Posts com Tag ‘Jena Malone’

Lovesong (2016 – EUA) 

A coreana Kim So-Yong cresceu em Los Angeles, e desde que seu tornou diretora de cinema divide sua carreira filmando entre os dois países. De mais recente trabalho foi exibido em Sundance 2016. Depois do sucesso de seu filme Montanha do Abandono, passou a incluir nomes mais conhecidos nos elencos de seus filmes, como Paul Dano, ou neste caso Jena Malone. Mas, ela manteve sua sensibilidade aflorada, e a presença importante de crianças em seus roteiros.

Aqui a criança é filha de Sarah (Riley Keough), a mulher que se sente solitária pelas longas ausências do marido (coreano). É através da amizade dela com Mindy (Jena Malone) que o filme carrega toda essa sensibilidade destacada de So-Yong. A proximidade, que pode insinuar (ou significar) algo mais, surgem por meio desse cinema indie já meio gasto, de músicas fofas e personagens despedaçados pelo caminho da vida. Não deixa de ser bonito, So-Yong trabalha as emoções de maneira íntima e quase irresistível, ainda que navegue pelos mares da cartilha Sundance de fazer filmes.

demoniodeneonThe Neon Demon (2016 – EUA/DIN/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

De novo queridinho do cinema (com o sucesso de estilo de Drive) a decepção retumbante (Só Deus Perdoa), muitos esquecem que Nicolas Winding Refn tem alguns filmes antes de Drive. Mas, é fato que seu nome ganhou fama internacional ali, e por isso as comparações tenham esse como principal ponto de controle. Novamente presente na competição principal em Cannes, seu filme era aguardado como uma incógnita e o filme tem presença forte dos seus dois últimos filmes mesmo, apontando para um caminho que refn está solidificando.

O uso das cores e o exercício estilístico da imagem são definitivamente a característica mais forte dessa fase da carreira de Refn. Algumas das cenas são deslumbrantes, com luzes estouradas, ou com fundos que confundem o que é chão, o que é teto, verdadeiros jogos hipnótico de ótica. E o cineasta também não tem nenhuma preocupação em parecer cheio de referências a outros cineastas, é facilmente perceptível um clima futurista de Lucy ou Ex-machina, aliado a violência gráfica de filmes de Park Chan-wook, e boas doses da excentricidade de David Lynch, tudo bem localizado dentro da estética de Refn.

A narrativa vaga pelo abstrato, mas tem foco bem claro em seu tema. A jovem Jesse (Ellen Faning, tão enigmática quanto o filme pretende ser) chega a Los Angeles para tentar a vida de modelo. Ali encontra um mundo doentio e cruel, o lado mais egocêntrico e narcisista, a competição desenfreada e a inveja, lado a lado com o culto a beleza. Relações vazias e promíscuas, o sexo como jogo de poder e sedução. Nada de novo no mundo da moda, mas com essa roupagem hipnotizante, enigmática, que circula pelo mistério e a insegurança.

 

vicioinerenteInherent Vice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É como se Paul Thomas Anderson condensasse toda a parte descolada de sua carreira num único filme. Sua bastante fiel adaptação do livro homônimo de Thomas Pynchon é um noir multicolorido, e animado em sua trilha sonora, em permanente viagem de entorpecentes. Esse espírito captado por Anderson é tal qual o livro. A sensação de que o detevido “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) vive em constante efeito de drogas, e outros alucinógenos, é a verdadeira linha narrativa utilizada por Pynchon e por Anderson.

O detetive se mete nas maiores confusões quando se envolve a investigar um pedido de sua ex, de gangues de motoqueiros nazistas, a um navio de contrabando, passando por um policial estranhíssimo, tudo é motivo para Doc “fumar um”. Este noir pós-moderno de Anderson carrega tons sexuais, o colorido dos hippies dos anos 70, e doses cavalares de humor por uma Califórnia extravagante e sensual.

Seguir todos os acontecimentos (tanto no filme, quanto no livro) se mostra uma perda de tempo, é impossível, é confuso, não deve mesmo fazer sentido nem na cabeça do autor. Talvez por isso consiga traduzir tão bem a essência dos anos 70, a malemolência, o suingue de quem coloca sua vida em risco e simplesmente ri de tudo a seguir. Anderson sai dos temas tão densos, da rigidez religiosa, para um clima de liberdade total, de descompromisso, o submundo do retrato da liberdade setentista.

Outros Filmes de Paul Thomas Anderson aqui na Toca: Jogada de Risco | Boogie Nights | Magnólia | Embriagado de Amor | Sangue Negro | O Mestre