Posts com Tag ‘Jim Broadbent’

BrooklynBrooklyn (2015 – IRL/RU/CAN) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Uma das sensações do ultimo Festival de Sundance, e certamente com indicações ao próximo Oscar, está a adaptação do diretor John Crowley, com roteiro é assinado pelo escritor pop britântico Nick Hornby, do romance escrito por Colm Tóibín. Provavelmente eles não tenham visto Era uma Vez em Nova York porque a comparação inevitável é mortal ao novo filme.

O drama romântico açucarado pela trilha sonora conta a história de uma imigrante irlandesa nos EUA, a jovem Ellis (Saiorse Ronan), fazendo assim um breve retrato da integração entre comunidades de imigrantes europeus nos EUA. Enquanto Crowley tenta deixar cada plano tocante, aproveitando-se dos olhos claros de Ronan, em inúmeros planos fechados, o que temos é um drama de pouca movimentação. Sóbrio em sua narrativa, porém nada contundente para o cinema que tantas histórias parecidas já contou. O diretor se coloca como um mero contador de história, pontuando de maneiras bem simples os elementos cinematográficos que possam embalar o público mais fácil. Sua repercussão não juz ao filme, que tenta se apoiar sempre em sua atriz, por mais que seus dilemas sejam doloridos, mas nem tão espetaculares assim.

Another Year (2010 – ING) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Não dá nem vontade de falar muito sobre o filme de Mike Leigh, vá assisti-lo. Ou dá vontade de falar horas e horas, porque são personagens tão genuínos, são pessoas tão possíveis e cheias de problemas, medos, angústias, que varar a madrugada apontando detalhes ou sentimentos, seriam subterfúgios para doces descobertas, novas possibilidades da percepção humana. Típico filme para suscitar opiniões, para rever ao longo do tempo e enxergar novas nuances. Sim, porque a dor está espalhada por todos os lados, a decepção marca cada ruga no rosto, mesmo do casal “perfeito e feliz”, já que os que orbitam à sua volta são seres além do problemático.

Relações conturbadas entre pais e filhos, pessoas solitárias batendo à porta da terceira idade, a bebida como válvula de escape, as contas a pagar que se amontoam. Mas também, a leveza do amor, o surgimento de um novo romance, uma nova história. Mike Leigh registra tantas possibilidades num roteiro conciso, muito bem elaborado, com Jim Broadbent e Ruth Sheen abrindo espaço para um show de Lesley Manville em sua personagem explosiva, intensa, angustiada. É apenas a singela passagem de mais um ano, outro período de experiências, de erros e acertos, de gente que se vai, outros que são inseridos ao convívio. De gente que amadurece, já outros que não aprendem nunca. Mike Leigh sugere que esse foi só mais um ano, sua narrativa doce e simples até o tom de um ancião passando ensinamentos a jovens que só o compreenderam completamente quando se tornarem anciãos.