Posts com Tag ‘Jeff Daniels’

stevejobsSteve Jobs (2015 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Espaço tão curto de tempo e tantos documentários e filmes de ficção sobre Steve Jobs, fica difícil oferecer o novo ao público que tão bem já conhece fatos e personagens dessa biografia. Essa nova abordagem é calcada num tripé, em três nomes: Michael Fassbender, Danny Boyle e Aaron Sorkin. E é o roteirista Sorkin a presença mais marcante, afinal a arquitetura meticulosa desse roteiro é a espinha dorsal de tudo.

Sem contextualizar, o filme ocorre em três momentos importantes de Jobs (Fassbender), minutos antes do lançamento de três produtos. Nos encontros nos bastidores se desenvolve todos os elementos dramáticos da vida de Jobs, encontros com amigos (Seth Rogen e Michael Stuhlbarg) que ajudaram a fundar a Apple, ou com a mulher (Katherin Waterson) cuja filha ele não quer assumir a paternidade, oou com o CEO (Jeff Daniels) que ele contratou. Sempre com a fiel escudeira, conselheira, secretária de luxo, Kate Winslet, cuidando dos detalhes da apresentação, do temperamento perfeccionista e maquinal emocionalmente de Jobs.

De tão preso a essa estrutura, que lembra muito esses bastidores de Birdman, com encontros tão coreogrados e personagem em constante movimento, a fórmula fica desgastada rapidamente. É uma ideia criativa para encurtar o tempo de contar a história, só que a disciplina de Boyle, que usa alguns pequenos flashback’s para o mínimo de contextualização necessária, acaba se tornando seu maior empecilho. A estrutura deixa o filme artificial, repetitivo, e excessivamente verborrágico.

A figura do anti-herói humanizado pelo arco dramático da relação com a filha, enquanto seus destemperos no trato profissional o tornam num monstro cuja “genialidade” ajudou a construir como mito. Que tenhamos um fôlego antes que sua biografia seja revisitada, muito menos sem essas sacadinhas falsamente não-emotivos, que Boyle tenta nos pregar.

 

alulaeabaleiaThe Squid and the Whale (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Talvez seja um dos mais celebrados filmes da recente safra dos indies americanos (se bem que não é tão recente assim). Estão lá todos os cacoetes, como personagens desregrados, um quê loser, o espírito da comédia dramática. Além, é claro, de muita câmera na mão e planos fechados, mostrando um face a face entre atores e público.

Basicamente Noah Baumbach está tratando de um divórcio, da maneira como cada um dos membros da família se relaciona com a nova situação, e a gama de personagens que orbita a volta dos Berkman. Guarda compartilhada, divisão de pertences, e o desgaste da rotina de encontros são apenas os pormenores, o diretor está mais ligado em aspectos psicológicos e comportamentais.

O filho mais novo (Owen Kline) é muito ligado à mãe (Laura Linney), enquanto o adolescente (Jesse Eisenberg) é fã incondicional do pai (Jeff Daniels), e essa é a base da relação familiar que sofre ruptura com a separação. Noah Baumbach e seu roteiro inteligente consegue desenvolver bem essas interrelações pessoais, e trazer à tona a verdade sobre cada um deles. Desfazendo mitos aos próprios personagens, é um pouco cruel, mas, a vida é assim, cheia de pequenas decepções, e da descoberta de que nossos ídolos são feitos de carne, osso e imperfeições.

Looper (2012 – EUA)

Jamais imaginaria que Joseph Gordon-Levitt se tornaria estrela de filmes de ação, com seu corpo franzino e sua cara de bom menino. Mas, depois de dois ou três filmes do gênero, e pensando na escassez atual de astros para esse gênero, ele já entrou na turma. Looper são assassinos contratados para colocar fim à vida de pessoas trazidas do futuro. Num tempo que a viagem no tempo ainda não foi inventada, eles apenas recebem os corpos dos que serão “deletados” e fazem o serviço.

O quê de ficção científica não é tão explorado pelo diretor Rian Johnson que está mais preocupado em deixar a trama bem complicada e encontrar eficiência nas sequencias de ação. O jogo de gato e rato começa quando Joe (Gordon-Levitt) tem que tirar a vida, do homem que é, simplesmente, ele mesmo, 30 anos no futuro (Bruce Willis). A máfia atrás dele, seu eu, no futuro, em busca de uma maneira de se salvar, o ritmo e argumentos voce já conhece bem, e mesmo dentro dos clichês, o resultado do filme é animador, entretenimento com exageros aqui e ali.

Terms of Endearment (1983 – EUA)

A salada melodramática promovida por James L. Brooks e protagonizada por Shirley MacLaine e Debra Winger é de enlouquecer qualquer um. Essa relação mãe e filha existe (podem acreditar, eu já vi) , uma coisa que as consome, mas que não as permite se afastar. Invasiva, indiscreta, dependente, praticamente uma falta de respeito.

O roteiro ainda tumultua essa relação desgastante com um bando de personagens como o marido infiel (Jeff Daniels) e o vizinho ex-astronauta e beberrão (Jack Nicholson). Veja, os homens são sempre seres desprezíveis, porém elas altamente dependentes deles. Enfim, toda uma história dramática ao extremo envolta por um carinho açucarado e um conjunto de cenas apelativamente dramáticas.

É fórmula certa para um público médio que está louco para se emocionar, para de alguma modo se encontrar num personagem e notar que a vida infeliz não é exclusividade sua. Tanta ternura junta que não se assuste, o dvd deveria trazer como efeitos colaterais o alto risco de causar náuseas.

aeradoradioRadio Days (1987 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Dessa vez a genialidade de Woody Allen nos remete, de forma nostálgica, à época de ouro do rádio, quando as famílias reuniam-se em torno dele para apreciar seus programas favoritos. Era o auge desse meio de comunicação, a inexistência da TV, internet e etc deixava o caminho livre para que o rádio invadisse lares e dominasse o entretenimento familiar. Woody Allen recorda assim de sua juventude Allen, e de maneira discreta, o cineasta conta como apaixonou-se pelo jazz e como era a vida à época.

Em Nova York no início da Segunda Guerra Mundial, uma família judia comum se une, na sala de casa, para ouvir rádio e discutir os problemas de cotidiano. Solteiras querem se casar, casados brigam e reclamam, enquanto as crianças divertem-se num mundo de sonhos e fantasia. Não conheço outro filme em que o ator principal seja o rádio. Entre os inúmeros personagens, o garoto Joe (Seth Green) tem participa mais destacada, mas nada que nos permita considerá-lo como o centro das atenções, mas ter um garoto como foco maior facilita o tom romântico e pueril. Allen cria grandes sacadas, como na cena inicial com os ladrões respondendo ao programa de rádio, ou a professora substituta que fora espiada de binóculos pela garotada. Essa mesma garotada que caça desesperadamente submarinos inimigos em plena Guerra.

Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello, Dianne West e Diane Keton (cantando) são as estrelas que aparecem rapidamente durante o filme. Woody Allen fala do que gosta (música), do jeito que gosta de fazer, tornando talvez essa comédia leve no melhor filme de sua carreira. Uma bela homenagem ao rádio, que perdeu o glamour da época mais continua nos embalando em casa, no trabalho, no transito, na vida. Vale atenção à trilha sonora e a importância da música ao filme, principalmente Jazz e Big Bands ao som de gente como Gleen Miller e Cole Porter. Além da participação especialíssima de Denise Dumont cantando Tico-Tico no Fubá.

voandoparacasaFly Away Home (1996 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A pequena Amy Alden (Anna Paquin) morava com sua mãe na Nova Zelândia, até perdê-la num acidente de carro. Sem saída, a garota deve mudar-se para o Canadá, morar com seu pouco presente pai Thomas Alden (Jeff Daniels). Ele não leva uma vida muito normal, trabalha numa oficina, em sua casa, e é engajado em lutas ecológicas. Thomas não estava nem um pouco preparado para cuidar de uma adolescente, vivendo entre suas causas ecológicas e seus hobbies: voar de ultraleve e construir suas próprias máquinas. Perder a mão, mudar de país, de escola, acostumar-se com o novo estilo de vida e a madrasta, Susan Barnes (Dana Delany). Crises comuns a famílias que passam por esse tipo de tragédia.

Nessa nova fase de adaptação complicada, a garota encontra alguns ovos de ganso. Passa a cuidar deles após o nascimento dos filhotes. Sua afeição aos pássaros ajuda muito em seu relacionamento familiar. No inverno, os gansos precisam fugir do frio, migrando ao sul. Porém, ao não terem contato com a mãe, não há quem lhes ensine a voar, nem o melhor caminho para um lugar seguro. Thomas e sua família resolvem ensiná-los a voar, com a ajuda de ultraleves (hobby do pai), guiando-os para um lugar mais quente ao sul do continente. Baseando-se em uma história real, o diretor Carroll Ballard recria essa história de aproximação do pai à filha adolescente por meio desse auxílio aos gansos. Uma aventura em tom de fábula, nos moldes Disney.

totalmenteselvagemSomething Wild (1986 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Executivo sente-se fortemente atraído por uma mulher sexy e misteriosa e acaba caindo nas armadilhas da sedutora, trama original e bem elaborada, não? A seguir uma série de acontecimentos, em velocidade alucinante, e inverossimilhança absurda. Charles Driggs (Jeff Daniels) estava almoçando, tranquilamente, tentou dar uma de malandro para não pagar a conta, e disfarçadamente saiu do restaurante de fininho. Na rua uma jovem atraente, Lulu (Melanie Griffith), repreendeu-lhe e após uma pequena conversa, os dois partem no carro dela. O que parecia estar se transformando numa transa casual torna-se um relacionamento muito além do exótico.

Uma paradinha num motel e Lulu já leva Charles para a casa de sua mãe e o apresenta como seu novo marido. Entre pequenas aventuras, como não pagar contas de restaurantes, vem o plano para festa de reencontro dos formandos de Lulu. Quem aparece na festa é Ray Sinclair (Ray Liotta), o ex-marido de Lulu, que acabara de sair da prisão e pretende reatar o relacionamento com a esposa. Ele faz o tipo extremamente violento e ciumento, e facilmente dá um “chega” para lá em Charles. Tudo parecia resolvido, mas Charles percebe que aqueles dias com Lulu mudaram sua vida, e planeja tentar recuperá-la a qualquer custo.

Sob a direção de Jonathan Demme, destaca-se a superficialidade, tanto na excentricidade como na violência. O roteiro banal e previsível podem até torrar a paciência do público de tanta mesmice. Jeff Daniel é tão bobo em cena que dá dó, Melanie Griffith tem seus momentos de brilho se esforçando no sex appeal e Ray Liotta aparece bastante discreto.