A Garota Desconhecida

agarotadesconhecidaLa Fille Inconnue (2016 – BEL) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Fãs dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, o sinal amarelo de alerta pode se deflagrado. O filme anterior (Dois Dias, Uma Noite) já causava discórdia, pelo apelo melodramático (que no meu caso me atingiu em cheio). Seu novo filme tenta se colocar como uma trama policial, e ao mesmo tempo um conto moral, na história de uma jovem médica (Adèle Haenel) carregando o peso da morte de uma desconhecida.

Os tiques (ou obsessões narrativas) dos Dardenne continuam lá, os planos fechados seguem sufocando personagens e público, mas é a abordagem dos temas que apresenta sinais de mudança, e acima de tudo dessa vez. A médica que influencia tudo e todos, e destemida faz o trabalho da policia, é muito coisa de seriado, e os cineastas belgas não conseguem fugir da armadilha que eles mesmos criaram de tornar palatável e cristalino demais. As peças se encaixam, e todos carregam esse incomodo moral de desmoronar para a atenciosa (mas nada doce médica). A imigração ilegal volta a voga no cinema deles, mas dessa vez é apenas um vaso tímido que enfeita a sala.

A Promessa

apromessaLa Promesse (1996 – BEL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Tendo sua estreia mundial em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne colocavam, definitivamente, seus nomes como um dos grandes do cinema na atualidade. A definição clara por temas ligados à critica ao socialismo e globalização (no melhor estilo Ken Loach), e à imigração ilegal, e o estilo narrativo mais próximo daquele que marcou a forte presença autoral do trabalho dos Dardenne, A Promessa é o filme que marca a transição da fase de documentários, e primeiros trabalhos de ficção – que já demonstravam sinais desses pontos – ao cinema característico e consagrado que a Palma de Ouro para Rosetta confirmou.

No cerne da história, um rapazote magricelo, de 14 anos (Jérémie Rénier e com um quê de Jean-Pierre Léaud) e seu pai (Olivier Gourmet) vivendo do transporte e exploração dos imigrantes ilegais. Visto hoje, não carrega o mesmo senso de urgência da época, afinal, chegamos a outro estágio da discussão europeia de imigração. Por outro lado, nunca deixará de ser chocante o tipo de exploração e desprezo humano. Pessoas tratadas como mercadorias, e surge nesse rapaz um mínimo de humanidade (não herdada do pai), que leva o filme a caminhos diferentes do que a simples reprodução das condições precárias e demais tipos de abuso de pessoas mais que necessitadas.

Os Dardenne filmam de maneira seca, já começando os sinais da obsessão em filmar pela nuca dos personagens, de planos-fechados. A clara demonstração da insatisfação contra o capitalismo insano e a falta de humanidade em “oportunidades”. Uma promessa, o peso da culpa, e um garoto assumindo responsabilidades ligadas a sua visão de justiça. A sua volta, uma enormidade de comportamentos sobre a intolerância e esse grau de julgamento de inferioridade para com os imigrantes, que fogem de absurdos e condições precárias para receber tratamentos que mais se assemelham a um filme de horror.

Je Pense à Vous

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Je Pense à Vous (1992 – BEL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Já no segundo longa de ficção, os irmão Jean-Pierre e Luc Dardenne viravam seus olhares para a Europa operária, e seus problemas sintomáticos. Greves, disputas pelo que se considera justo e suas consequências devastadoras dentro da sobrevivência familiar. É um filme menos poético, e até mais próximo de um senso comum de cinema, e bem distante das marcas visuais registradas dos irmãos, já os posiciona dentro de seus temas favoritos.

Os elementos são básicos começa com o casamento, e a casa dos sonhos que pretendem reformar. A vida com os filhos e os sonhos do casal em se transferir para Manchester que começa a ser desmoronado quando ele é demitido. Da estabilidade familiar ao caos total, insegurança, ressentimentos, a crise deflagrada se aprofunda com a completa desestabilização da figura de liderança e os Dardenne criam esse retrato desesperançoso de uma sociedade cujo os ecos do socialismo são a própria sustentabilidade ideológica, ainda que o amor tente ser o grande alicerce de reconstrução particular.

Falsch

FalschFalsch (1986 – BEL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Este é o primeiro longa de ficção dos Irmãos Dardenne, adaptação de uma peça de teatro escrita por René Kalisky, aborda um tema (Nazismo) que já esteve presente nesse início de carreira da dupla (como no documentário Leçons d’une Université Volante). Após 40 anos vivendo em Nova York, o único sobrevivente de uma família judia desembarca em Berlim. No aeroporto, completamente vazio, encontra com membros de sua família mortos em campos de concentração. Uma noite de reencontros, de reações destemperadas e amorosas, de conflitos e desejo, surpresas e culpa.

Por vezes a trilha é composta de música clássica. A câmera , em planos fechados, quase sempre não sai dos rostos, em leves movimentos que o sagão do aeroporto vazio permitem explorar melhor, além de causar essa estranha sensação de um espaço tão repleto de pessoas, e tão silencioso. O teatro dentro do mundo visual dos Dardenne dá a sensação do público sob o palco, quase tocando nos atores, sem que se perca a carga dramática da história trágica dessa família. Falsch é um belo início de uma carreira que se provaria especial.

Top 25 – 2015

Os meus 25 filmes favoritos do ano de 2015. O critério é o mesmo do ano passado, filmes vistos ao longo do ano, e que foram produzidos até 2 anos atrás (portanto, limite é 2013). Eles formatam, na visão deste blog, o melhor do panorama do cinema, com toda a subjetividade que uma lista dessas possa ter. E, novamente, o top 10 comentado tenta captar um pouco da percepção sobre estes filmes e sobre o cinema contemporâneo.

assassina

  1. A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien
  2. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  3. Hard to be a God, de Aleksey German
  4. Carol, de Todd Haynes
  5. Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchialli
  6. Diálogo de Sombras, de Jean Marie-Straub e Danièle Huillet
  7. Phoenix, de Christian Petzold
  8. As Mil e Uma Noites: Volume 1 – O Inquieto, de Miguel Gomes
  9. Sniper Americano, de Clint Eastwood
  10. Spotlight, de Tom McCarthy
  11. O Tesouro, de Corneliu Porumboiu
  12. O Ano Mais Violento, de J. C. Chandor
  13. Três Lembranças da Minha Juventude, Arnaud Desplechin
  14. O Peso do Silêncio, De Joshua Oppenheimer
  15. Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson
  16. Son of Saul, de Laszlo Nemes
  17. A Terra e a Sombra, de César Augusto Acevedo García
  18. Os Campos Voltarão, de Ermanno Olmi
  19. A Vida Invisível, de Vitor Gonçalves
  20. Um Amor a Cada Esquina, de Peter Bogdanovich
  21. É o Amor, de Paul Vecchialli
  22. 45 Anos, de Andrew Haigh
  23. Mountains May Depart, de Jia Zhang-ke
  24. João Bérnard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Eu Amei, de Manuel Mozos
  25. Aferim!, de Radu Jude

 

A lista deste ano parece ter no amor, e na inquietude, suas vozes mais presentes. São filmes, que em sua maioria, tentam falar mais intimamente com seu público, causando reflexão ou estabelecendo conexão com o que esses corações possam reverberar. O amor é determinante no grande filme do ano, o aguardado e deslumbrante retorno de Hou Hsiao-Hsien. Tanto ele, quanto o lindo romance feminino de Todd Haynes, ofuscaram o fraco vencedor da Palma de Ouro, com narrativas sofisticadas e visualmente hipnóticas. O amor como uma âncora que afasta os protagonistas dos caminhos trilhados, a eles, pela sociedade. Num tom muito semelhante também esta o drama-romântico, do alemão Christian Petzold. Com o provável melhor desfecho do ano, seu filme vai de Fassbender a Hitchcock, quando trata genuinamente do amor e seus impactos.

Se Paul Vecchiali flerta com o cinema experimental, e adapta Dostoiévski, com seus dois personagens em encontros notívagos sobre vazios existências dos corações, o média-metragem de Jean Marie-Straub e Danièle Huillet versa sobre amor, religião, e até o tédio. Vecchiali tem o mar ao fundo, a dupla francesa o local bucólico. E em tons bem diferentes, ainda que com a semelhança do tom teatral, ambos filmes vagueiam entre o racional e o irracional.

O de Clint Eastwood está entre o amor e a inquietude. O apego à família e à pátria, e a inquietude causada pela guerra são temas latentes nesse drama de soldado. Como um todo, a trilogia de Miguel Gomes decepciona, ainda que tenha sido tão elogiada em Cannes, porém, exibidos em separado nos cinemas, o primeiro volume demonstra a força da inquietude por meio de críticas corrosivos ao cenário político português, em tom de humor debochado.

Aleksei German e George Miller criam (ou retomam) visões futuristas do caos regido pela irracionalidade. Miller e seu espantoso retorno a saga Mad Max beira a unanimidade, com surpreendentes chances reais no próximo Oscar nessa ventura alucinante pelo deserto pós-apocalíptico. Já o veterano russo recria a Europa feudal, lamacenta e exasperante, tendo na inquietude visual a grande desconstrução de seu protagonista semi-Deus.

O patinho feio da lista é o filme independente sensação da corrida ao Oscar. Mais do que um filme-denúncia, sobre acusações de pedofilia de padres católicas, Tom McCarthy realiza um empolgante estudo dos caminhos da imprensa investigativa.

 

E encerrando, os meus 10 filmes favoritos dentro do circuito comercial de 2015, sempre atrasado arrastando filmes que já estiveram no top do ano passado.

  1. Norte, o Fim da História, de Lav Diaz
  2. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  3. Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchialli
  4. O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takathata
  5. Phoenix, de Christian Petzold
  6. As Mil e E Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, de Miguel Gomes
  7. Dois Dias, Uma Noite, de Jean e Luc Dardenne
  8. A Pele de Vênus, de Roman Polanski
  9. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  10. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Top 10 – 2014

Nos últimos dias estava quebrando a cabeça, vasculhando nos filmes que entraram no circuito comercial, aqueles dez que seriam os meus preferidos do ano – doença de cinéfilo. E, simplesmente, não consigo fechar uma lista com dez merecedores-de-um-top-10. Talvez 5 ou 6, vá lá, mas o restante são apenas bons filmes, em que há outros 4 ou 5 que estão ali, no mesmo nível. Desse critério tão subjetivo (e maluco) que é classificar filmes. Conversando com meu amigo Superoito, realmente não parece haver sentido nessa lista, afinal, o circuito brasileiro vive atrasado. Se a oferta em quantidade tem crescido, ainda assim a quantidade de salas “alternativas” são tão restritas, que os filme permanecem nas prateleiras das distribuições, esperando melhor momento de estrear, muitas vezes perdendo seu “momento”.

Os cinéfilos que realmente acompanham a cena internacional de cinema, o que está sendo filmado, as novas tendências, novos limites que os cineastas quebram. Estes cinéfilos buscam os filmes por outras plataformas, de outras maneiras que não exclusivamente o circuito. Nesse ponto, os festivais tem ajudado muito, não só o Indie, Festival do Rio, e Mostra SP, como outros festivais menores, tem trazido grande parte da produção atualizada, cobrindo parte expressiva dessa produção. O resto chega através de outros formatos, viagens, Netflix, internet e etc. Estamos quase em 2015, hora de mudança.

Portanto, trabalhar numa lista de melhores, tendo o circuito comercial como critério, me parece abster-se do cinema que o próprio cinéfilo acompanha, discute, vive. Não, não vou esconder meus 10 preferidos, vou apenas deixá-los no final, apenas como referência, afinal eles serão meus votos para o Alfred da Liga dos Blogues Cinematográficos.

A lista mais importante é a que vem logo a seguir (comentada), são filmes que foram vistos em 2014, com produção de até 2 anos (que finalmente foram vistos, ou ficaram acessíveis). Eles formatam melhor o panorama do ano do cinema, os principais festivais, o que a imprensa especializada ou os grupos de cinéfilos discutiram, veneraram, xingaram, amaram. Há ausências, como toda lista, afinal, ela é subjetiva. Alguns filmes não foram vistos (a Godard a mais sentida, mais a versão em 3D precisa ser vista em tela grande), outros não agradaram tanto, mas ela indica caminhos, preferências, e, acima de tudo, é coerente com esse cinema atual.

O Top 10

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  1. Do que Vem Antes, de Lav Diaz
  2. A Imagem que Falta, de Rithy Panh
  3. A Princesa da França, de Matias Piñeiro
  4. Redemption, de Miguel Gomes
  5. Era Uma Vez em Nova York, de James Gray
  6. E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
  7. O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata
  8. A Pele de Vênus, de Roman Polanski
  9. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  10. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan / Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Olhando para essa pequena amostragem percebo que é uma lista heterogênea, grande parte dela da seleção dos dois últimos festivais de Cannes. Quase todos diretores consagrados, que apontam para dois caminhos: filmes grandiosos em temas e pretensões; ou pequeninos na pretensão, porém grandes na arte de filmar. São dois lados de uma mesma moeda, cineastas que enxergam suas próprias carreiras e tentam escapar dos caminhos fáceis do piloto automático.

Alguns destes filmes tem o aspecto moral como excelência, o perturbado conto de Ceylan ganhou a Palma de Ouro. O dos Irmãos Dardenne traz um melodrama nunca antes visto na carreira dos belgas. São filmes antagônicos na forma, ligados por essa questão da vida em sociedade, dos princípios. James Gray continua com poucos e fiéis fãs. Ele até flerta com o melodrama, mas seu estilo sofisticado deixa tudo tão chamuscado e charmoso que esse melodrama fica chique entre tão belos planos.

Há o lado teatral forte, é o segundo trabalho seguido de Polanski que remete ao teatro filmado, dois de seus melhores filmes em anos. O argentino Matias Piñeiro surge como uma descoberta, tardia deste blog, com uma construção irrepreensível, uma espécie de poesia teatral filmada. Assayas mergulha em seus filmes anteriores, e em Bergman, trilha novo caminho via metalinguagem.

De Portugal duas pérolas, o documentário autobiográfico de Joaquim Pinto e as biografias escondidas por Miguel Gomes num curta sobre doces fluxos de memórias. O cinema português segue produzindo pouco, mas muito bem. O japonês Isao Takahata promete ter entregue seu último trabalho, e o resultado é um primor ao refletir as tradições culturais orientais com leveza e sofisticação.

No topo da lista Pahn e Diaz, os dois revivendo cicatrizes dolorosas de seus países. Seja pelos bonecos do Cambodja, ou pelas florestas filipinas, os horrores das ditaduras sem que a violência precise ser exposta. Seus filmes são registros hipnóticos de um cinema rigoroso, que usa da simplicidade para aproximar-se de seus próprios personagens, e do virtuosismo de seus diretores para cativar os que enxergam novos rumos para o cinema. A conjunção exata entre fazer arte e contar histórias.

No Letterboxd deixo a lista mais completa com meus 25 filmes favoritos do ano.

O Top 10 do Circuito Comercial

  1. A Imagem de Falta, de Rithy Pahn
  2. Era uma Vez em Nova York, de James Gray
  3. Cães Errantes, de Tsai Ming-Liang
  4. Bem-Vindo a Nova York, de Abel Ferrara
  5. Mais um Ano, de Mike Leigh
  6. Amar, Beber e Cantar, de Alain Resnais
  7. Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater
  8. Vic + Flo Viram um Urso, de Denis Côté
  9. O Abutre, de Dan Gilroy
  10. O Ciúme, de Phillipe Garrel

Balanço – 38ª Mostra SP

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Menor quantidade de problemas com atrasos, cancelamento de filmes e etc (ainda houveram, é bem verdade). Um belo leque de clássicos recheando uma programação que destacou boa parte dos principais filmes que estiveram presentes nos grandes festivais de 2014. A Mostra SP volta a recuperar seu prestígio, filas, sessões lotadas. Foi a melhor edição após a opção pelo ineditismo. Ainda falta muitas coisas, o pecado mais grave continua sendo a Central da Mostra, ter que se deslocar fisicamente, quanto os que tem pacote deveriam escolher seus filmes via internet, sem dores de cabeça.

Foi a Mostra da eleição Dilma x Aécio, da propaganda da Folha vaiada em inúmeras sessões, foi a Mostra da retrospectiva de Pedro Almodóvar (que não veio ao evento), da falta de água em São Paulo. Dos filmes russos de ácida crítica à política, de confirmação da boa edição de Cannes 2014. Uma edição de menos holofotes e mais exibições. A volta das sessões da meia-noite que tem seu charme.

O mais importante são eles, os filmes, e quantidade de grandes, ou bons filmes, foi bem mais interessante. Como todo ano, abaixo destaque para os que mais me agradaram nessa edição da Mostra SP:

O Filme

doquevemantes

  • Do que Vem Antes, de Lav Diaz

Segundo ano consecutivo que o filipino emplaca meu filme preferido na Mostra SP.

 

Os Melhores:

  • Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
  • Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan
  • Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  • Leviatã, de Andrey Zvyaginstev
  • Relatos Selvagens, de Damian Szifron
  • A Professora do Jardim de Infância, de Nadav Lapid