco do alívio cômico ou está entregue no trailer (Matt Damon pisando na mina) ou fica a cargo de Bill Murray. Mas é pouco, quase nada, Clooney queria mesmo resgatar a áurea de bravos soldados numa causa nobre, e meteu os pés pelas mãos.

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o-lobo-de-wall-street-cenaThe Wolf of Wall Street (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Martin Scorsese já lançou muitas tendências, já esteve muitas vezes a frente do seu tempo. Ele foi um dos que ressuscitaram o cinema criativo americano (nos anos 70), transformou filmes em clássicos, marcou uma era. Um cara com o talento com o dele, vira e mexe se reinventa, é inexplicável, simplesmente é assim. Enquanto outros tentam se consagrar copiando suas fórmulas (e até mesmo os óculo, não é David O. Russel?), Scorsese vem com algo inusitado, diferente. Um filme debochado, exagerado, com atuações “over” e o humor regado a descaramento e sexo.

Adaptando a autobiografia de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor da bolsa de valores, que acertou na vida, e enriqueceu, enganando clientes e vivendo de tramoias, Martin Scorsese estraçalha com o sonho do americano médio de um mundo de oportunidades. Troca o glamour por uma obsessão doentio por tudo que é proibido e mal interpretado pela sociedade. Nosso protagonista simpático é um bandido do colarinho branco, viciado em drogas, e principalmente em sexo. Leva a vida num grande deboche porque ganha milhões e pode transar com mulheres sob milhares de dólares.

Um show de DiCaprio, cuja interpretação parece a congruência daquela de o Aviador com o Tom Cruise de Magnólia, recheado desse saboroso descaramento sem limites. A perfeita unificação de jovialidade com a teimosia de quem é o dono do mundo, intocável e inalcançável, a a arrogância com a naturalidade dos milhões de dólares.

o-lobo-de-wall-street-cenaAs longas três horas de duração prejudicam o filme, a última sofre de uma edição mais enxuta, de um polimento que os personagens extrapolados não permitiram. A narração em off, que funciona tão bem para o lado humorístico da trama, cai no banal quando entra em cena o FBI e todo o patriotismo americano (que de uma forma ou de outra está enraizada em casa todos os americanos, Scorsese inclusive). Como resultado final, o Lobo é pura injeção de adrenalina num cinema que patina entre os filmes grandiosos e os indies, sempre entre clichês comerciais focados em bilheteria e nunca no filme em si. Scorsese faz vibrar com cenas beirando o ridículo, mas que no contexto soam tão engraçadas.

Les Petits Mouchoirs (2010 – FRA)

O grande mérito do filme dirigido por Guillaume Canet é tecer essa rede de amizades, e relações entre os personagens ou o mundo fora desse grupo de amigos, e deixar o público envolvido com cada um dos tramas pessoais. Algo como sentir-se um observador dentro daquela viagem de férias onde o grupo de amigos aproveita a praia, passeia de barco, mas briga entre si e o desgaste torna-se óbvio (por mais que haja intimidade, e alegria de se estar juntos.

Canet consegue essa façanha de nos envolver, de traçar um grau de intimidade que em pouco mais de duas horas já nos sentimos tão próximos que temos vontade de dar pitacos, de sugerir e se intrometer na vida de cada um. Enquanto isso um dos amigos desse grupo está no hospital, sofreu um acidente na primeira cena (num longo plano-sequencia frenético), eles carregam o peso da preocupação, mas se contentam em deixar que a situação do amigo (Jean Dujardin) melhore em breve.

Mas as pessoas não são assim mesmo, não contam pequenas mentiras até aos mais próximos porque é mais fácil lidar dessa forma com tudo? O filme descamba ao sentimentalismo, ao romance exacerbado, ao drama barato, ainda assim pode emocionar grande parte do público, afinal, estamos presos a essa teia, a esse bando de franceses chiques que não perdem a classe na praia, mas perdem a compostura na frente de qualquer um.

The Artist (2011 – FRA)

Em Cannes foi o queridinho da crítica, desde o final do ano vem encabeçando as listas de melhores filmes e ganhando praticamente todos os prêmios da temporada. Se voce conta que se trata de um filme mudo, preto e branco, pronto, as pessoas torcem o nariz. Muito provavelmente vai ganhar o Oscar, e será um dos vencedores com menor bilheteria. No fundo, isso tudo, pouco importa. O cineasta Michel Hazanavicius traz novamente o drama emblemático que consagrou Cantando na Chuva da passagem do cinema mudo ao cinema falado.

O astro (Jean Dujardin) não aceita entrar na era do som, deseja seguir seus sucessos entre os filmes mudos. Estamos prestes a acompanhar a desconstrução de um astro, engolindo pela “nova tecnologia”, pela novidade. Ao mesmo tempo, a ascensão meteórica de Peppy Miller (Bérénice Bejo, candidata a nova namoradinha do cinema). Nessa gangorra o cineasta dosa bem comédia (em tons graciosos, aliado pela magnífica trilha sonora que pontua todo o filme), a outros extremamente melodramáticos e carregados.

Nesse miolo, a narrativa (que deveria ser o grande segredo do filme, pois prender a atenção do grande público num filme desse tipo é a chave do sucesso) mostra sinais de fragilidade, de uma roteiro gasto que sobrevive muito mais pelo requinte da trilha e pelas estupendas interpretações. São quinze minutos que aparentemente vão nos hipnotizar, dali em diante, não passa de um filme agradável.