Posts com Tag ‘Jennifer Lawrence’

Mother! (2017 – EUA) 

Entre vaias e aplausos que foi recebido o novo thriller psicológico dirigido por Darren Aronofsky durante a competição do Festival de Veneza. Mais ousado e pretensioso do que nunca (lembrem-se que ele dirigiu Noé e Fonte da Vida), o cineasta nova-iorquino provoca o público na estética, e principalmente na forma de síntese com que aglutina todas as mazelas do mundo.

Os posters e trailers já ofereciam a estranha sensação visual, algo entre o religioso brega e o dark misterioso, além da artificialidade gritante. E o filme não nega as aparências, repleto de planos-sequencias circulares e insanos, e a atmosfera da presença de um mal sobrenatural naquele lar, o casal começa a receber visitantes (sem convidá-los) e a hospitalidade do marido (Javier Bardem) assusta a passiva esposa (Jennifer Lawrence). Entre o medo e a insegurança e o ar acolhedor do poeta em bloqueio criativo, que o filme constrói arcos dramáticos que sempre colocam-na como a figura frágil e perturbada frente uma normalidade que não existe.

Mais adiante na história, desses arcos dramáticos surgem sequencias ainda mais insanas em que Aronofsky tenta refletir sua visão sobre nossa sociedade tão violenta e desumana. Nada de metáforas, é tudo explícito e visual, exagerado e acelerado. A cada novo horror, o filme faz referências a dramas pessoais ou universais como: crime, guerra, religião, maternidade, dor. Interpretações over, conceitos didáticos, Aronofsky não consegue dar cabo de nem metade de todos os conceitos que pretendia, e sua pretensão realmente incomoda muita gente. Por outro lado, sua ousadia em colocar tudo isso num filme de estúdio, com os grandes astros de Hollywood, vem de encontro com as pretensões que sempre estiverem fortemente claras em sua filmografia.

joyJoy (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E lá vem David O. Russel novamente. E com ele, as famílias disfuncionais e as discussões extravagantes, e o mar de problemas e intolerâncias que só a total dependência familiar mantém todos unidos, no mesmo teto. E também a trilha sonora pop e empolgante, e os planos-sequencias de personagens caminhando com estilo, aquela combinação que atrai empatia imediata do público. E tantos outros cacoetes de um cinema sub-Scorsese. O diretor continua contando variações da mesma história, com seu grupinho de atores que só diferenciam cortes de cabelo e figurinos estilosos.

Ultimamente, todos os filmes com assinatura de Russel já surgem como grande favoritismo ao Oscar, aos filmes mais esperados do ano. E dessa vez, a reação geral foi de fracasso, emplacando apenas indicação para Jennifer Lawrence. E é quem carrega todo o peso do mundo sob as costas, o cerne da tragédia pouca é bobagem. Afinal, são tantos dramas familiares, entre crises financeiras e brigas recorrentes, que o leitor precisaria de um lenço para ler toda a sinopse.

Joy é joguete perfeito para vender a América das oportunidades, e Russel vende perfeitamente este estereótipo. Primeiro a joga na lama, para despois, a partir de sua própria capacidade e simplicidade, colocaria novamente no ringue, pronta para briga rumo ao sucesso. É uma artimanha bem barata para conquistar o público, e em algum momento você também será conquistado por essa “ coitada lutadora”. Trilha incidental emocionante, frases de efeito como “eles são o melhor casal divorciado da América”, está cada vez mais difícil de engolir seus fimes.

LikeCrazyLike Crazy (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Chegando com atraso ao filme que levou a consagração de Drake Doremus, onde ganhou o prêmio de melhor filme da seleção principal, fica o sabor de olhar para o início de carreiras consolidadas. Veja o exemplo da coadjuvante Jennifer Lawrence, ainda era um papel pequeno, atualmente ela é protagonista na indústria do cinema.

O romance doloroso do cineasta Drake Doremus coloca de um lado as impossibilidades de conter um amor, e de outro as barreiras das leis que regem os vistos de permanência pelo mundo à fora. Felicity Jones e Anton Yelchin são os protagonistas que se equilibram entre a explosão do coração, e o início de suas carreiras que se solidifica.

Doremus filma com doçura, delicadeza, muitas vezes carrega no tom melado amoroso, em outras aprofunda-se nas crises e dores do amor. Há cenas bem construídas como o encontro no café, ainda na fase de flerte, com a câmera se dividindo entre eles (distantes) e uma coluna. Mas, o que de mais interessante o roteiro capta é essa necessidade psicológica de preencher com amores vazios, que talvez nem existam. A coisa de uma história que precisa de um ponto final, Doremus leva às últimas consequências, desperdiçando coadjuvantes, mas nunca perdendo o tom urgente do verossímil.

jogosvorazes3aesperancaThe Hunger Games: Mockinjay – Part 1 (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O terceiro capítulo da saga começa decapitando a atmosfera envolvente do filme anterior. Aquele era o grande momento da série, o mundo dos reality shows convergendo na ascenção da luta de classe, o povo clamando contra as injustiças e tendo sua líder como fonte de inspiração. O novo filme (cujo livro foi dividido em 2 partes) já traz a nova configuração política: guerra civil. Surge um aparelhamento bélico imenso por parte dos revolucionários, uma presidente tirana (Julianne Moore), traidores do governo do presidente Snow (Donald Sutherland), as cartas jogadas à mesa.

Não há história que sustente as 2 horas de explosões e dramalhões vividos por Katniss (Jennifer Lawrence). O pano de fundo é o poder manipulador da propaganda, de um lado ela, de outro Peeta (John Hutcherson), sequestrado e usado como vitrine para a propaganda do governo. Entre eles, a vulgaridade do filme-frankestein que precisa se tornar independente, quando é apenas parte de um todo, que se tornou apenas um pedaço torto de bolo e deveria alimentar uma família. O roteiro tenta engatar a premissa da tirania entre os dois lados, de uma heroína movida por seus ideais e laços afetivos, fica mesmo com o desengonçado, lento demais de sua hora inicial, e explosões demais no restante.

X_Men_Days_Future_PastX-men: Days of Future Past (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O filme anterior preparava o caminho e este tem o enredo necessário para o reboot da franquia, e com isso a garantia de mais alguns filmes e muita bilheteria. Porém, se aquele vinha carregado de uma jovialidade oriunda dos jovens mutantes se descobrindo, e se unindo. O novo filme, com o retorno na direção de Bryan Singer, vem com o peso de um Os Vingadores (sem o humor, aquela farofa toda).

Os X-Men sempre carregaram o peso de um teor político, o embate entre mutantes e humanos. Professor Xavier (James McAvoy ou Patrick Stewart) pregando a paz e vida harmônica na Terra, enquanto Magneto (Michael Fassbender ou Ian McKelen) a luta. Recorrer a história HQ que traz viagem no tempo, leva Wolverine (Hugh Jackman) aos anos setenta. Singer é cuidado em ambientar a história do tempo, e esse cuidado são os méritos mais interessantes.

Além do cuidado técnico, o que se vê em cena é a perda das principais qualidades do filme anterior, o peso do drama cede espaço a um tom carregado, personagens desperdiçados dentro de um quarto, e o desperdício de reunir o elenco das duas gerações de X-Men. O reencontro dos 2 atores de Xavier, por exemplo, traz a cena mais constrangedora do filme. O momento anos 70 se desenvolve, enquanto o atual é mero trampolim, a fórmula não funciona bem enquanto Wolverine e os heróis rejuvenescidos tentam salvar os mutantes das poderosas sentinelas. Virou apenas mais um filme de heróis, com seus poderes, e uma abafada sensação de que o encontro de épocas poderia criar cenas épicas.

trapacaAmerican Hustle (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Você dá uma olhada no trailer, nas fotos de divulgação e tem a sensação que David O. Russel realizou um filme cool. A pose ao andar de Christian Bale e Amy Adams (ótimos, mais uma vez), os figurinos lindíssimos, anos 70, a trilha sonora, tudo. Impressão cairá por terra em poucos minutos.

Russel não é Martin Scorsese, mas tenta ser (até DeNiro volta à tona para auxiliar nessa missão). A trama policial lembra, um pouco, os filmes de mafiosos de Scorsese. Entretanto, Russel é puritano, convencional ao extremo, não permite que a sexualidade desabroche naturalmente, ou que o universo golpista dos protagonistas seja romântico (ao menos). Ele julga, condena, e seus personagens estão lá, vivendo em crise com a mulher (Jennifer Lawrence histérica), e completamente amordaçados pelo envolvimento com a polícia (Bradley Cooper).

trapaca2Falta frescor, falta inspiração. É tudo muito lindo de se olhar, mas enfrentar as mais de 2 horas de filme parecem um martírio interminável com tantos diálogos frouxos e romances mal arranjados. Russel ainda tenta manter a verborragia de seus trabalhos anteriores, até a presença de uma família grande, com aquele bando de irmãos tontos é tímida. E por essa insistência que o diretor cria suas próprias amarras, cheio de papos chatos e pretensiosos de falsos falastrões.

jogosvorazesemchamasThe Hunger Games: Catching Fire (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A audácia de Katniss (Jennifer Lawrence), ao desafiar as regras no filme anterior, e garantir que seu amigo Peeta (Josh Hutcherson) também saísse vivo do reality show assassino, causou comoção na população. Os distritos ficaram ouriçados. A palavra de ordem é esperança. O filme retoma a história um ano depois, o falso casal (Katniss e Peeta) é utilizado pelo governo, em manobras para acalmar os ânimos da população.

Muito se fala sobre um filme contra o Sistema, mas com um Sistema tão deturpado quanto o apresentando, me parece muito mais uma alternativa à Roma antiga que um protesto ou algo que o valha. Ao contrário, é a definitiva e absoluta confirmação dos Reality Shows como exposição do ego, o espiar como forma de prazer, a massificação da curiosidade e do status de estrelas.

jogosvorazesemchamas2O filme vende, por mais de uma hora, essa lenga-lenga prestes a eclodir, com a dupla de mártires envergonhada de assumir uma posição de liderança, até se assumir como repetição do anterior, mergulhando em mais jogos violentos. Até Francis Lawrence encerrar no meio do incêndio, quando os ânimos estão flamejantes, deixando assim os fãs como leões famintos pelo próximo capítulo. Superior ao anterior? Essa comparação é realmente necessária? Eu até gostei mais, mesmo parecendo subproduto de uma ideia que talvez o terceiro possa justificar.