Posts com Tag ‘Jesse Eisenberg’

cafesocietyCafé Society (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Como todos os anos, Woody Allen vem lançando um novo filme, ou quase sempre uma variação de um mesmo tom. Algumas vezes acerta mais, outras menos, e invariavelmente agrada grande parte de seu público cativo. Lá se foram os tempos em que tentou experimentar, agora com oitenta anos que ele usa e abusa das fórmulas infalíveis de garantir sua presença nos circuitos de cinema. Romances com um personagem alter-ego seu, quase sempre em Nova York, com boas doses de comédias, neuras, famílias judias e jazz. São assim seus filmes.

Suas lentes retornam aos anos 30, mais precisamente Hollywood. No mundo de sonhos da indústria do cinema que o diretor cria sua história de amor, um local onde a fantasia tão presente que o roteiro cria personagens com traços de pés-no-chão. Longe da originalidade, depende do subjetivo para se entregar mais, ou menos, ao relacionamento vagaroso entre o aspirante a roteirista (Jesse Eisenberg) e sua colega de trabalho ( Kristen Stewart). A moça tem um relacionamento secreto, que se torna a chave para os destinos de diversos personagens.

Pela história passam-se anos, e Allen cria um curioso estudo (permeado por toda essa embalagem de seus filmes a qual estamos acostumados) das mutações do amor pelo tempo, das relações entre as pessoas, e da quebra da ilusão de nem sempre conseguir viver aquele que se considera o grande amor de sua vida.

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maisfortequebombasLouder than Bombs (2015 – NOR/FRA/DIN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A carreira do norueguês (nascido na Dinamarca) Joachim Trier surge meteórica pelos festivais europeus, seu primeiro filme já correra por Rotterdã e Karlovy Vary. Mas foi mesmo o grande destaque de Oslo, 31 de Agosto (Un Certain Regard) já o credenciaram para que seu próximo trabalho chegasse a competição principal de Cannes. E por mais que a produção seja europeia, os atores são americanos, dando-lhe uma visibilidade comercial bem maior.

A narrativa tenta embaralhar as informações, começa com Jonah (Jesse Eisenberg) no hospital segurando seu filho recém-nascido (esses primeiros instantes lembram o cinema atual de Terrence Malick), o encontro inesperado com a ex-namorada (Rachel Brosnahan, de House of Cards), o corredor claustrofóbico do encontro no hospital. Depois o pai (Gabriel Byrne) tendo que lidar com os detalhes da exposição em homenagem a sua esposa (Isabelle Huppert), fotógrafa renomada recém-falecida. Por fim, o outro filho do casal, o adolescente (Devin Druid) que guarda a agressividade da incompreensão misturada com a tristeza calada pela morte da mãe.

Trier desenvolve essa família em plena ebulição, outro dia alguém falou em dramas-de-pessoas-brancas. Claro que estava criando um tema pejorativo, querendo falar de dramas de vidas burguesas. E o filme segue realmente esse tom, são vidas que nunca sofreram de dificuldades financeiras. O filho que encontra refúgio no videogame para não se comunicar com o pai, o novo adulto ainda inseguro das escolhas que fez para-a-vida-toda, e todo o peso da desestabilidade que pode ser causada, tanto pela morte, quanto por um casamento frustrado.

Lentamente, o personagem adolescente se torna o verdadeiro centro das atenções, a primeira paixão juvenil, os textos autobiográficos que resumem tão bem aquela personalidade reclusa, e as interferências de pai e irmão que nem sempre são ouvidas. Trier busca aprofundar tudo e todos, e algumas coisas acabam funcionando melhor do que outras, nesse mar de irregularidade, há pontos interessantes, e uma proposta de cinema que tende a solidificar.

batmanvssupermanBatman vs Superman: Dawn of Justice (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O nome de Zack Snyder, desde que foi confirmado na direção, já torceu o nariz de muita gente. Ainda não vi nada dele positivo a ponto de o gabaritar a um projeto desse tamanho, e continuo na mesma. Sim, ele dirigiu o Homem de Aço, e assim como Nolan (produtor executivo do filme) seria um nome natural, desde que os filmes de Snyder fossem bons. São tantos pontos discutíveis, que os fãs dos heróis me perdoem, mas a trama parece tão rocambolesca, e o grande estopim para a criação da Liga da Justiça quase soa como piada. Mas, os problemas mais graves parecem mesmo a total incapacidade dos personagens em criarem identidade com o público, nenhum dos atores parece ter carisma/talento necessário para animar uma torcida que está avida por comemorar até cobrança de lateral.

São personagens tão conhecidos, e ainda assim tomassem liberdades que não descem (principalmente no que se refere ao Super-Homem), ou a preocupação de recontar a história (como no caso do Batman). E Lex Luthor então é o equívoco fatal, porque Jesse Eisenberg nunca consegue escapar do estereótipo do nerd falante (que em nada se parece com Luthor), e esse jeitinho falante destrambelhado não combina com a mente genial e diabólica do vilão.

Snyder continua com aquela tentativa de planos de “filme de Arte” ou algo que se pode tentar assemelhar a Terrence Malick, e tenta pegar emprestado aquele clima grandioso e definitivo dos Batman’s de Nolan. A junção desse todo também não dá certo. A DC tem essa característica meio carrancuda, diferente da Marvel e sua farofa espalhafatosamente divertida, e Snyder mantém o filme longe das piadas, parece a única coisa sóbria (além da luta, em si, entre os dois mega-heróis) que parece correta, de resto, a origem da Liga da Justiça chega como um soturno trem desgovernado, empurrado goela a baixo com altas quantidades de pipoca.

night-movesNight Moves (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O discurso moral vem alinhado com as questões ambientais, as reinvindicações por mudanças estruturais na economia que possam privilegiar a preservação. Kelly Reichardt esgueia seus personagens por um thriller silencioso, por entre turvas florestas e a determinação jovem de fazer sua parte para mudar o mundo. O plano de Dena (Dakota Fanning) e Josh (Jesse Eisenberg) posto em prática, sem que nada seja esclarecido ao público. A narrativa é competente em guardar o segredo, fica a indagação do que eles estão aprontando?

A segunda metade é sobre o peso da culpa, arrependimento. Saem de cena a floresta, o rio límpido que reflete a escuridão noturna, surge o desanimo, os ombros carregados. Ação e reação, já dizia a lei da física, o fardo de prosseguir é mais pesado do que o planejado. Night Moves é o nome de um barco, que participa dos planos, Reichardt padece do mesmo mal de seus personagens, depois da ideia central não soube bem como seguir, e o filme vai lhe escapando das mãos.

cameo• As aparições de diretores de cinema, na tela, em seus próprios filmes são chamados de Caemos. Os mais famosos devem ser do Alfred Hitchcock, mas aqui nesse link temos uma coleção dos Cameos de Martin Scorsese [Imgur]

• Jonah Hill e Leonardo DiCaprio brincando com Titanic e Lobo de Wall Street no Saturday Night Live [Youtube]

• E parece que Jonah Hill e o Saturday Night Live estavam inspirados. Dessa vez, com Michael Cera, uma paródia do filme Ela (Her) [Youtube]

• Curiosidades: um link para saber qual o melhor filme de cada pais, no IMDB, considerando as notas que cada filme [Imgur]

• Jesse Eisenberg como Lex Luthor (bizarro, não?), Jeremy Irons como Alfred. O filme Batman vs Superman vem aí, e com mita polêmica [The Playlist]

• Entrevista com Alain Guiradie, diretor de Um Estranho no Lago [Slant Magazine]

alulaeabaleiaThe Squid and the Whale (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Talvez seja um dos mais celebrados filmes da recente safra dos indies americanos (se bem que não é tão recente assim). Estão lá todos os cacoetes, como personagens desregrados, um quê loser, o espírito da comédia dramática. Além, é claro, de muita câmera na mão e planos fechados, mostrando um face a face entre atores e público.

Basicamente Noah Baumbach está tratando de um divórcio, da maneira como cada um dos membros da família se relaciona com a nova situação, e a gama de personagens que orbita a volta dos Berkman. Guarda compartilhada, divisão de pertences, e o desgaste da rotina de encontros são apenas os pormenores, o diretor está mais ligado em aspectos psicológicos e comportamentais.

O filho mais novo (Owen Kline) é muito ligado à mãe (Laura Linney), enquanto o adolescente (Jesse Eisenberg) é fã incondicional do pai (Jeff Daniels), e essa é a base da relação familiar que sofre ruptura com a separação. Noah Baumbach e seu roteiro inteligente consegue desenvolver bem essas interrelações pessoais, e trazer à tona a verdade sobre cada um deles. Desfazendo mitos aos próprios personagens, é um pouco cruel, mas, a vida é assim, cheia de pequenas decepções, e da descoberta de que nossos ídolos são feitos de carne, osso e imperfeições.

truquedemestreNow You See Me (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Se David Copperfield fosse parar no cinema, o resultado seria um filme como esse. O diretor Louis Leterrier usa de todas as artimanhas e pirotecnias do cinema (desde efeitos especiais, a roteiros cheios de segredinhos) para criar esse entretenimento pipoca-tamanho-família. Um conjunto de tolices muito bem tramadas por um ritmo narrativo agradável e um grupo grande de atores famosos (Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Woody Harrelson, Mark Ruffalo, Mélanie Laurent, Morgan Freeman, Michael Caine, Dave Franco).

Mais tarde a história abusa do “mentir ao público” e aquele show de mágica, misturado com roubo a banco, naufraga na paciência dos que cobram um minimo de coerência. Personagens caricatos, romances óbvios desde a primeira cena, e a transposição do mundo dos ilusionistas para o mundo do cinema, que deixa tudo mais fácil.