Posts com Tag ‘Jesuíta Barbosa’

praiadofuturoPraia do Futuro (2014) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Não é um filme sobre um salva-vidas (Wagner Moura) que larga tudo por uma paixão em Berlim. Nem a de um motoqueiro estrangeiro, cujo amigo (Clemens Schick) morre afogado na Praia do Futuro. E nem a de um garoto (Jesuíta Barbosa) que tinha o irmão como herói exemplar e o vê, simplesmente, desaparecer sem dar vestígios. Não é nada disso, o filme de Karim Aïnouz é sobre emoção e ser livre. A emoção está presente na emocionante sequencia de afogamento, no início do filme, na relação dos irmãos quando o mais novo o chama de Aquaman, e na explosiva paixão nascida para curar a dor da perda de alguém próximo. O ser livre está presente nas motos, nas baladas de rock com cabeças agitadas, nos belos planos abertos que mostram a praia cearense ou uma Berlim profundamente triste.

Com duas ou três cenas, que funcionam muito bem, Karim posiciona seus personagens. Dali em diante é um filme de silêncios, de olhares, de emoção (pela dor da perda, pela raiva do reencontro, ou pela paixão ardente). Os planos fechados na intimidade dos personagens, a praia ou os telhados alemães como libertação espiritual, Karim deixa de lado o final de seus filmes em estrada, para partir por ela, e buscar o outro lado. A parte alemã, de tão carregada, parece presa e propensa a mais esconder do que revelar (como faz com a cidade de Berlim que ao tentar ser oposta a Praia do Futuro se torna mais que fria, feia). Um cinema que amadurece, com um peso mais difícil de carregar do que a leveza de um Céu de Suely ou Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo. Seu cinema mostra uma continuidade, por mais que os primeiros trabalhos fossem mais reveladores (não tão emotivos quanto esse), Karim segue construindo personagens que são pequenos heróis, de suas próprias vidas.

Tatuagem

Publicado: novembro 19, 2013 em Cinema
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TatuagemTatuagem (2013) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Uma trupe de artistas subversivos, na Recife da ditadura militar, monta seus espetáculos críticos e debochados, até mesmo depravados, enquanto vive num casarão, como numa comunidade hippie. Entre plumas e paetês, eles amam, desejam, se drogam e se divertem compulsivamente. De outro lado, surge o jovem soldado (Jesuíta Barbosa), que se apaixona pelo “líder” do grupo (Irandhir Santos). Nesse universo de liberdade e falta de preconceitos, o diretor Hilton Lacerda guia seu filme, a exuberância do libertário.

Lacerda parece encantado pelo mundo que recriou, o filme se repete em apresentações artísticas, deixando pouco para os diálogos reveladores, que são o cerne da história, quando os personagens abrem seus sentimentos e desnudam seus corações. É interessante a forma natural com que ele trata o homossexualismo no quartel, mas no frigir dos ovos condensa tudo no ciúmes ao criar a luta arte x ditadura. Ao mesmo tempo em que ele choca, com todos os tipos de nus, faz da extrema leveza a abordagem dos temas.