Posts com Tag ‘Jessica Chastain’

A Grande Jogada

Publicado: fevereiro 21, 2018 em Cinema
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Molly’s Game (2017 – EUA) 

Narração em off acelerada, marcada no ritmo da trilha e das imagens. Um turbilhão de informações que o público tenta captar entre nomes, números, conexões da personagem e memórias da personagem. Isso, sem falar, nos embates de diálogos acelerados, bem no estilo de A Rede Social. É a estreia na direção de Aaron Sorkin, o roteirista de filmes como o citado de Fincher, ou o de Steve Jobs (do Danny Boyle). A eficiência de seus roteiros está agora explicita em sua direção. Seu estilo é informativo, altamente explicativo, e capaz de dar um perfil completo de personagens e fatos. Se isso é bom cinema, podemos discutir?

Jessica Chastain surge glamourosa na pele de uma mulher que movimentava milhões de dólares em jogos ilegais de poker com celebridades e figurões. Tenta se defender nos tribunais, enquanto enfrenta as sombras de um pai exigente e complicado (Kevin Costner). O filme é curioso e envolvente como narrativa, maçante com esse turbilhão de informações e desgastante com tamanha agilidade e eficiência. Era de se esperar de Aaron Sorkin.

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Armas na Mesa

Publicado: março 13, 2017 em Cinema
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Miss Solane (2016 – EUA) 

A atuação dos lobistas como elo entre governo e interesse de grandes empresas é fascinante. A capacidade de criarem artimanhas, o jogo de xadrez para conquistar aliados, a ética colocada de lado. Infelizmente, nem sempre esse exercício fascinante acaba se tornando um filme, minimamente, interessante. Este thriller político de John Madden até merecia sorte melhor, se compararmos com a média do que chega ao circuito.

O tema aqui é o controle na venda de armas nos EUA, lobistas predatórios defendem interesse de seus clientes, e o mundo corporativo se torna uma guerra de espiões, chantagens e a tênue linha da ética abandonada friamente.

A sempre talentosa Jessica Chastain, e os métodos workaholics e nada ortodoxos de sua personagem, são o combustível que carrega o público pelo filme de Madden até se transformar num filme de tribunal e as surpresinhas do roteiro desconstruírem a narrativa vigorosa que o diretor conseguia até então, por mais tudo soasse como uma fantasia “real”. Mas o final, realmente, termina com qualquer credibilidade, em prol desse público ávido por apenas ser surpreendido, enquanto os temas propostas (não só o debate de armas e violência, como a utilização das pessoas como armas de estratégias inescrupulosas) se tornam apenas abajures de um roteiro banal.

oanomaisviolentoA Most Violent Year (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Sem dúvida um dos melhores filmes da temporada do Oscar, e acabou renegado a algumas indicações, em consequência, um público menor terá a oportunidade de ver o novo trabalho de J. C. Chandor. Em seu terceiro filme, Chandor demonstra sinais de uma carreira encorpada à vista. Depois de dar ritmo ao sofrimento solitário do náufrago Robert Redford em Até o Fim, o cineasta volta ao mundo corporativo que o lançou em Margin Call.

Foco no comércio de combustíveis, início da década de 80, praticamente um cartel de mafiosos que não permitem que empresas pequenas, como a do imigrante Abel Morales (Oscar Isaac) possam crescer. Assalto de caminhões, ameaças à família, as técnicas comerciais são agressivas. O filme é interessante em traçar um perfil honesto de um executivo, até onde essa honestidade possa ser mensurada e subjetiva. Abel se faz de justo, correto, íntegro, ainda que sua empresa tenha negócios, ou contabilidade, escusa. A ética de cada um permite arbitrariedade.

Chandor revive os filmes de máfica, apenas na atmosfera, enquanto explora a fotografai fúnubre, os diálogos em que os cortes tiram de cena os participantes. A esposa (Jessica Chastain) que tenta ser o alicerce, ou o diabinho que fica no ombro provocando, questionando os limites éticos. É um filme sofisticado, estiloso. Que cadencia o ritmo à conduta de Abel, seja no olho-no-olho além do necessário, seja na ânsia cega de proteger seus negócios, ou de ser justo, por mais que essa justiça seja baseada numa moral dúbia. Favorito a figurar entre os melhores do ano.

doisladosdoamorThe Disappearance of Eleanor Rigby: Them (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A ideia, e realização inicial, partem da música dos Beatles (Eleanor Rigby), e do anseio de tratar diferentes pontos de vista de uma mesma história. O diretor lançou a versão “Him” e “Her”, que juntas passam das 3h de duração. Mas lá vieram os Weinstein fazendo Ned Benson remontar, unir as duas versões num único filme “Them”, de apenas 2h, aglutinando as duas versões. Dessa forma, surge um filme convencional, sobre uma crise conjugal, após uma tragédia, que abala marido (James McAvoy) e esposa (Jessica Chastain) em distinta intensidade.

Fica a curiosidade do quanto Benson pôde explorar, de cada um deles, nos filme isolados – e parece impossível não ter essa sensação. Triste, emotivo, simples (como a vida é), Benson trata das feridas do casal, enquanto explora a relação individual deles com a sociedade (ela com a família, ele com o trabalho e com o pai) e o próprio desgaste que causa o afastamento, o desconsolo, as atitudes desequilibradas. O diretor prega a máxima de que o caminho da reconstrução parte do alicerce, do tripé família x amor x trabalho. O tripé desbalanceado causa desestrutura, a busca por recomeços, necessidade de novas perspectivas. Na versão que chega ao cinema temos, exclusivamente, um filme sobre depressão, e a reconstrução a partir dela, com todo o peso do amor envolvido (que pode afastar ou reaproximar).

 

InterestelarInterstellar (2014 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Chistopher Nolan não se conteve com dominar Gotham City, ou penetrar nos sonhos e mudar completamente as vidas dos que dormiam, o diretor precisava de mais, o planeta já não era o bastante para sua mente megalomaníaca (palavras de quem gosta de seus filmes, e muito em muitos deles). Nolan partiu para o espaço, a salvação da humanidade em outra galáxia, vamos abandonar a Terra (esgotada) e transferir a humanidade para outra localidade.

Vejo uma mensagem clara em sua Ficção Científica, ele mira em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, mas o máximo que ele consegue atingir é um episódio, bem longo, e caro, de Doctor Who. A questão verossímel da história, o excesso de explicações para o público médio que só compra o que entende, nem me parecem o maior dos problemas. O filme é fraca dramaturgicamente, começando por como o fazendeiro (Matthew McConaughey) volta a sua vida de astronauta, passando por todo o drama de deixar a família pelo “bem da humanidade”, os ensinamentos de livros de autoajuda do cientista da Nasa. Resumo, o bolo é esburacado, deformado, q beleza gráfica apenas repete Gravidade, mas já perdeu o sabor de novidade.

Dessa forma, essa gigante nave espacial orbita pelos cinemas de forma meio desajeitada, nem tão ruim quanto parecem, porém incapaz de se movimentar, e escapar, da própria teia que o roteiro usa para aprisionar seu público. Tentar emplacar Anne Hathaway no Oscar é quase uma piada de mau gosto, Nolan parece incapaz de domar sua própria ideia, de tão grande que ela se tornou. Depois do espaço, quais as fronteiras que poderão contê-lo?

A Hora Mais Escura

Publicado: fevereiro 15, 2013 em Cinema
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ahoramaisescuraZero Dark Thirty (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

 A obsessão de um país representada numa única pessoa, essa é Maya (Jessica Chastain), jovem agente da CIA, que durante dez anos, teria dedicado sua vida profissional à caça de Bin Laden. Kathryn Bigelow não está preocupada com nomes, com fatos históricos, seu filme é sobre o método. A maneira com que os militares americanos teriam chegado até a casa-esconderijo de OBL apenas anos de atentados terroristas e uma procura impiedosa pelo chefe da Al Qaeda.

Ao filmar o processo, Bigelow é minuciosa e nada emotiva, sua visão cirurgica causa incomodo na reconstituição de tipos de tortura contra os presos, nas discussões táticas burocratas no governo, e na necessidade de correr o mundo, em cidades onde americanos não são tão bem-vindos atrás de mais buscas, mais informações.

Tal como em seu filme anterior, Guerra ao Terror, a cineasta jamais aproxima-se sua heroína de algo palpável, a mulher seca, direta, determinada, é quase um robô treinado para caçar. Ambos os filmes não trazem identidade, como se os personagens não tivessem rostos, fossem apenas mais um na multidão. É uma maneira justa de ver o mundo, mas no cinema é algo irregular. Por mais que seu cinema impiedoso fuja das firulas e traga a realidade explícita para dentro dos seus olhos.

Lawless (2012 – EUA)

A adaptação do livro The Wettest County in the World (de Matt Bondurant), dirigida por John Hillcoat vem cheia de violência e sangue escorrendo. Pode parecer antagônico, mas peca no classicismo narrativo dos filmes da época de Al Capone e a Lei Seca. A violência crua, ao invés de romântica de alguns filmes do gênero, é pouco para dissociá-lo de mais uma história de gangsteres, policiais corruptos e disputas de poder. Além da presença de mulheres passivas e algum herói em atos heroicos inesperados.

Hillcoat não consegue ir além da máxima de mocinhos e vilões, por mais que todos sigam e vivam sob suas próprias leis. Emprega ritmo arrastado, o filme se arrasta na disputa entre o corrupto (Guy Pearce) e os irmãos durões (Tom Hardy, Shia LaBeouf e Jason Clarke), enquanto a elogiada fotografia parece limpinha demais, e as relações amorosas-pessoais variam entre o passivo e o bobinho.

E quando chegam os momentos mais eloquentes, as grandes disputas entre mocinhos (vilões) e vilões, sobra exagero e ressurreição. No começo a história se apresenta como baseada em fatos reais, o que não precisava era parecerem tão super-heróis assim.