Posts com Tag ‘Jennifer Connelly’

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American Pastoral (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O ator escocês, com eterna cara de bom moço, estréia como diretor adaptando o denso livro homônimo de Philiph Roth com conteúdo político tão americano. A escolha é das mais ousadas, afinal o contexto envolve protestos contra Guerra do Vietña, Black Powers, e todo o aspecto político da sociedade americana da década de 60-70.

A missão era complicadíssima, e Ewan McGregor opta por um estilo cinematográfico bem acadêmico, que muito lembra o cinema dos anos 50, o american way of life. Adapta os fatos, em cena temos a total desconstrução da família burguesa perfeita, mas são apenas os fatos, nem sinal das reflexões que McGregor sonhava transpor do livro. No Festival de San Sebastián, McGregor afirmou que queria contar não só a história de uma família, mas de toda a América, no script era o que devia ser feito.

O foco é o pai de família (o próprio McGregor, sempre um ator esforçado), atleta exemplo na universidade, que assume os promissores negócios do pai, se casa com uma candidata a Miss New Jersey e vive numa casa de campo com a filha (Dakota Fanning quando adulta). Os problemas internos surgem quando a gagueira da filha é diagnosticada como possível ciumes da atenção do pai a mãe tão linda (Jennifer Connelly), e vai parar na filha na clandestinidade como terrorista. O pai é o exemplo de postura, amor à família, e perfeição burguesa no trato com os empregados e assim McGregor tenta resumir anos tão libertários e conflituosos de toda uma nação tão heterogênea e inquieta.

Noé

Publicado: abril 18, 2014 em Cinema
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noeNoah (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Darren Aronofsky vai provando que não se dá bem com grandes orçamentos. A coisa sai de controle, se torna faraônica, imensa. Fonte da Vida era seu filme mais fraco, e o maior orçamento que Aronofsky havia trabalhado. Agora adaptando parte do Velho Testamento da Bíblia, revivendo a figura de Noé e sua Arca, o orçamento enorme resultou num monstrengo oco.

A força religiosa da história está presente, porém, além da mensagem de Deus que Noé (Russel Crowe) interpreta e leva adiante, o filme foca muito mais nos dilemas de um homem integro em sua fé. E, também, se torna, talvez, o primeiro defensor do ambientalismo da história. Os animais quase não aparecem no filme, e quando aparecem são apenas efeitos especiais. Por outro lado, em dado momento, a história vira um grande filme de ação, com lutas e gente correndo por todos os lados.

Aronofsky deixou tudo grandioso demais, por mais que a história seja realmente definitiva (afinal, o planeta foi inundado e só sobrou quem estava na Arca), há sempre essa necessidade pela emoção, pela disputa, o vilão está presente até o último minuto. Por outro lado, há o drama familiar, que coloca a prova tantos questionamentos de Noé, seria o melhor do filme se não ficasse quando chamuscado por essa necessidade de ação a todo custo.

Hulk

Publicado: junho 27, 2013 em Cinema
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hulkHulk (2003 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda quebrando a cabeça para entender tantas críticas que recebeu a versão do Ang Lee, para o nosso herói verde. Afinal, até reboot deram na franquia (que também naufragou por enquanto). Os conflitos do personagem estão lá, bem desenhados, desenvolvidos. A questão com o pai, a mutação genética, sua grande paixão (Jennifer Connelly).

A chuva de críticas recaem, principalmente, na questão gráfica. Quando, Eric Bana, sai de controle e se tranforma no Hulk. O monstrengo verde não agradou. Como eu sou daqueles que critico a transformação do cinema em mero espetáculo pirotécnico de efeitos especiais, as possíveis deficiencias foram facilmente absorvidas pelas interessantes divisões de tela que trazem um aspecto de HQ todo especial ao filme.

Ang Lee se utiliza muito do recurso, até brincando com o plano contra-plano, trazendo dinamismo à narrativa, criando uma nova forma de estrutura. Ele também explora uma quase inexistência de vilão (Nick Nolte com cara de Nick Nolte da vida real), antes do filme partir para o(necessário) lugar-comum do cinema de heróis com questionamentos dos governantes e as lutas que destroem Nova York.

elenaoestataoafimdevcHe’s Just Not That Into You (2009 – EUA/ALE) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um grande filme de autoajuda para mulheres românticas, sensíveis, desesperadas por um namorado, e “cansadas” de serem mal-tratadas e desprezados por homens que não (ou pouco) se interessaram por elas. Também um filme sobre relacionamentos em dificuldade, sobre casamento e a mística que o envolve, sobre o desgaste da relação. Quer dizer, um senão de temas, em histórias interligadas, e desconexas, dentro de seu contexto.

Ken Kwapis brinca com as relações na sociedade moderna. Mulheres que se dedicaram mais a carreira do que a seus casamentos. Homens exemplares no âmbito do relacionamento, só que tem ojeriza ao matrimônio. Mulheres usando homens como estepe, válvula de escape quando sozinhas ou desamparados. E também um barman guru do amor, oferecendo seus conselhos a uma mulher desesperada para desencalhar.

Há ainda outras vertentes dessas histórias, e Kwapis almeja soar interessante com seus argumentos e as estrelas que desfilam sob sua direção. Pena que o ego de seu filme exija esse rótulo de manual para que as mulheres percebam suas “falhas”, seus comportamentos repetitivos e evasivos. Resumindo, o filme julga e rotula abusando de estereótipos e clichês, que apenas naufragam suas intenções.

Claro que dentro de toda essa embromação desempolgante, vamos nos divertir com Mary (Drew Barrymore) sofrendo com as paqueras tecnológicas, com o affair atraente de Ana (Scarlet Johansson) e Ben (Bradley Cooper), pelo desespero destemperado de Gigi (Ginnifer Goodwin) na espera por um telefonema, e iremos nos enxergar em algumas situações, apontar nossos pares e amigos, e as mulheres sonharem a perfeição em forma de cônjuge que é Neil (Ben Affleck).

umamentebrilhanteA Beautiful Mind (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Foi o primeiro filme a qual escrevi um texto que gerou post na internet, por isso, de minha parte, talvez haja uma dose além de generosidade, ao analisá-lo. O filme retrata a história do brilhante matemático John Forbes Nash Jr (Russel Crowe), desde sua entrada na Universidade até o reconhecimento com o prêmio Nobel. Um homem atormentado por sua inteligência, e por uma incessante busca por um trabalho relevante que se torna ainda mais obsessiva ao assistir seus colegas criando teses e publicando artigos. O matemático ciumento passa dias fazendo contas no vidro da janela, observando pombos, coisas de maluco. Não lhe faltam esquisitices, trejeitos e comportamentos antissociais, e graves problemas esquizofrênicos.

De formando a professor, e depois trabalhando para o serviço secreto do Pentágono decifrando códigos comunistas em todos os tipos de meio de comunicação escritos. O ritmo frenético de seu cérebro, a personalidade complexa, pouco a pouco os comportamentos estranhos assustam sua esposa (Jennifer Connelly). Daí em diante, o que vemos é um homem incapaz de controlar seu intelecto, um prisioneiro de sua própria, e privilegiada, mente. Russel Crowe, em atuação exemplar, carregado de emoção e com um quê de coitado, consegue nos passar a ideia de uma pessoa perturbada, esquizofrênica, que vive alheia à sociedade.

Mitos criticam o filme por omitir fatos importantes, como uma possível bissexualidade de Nash. O diretor Ron Howard preferiu um enfoque maior da perda do controle de seu personagem, a doença mental deflagrada e sua destruição completa, mantendo a linha sentimental o que facilita o diálogo com um público maior.