Posts com Tag ‘Jeremy Irons’

batmanvssupermanBatman vs Superman: Dawn of Justice (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O nome de Zack Snyder, desde que foi confirmado na direção, já torceu o nariz de muita gente. Ainda não vi nada dele positivo a ponto de o gabaritar a um projeto desse tamanho, e continuo na mesma. Sim, ele dirigiu o Homem de Aço, e assim como Nolan (produtor executivo do filme) seria um nome natural, desde que os filmes de Snyder fossem bons. São tantos pontos discutíveis, que os fãs dos heróis me perdoem, mas a trama parece tão rocambolesca, e o grande estopim para a criação da Liga da Justiça quase soa como piada. Mas, os problemas mais graves parecem mesmo a total incapacidade dos personagens em criarem identidade com o público, nenhum dos atores parece ter carisma/talento necessário para animar uma torcida que está avida por comemorar até cobrança de lateral.

São personagens tão conhecidos, e ainda assim tomassem liberdades que não descem (principalmente no que se refere ao Super-Homem), ou a preocupação de recontar a história (como no caso do Batman). E Lex Luthor então é o equívoco fatal, porque Jesse Eisenberg nunca consegue escapar do estereótipo do nerd falante (que em nada se parece com Luthor), e esse jeitinho falante destrambelhado não combina com a mente genial e diabólica do vilão.

Snyder continua com aquela tentativa de planos de “filme de Arte” ou algo que se pode tentar assemelhar a Terrence Malick, e tenta pegar emprestado aquele clima grandioso e definitivo dos Batman’s de Nolan. A junção desse todo também não dá certo. A DC tem essa característica meio carrancuda, diferente da Marvel e sua farofa espalhafatosamente divertida, e Snyder mantém o filme longe das piadas, parece a única coisa sóbria (além da luta, em si, entre os dois mega-heróis) que parece correta, de resto, a origem da Liga da Justiça chega como um soturno trem desgovernado, empurrado goela a baixo com altas quantidades de pipoca.

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cameo• As aparições de diretores de cinema, na tela, em seus próprios filmes são chamados de Caemos. Os mais famosos devem ser do Alfred Hitchcock, mas aqui nesse link temos uma coleção dos Cameos de Martin Scorsese [Imgur]

• Jonah Hill e Leonardo DiCaprio brincando com Titanic e Lobo de Wall Street no Saturday Night Live [Youtube]

• E parece que Jonah Hill e o Saturday Night Live estavam inspirados. Dessa vez, com Michael Cera, uma paródia do filme Ela (Her) [Youtube]

• Curiosidades: um link para saber qual o melhor filme de cada pais, no IMDB, considerando as notas que cada filme [Imgur]

• Jesse Eisenberg como Lex Luthor (bizarro, não?), Jeremy Irons como Alfred. O filme Batman vs Superman vem aí, e com mita polêmica [The Playlist]

• Entrevista com Alain Guiradie, diretor de Um Estranho no Lago [Slant Magazine]

Margin Call (2011 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Não é exatamente um filme sobre a crise financeira de 2008, seu intuito é estudar as pessoas “causadoras”, ou se são meros instrumentos do sistema. O cineasta estreante JC Chandor narra, a noite única e fatídica, após a descoberta que fez desmoronar todos os papéis podres de hipotecas de pessoas que jamais poderiam pagar seus empréstimos (se quiser mais detalhes, encontrará no documentário Trabalho Interno). Chandor transita por essa noite de engravatados se descabelando para encontrar uma solução que está bem à frente dos olhos deles: dar uma bica na ética (se bem que, executivos do mundo financeiro não lidam bem com ética mesmo), e se livrar rapidamente dessa bolha, para que exploda no colo de outros.

Mas, estou gastando espaço demais com a parte financeira, e desencadeada a trama, o filme faz esforço para deixar de lado. Está mais preocupado com as conversas fúteis de quem tem o brinquedo mais legal (na versão deles, quem ganhou mais dinheiro este ano), por isso que os personagens mais jovens vão perdendo espaço ao longo do filme para os atores mais experientes (Demi Moore, o quase retorno de Kevin Spacey, Stanley Tucci, Paul Bettany irritantemente coerente e um Jeremy Irons perfeito), já que, o filme quer mostrar algo humano, apontar as escolhas (ou que eles também tem uma vida for a daquele universo) com esposas e divórcios, casas e cães morrendo. Um esforço em vão, o thriller silencioso de cores, cinza e azul escuro, não combina com esse tom dramático de pessoas que sofrem para realizarem o que deve ser feito (e nesse ponto, os Americanos voltam a se colocar como nos filmes em que só eles podem fazer o esforço de salvar o mundo, mesmo que doa em sua própria carne).

Perdas e Danos

Publicado: outubro 18, 2010 em Uncategorized
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Damage (1992 – ING)
 
Louis Malle sabia como poucos adentrar na vida da burguesia européia, normalmente escandalizando com temas ligados ao sexo. Aqui o peso do drama recai sob cada fotograma, aliado pela música, pelas feições sempre sisudas do parlamentar inglês (Jeremy Irons), pela sua relação formal com esposa e filhos. Surge a belíssima Anna Barton, jovem, decidida, apresenta-se como nova namorada de seu filho e com o flerte avassalador leva o sogro a loucura. Não teremos explicação sobre as razões que levaram Anna a isso, Malle concentra-se no triângulo amoroso, na necessidade que Barton encontra em oferecer sexo ao sogro enquanto o relacionamento com o namorado/filho fortalecesse a cada semana. Nesse aspecto a carga dramática vira-se contra o homem integro, de respeito irretocável na política, completamente inebriado por uma paixão duas vezes proibida, e Louis Malle não economiza esforços para intensificar tal paixão, com loucuras desenfreadas, ciúmes e o sexo carnal em completa evidência. Sensação do público com um copo de uísque nas mãos e um violino triste ao fundo, apenas aguardando o que de trágico acontecerá: o escândalo da descoberta/a morte de alguém/, apenas questão de tempo enquanto a dureza aristocrática dos personagens sobrevive às custas de desejo.

gemeosmorbidasemelhancaDead Ringers (1988 – CAN/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Novamente David Cronenberg criando uma atmosfera sufocante, sempre com pitadas (maiores ou menores) de bizarrice. Dessa vez, a mórbida semelhança de irmãos gênios inseparáveis. Totalmente idênticos, exceto na personalidade, Beverly e Elliot Mantle (Jeremy Irons) são famosos ginecologistas especializados em fertilidade feminina. Além de trabalharem juntos, ainda dividem o mesmo apartamento, e normalmente, as mesmas mulheres, sem que elas saibam. Beverly é tímido, introvertido e extremamente competente. Elliot é mulherengo e bom nos negócios, adora o status que a clínica alcançou.

A dupla se envolve com uma paciente, a famosa atriz de TV Claire Niveau (Geneviève Bujold). Beverly apaixona-se pela moça, mas ela nota as diferenças (saía com os dois, e não sabia), descobre a verdade e se afasta. A paixão de Bervely é o começo da decadência na relação entre os irmãos, e deles com a sociedade. Depressão, o refúgio nas drogas, a total perda de controle arrasta o irmão e a carreira profissional. No desequilíbrio surge a confusão de personalidades, a falta de individualidade, e o castelo de cartas ruindo rapidamente. Lento, e muitas vezes perturbador, Cronenberg carrega no tom pesado destes personagens sufocantes, deprimentes e complexos. Jeremy Irons interpreta os irmãos, primorosamente, conseguindo a proeza de facilmente se fazer notar qual dos dois personagens está em cena.