Posts com Tag ‘Jean-Pierre Bacri’

amoresparisiensesOn Connait la Chanson (1997 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Diálogos interrompidos por momentos musicais (funcionando como uma espécie de liberdade do público em enxergar a consciência, o desejo de seus personagens). A leveza por trás de tudo, Alain Resnais novamente atacando nas pequenas coisas da vida, o cotidiano. O roteiro é do casal Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, eles também estão no elenco, juntamente com os habitués de Resnais. Os trabalhos do casal são sempre marcados por um humor ácido, e também por essa leveza que Resnais parece elevar a graus de flutuação.

Encontros e desencontros amorosos, coincidências que aproximam ou causam confusões. Amores Parisienses trata dos tipos que habitam Paris, a forma como se relacionam entre eles e a cidade. Os novos prédios, a vista da Torre Eiffel, os museus, e as decepções, os amores, e as depressões. Sorrisos, pequenos toques de genialidade, Resnais e sua trupe transformando o abstrato em real, quase tangível. É gracioso, é simpático, sem deixar de ser autêntico. Tirar o maravilhoso da simplicidade, é assim que Resnais segue flertando com todos os tipos de arte, e absorvendo cada uma delas em seu cinema, a música aqui é mais que uma ferramenta, é o puro charme.

Fiquei na mesma sala para sessão dupla, ao meu lado um grupo de cinéfilos conversava sobre trabalho, até que um fato curioso chegou aos meus ouvidos. Dois deles trabalham numa agência, e estava finalizando um calendário com fotos de jogadores de rugby, com e sem roupa. Sinistro!!!!!!!

questaodeimagemQuestão de Imagem (Comme un Image, 2004 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Comédia agridoce da diretora Agnès Jaoui, personagens desfilando a famosa aspereza francesa no trato, indelicadezas e falta de educação como forma de humor. A história parte da garota gordinha, Lolita (Marilou Berry), marginalizada pela sociedade, querendo mais atenção do insensível pai-escritor, enquanto se vê como trampolim aos que desejam se aproximar dele.

Os “interesseiros” forma um conjunto interessante de personagens, prato cheio para que Jaoui proporcione a seu marido e co-roteirista (Jean-Pierre Bacri) uma interpretação hilária, repleta de avareza e arrogância.

Não fosse o roteiro esperto e o talento de Jaoui para explorar personagens e situações, seria outra comédia qualquer. Há no filme um charme, um quê de refinado que traz elegância, mesmo que repita a mesma fórmula de um tema desgastado. Lolita carrega algo que encanta, parte por sua pureza, parte pela capacidade em unir as pessoas nessa sua busca pelo ausente afeto paterno.